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terça-feira, 29 de outubro de 2019
sábado, 26 de outubro de 2019
Precedente
Este é um espaço destinado às minhas criações literárias, entretanto hoje abro um precedente para publicar aqui um pensamento do filósofo racionalista, Baruch de Spinoza, isto porque em grande medida me filio ao pensamento filosófico desse genial camarada.
Deus teria dito:
“Pare de ficar rezando e batendo no peito! O que quero que faça é que saia pelo mundo e desfrute a vida. Quero que goze, cante, divirta-se e aproveite tudo o que fiz pra você.
Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que você mesmo construiu e acredita ser a minha casa! Minha casa são as montanhas, os bosques, os rios, os lagos, as praias, onde vivo e expresso Amor por você.
Pare de me culpar pela sua vida miserável! Eu nunca disse que há algo mau em você, que é um pecador ou que sua sexualidade seja algo ruim. O sexo é um presente que lhe dei e com o qual você pode expressar amor, êxtase, alegria. Assim, não me culpe por tudo o que o fizeram crer.
Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo! Se não pode me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de seus amigos, nos olhos de seu filhinho, não me encontrará em nenhum livro.
Confie em mim e deixe de me dirigir pedidos! Você vai me dizer como fazer meu trabalho?
Pare de ter medo de mim! Eu não o julgo, nem o critico, nem me irrito, nem o incomodo, nem o castigo. Eu sou puro Amor.
Pare de me pedir perdão! Não há nada a perdoar. Se eu o fiz, eu é que o enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso culpá-lo se responde a algo que eu pus em você? Como posso castigá-lo por ser como é, se eu o fiz?
Crê que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que Deus faria isso? Esqueça qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei, que são artimanhas para manipulá-lo, para controlá-lo, que só geram culpa em você!
Respeite seu próximo e não faça ao outro o que não queira para você! Preste atenção na sua vida, que seu estado de alerta seja seu guia!
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é só o que há aqui e agora, e só de que você precisa.
Eu o fiz absolutamente livre. Não há prêmios, nem castigos. Não há pecados, nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Você é absolutamente livre para fazer da sua vida um céu ou um inferno.
Não lhe poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso lhe dar um conselho: Viva como se não o houvesse, como se esta fosse sua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não houver nada, você terá usufruído da oportunidade que lhe dei.
E, se houver, tenha certeza de que não vou perguntar se você foi comportado ou não. Vou perguntar se você gostou, se se divertiu, do que mais gostou, o que aprendeu.
Pare de crer em mim! Crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que você acredite em mim, quero que me sinta em você. Quero que me sinta em você quando beija sua amada, quando agasalha sua filhinha, quando acaricia seu cachorro, quando toma banho de mar.
Pare de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra você acredita que eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Você se sente grato? Demonstre-o cuidando de você, da sua saúde, das suas relações, do mundo. Sente-se olhado, surpreendido? Expresse sua alegria! Esse é um jeito de me louvar.
Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que o ensinaram sobre mim! A única certeza é que você está aqui, que está vivo e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisa de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procure fora. Não me achará. Procure-me dentro de você. É aí que estou, batendo em você.”
sábado, 12 de outubro de 2019
Aniversário de Vida
Pai hoje seria o grande dia do seu aniversário e agora?
Em fevereiro pela manhã do nada o senhor foi embora.
Nem nos despedimos para ficar tanto tempo fora.
E lá estava você deitado num caixote em cima do seu carro de boi.
Ali no terreiro da porta da sala, no lugar em que o senhor assentia.
Vinha gente de todo lado, indagando com perplexidade como foi?
Eu dizia, não sei, ele brincava tanto, deve está de brincadeira agora.
Mas todos choravam, brincadeira que nada, era chegada a derradeira hora.
Os seus cachorros permaneceram todo o tempo debaixo do caixão.
Marcelo não arredou o pé do baú cujo nosso tesouro abrigava, incrédulo só chorava.
Vieram os parentes e amigos mais considerados de todas as bandas e de tudo quanto é lado.
O Vavá nem no megafone conseguiu viva voz para as honras fúnebres anunciar.
Teve terço, culto ecumênico e todas as preces, tinha queijo, café, biscoito e bolacha.
As meninas assustadas se amontoavam no quarto, não tinham coragem de perto chegar, distantes se punham a espiar.
Eu andava de um lado para o outro, no exercício do oficio cerimonial, tomando as providências que jamais queria tomar.
Pensei em colocar musica de Nelson Gonçalves que o senhor gostava, mas talvez não fosse aceito em bom lugar, se lã chegasse cantando: "boemia aqui me tens de regresso".
De vez em quanto um rosto conhecido me abraçava oferecendo condolências, eu no automático, mecanicamente correspondia.
Era eu o mais presente e também o mais ausente, pois ali não estava, não era minha a silhueta que ostentava.
Pensava nas nossas conversas, no barulho das suas precatas quando andava, mas também quando em minha popa surrava.
Sentia o seu cheiro, as suas empreitadas no garimpo, o senhor operando a alavanca e cortando a formação a procura de diamantes.
Passei pelas suas dores de cabeça brutais, imaginei a alegria dos seus inimigos fronteiriços.
E aquele dia na garupa da minha primeira moto, descendo a Av Bahia o senhor com um radio de pilha nos ouvidos descontrolou e caiu.
Me lembrei dos seus olhos brilhando nas minhas formaturas, o senhor orgulhoso de mim e eu mais ainda do você.
O senhor estava bem surdo ultimamente e eu não sei falar alto, então ficávamos horas em silêncio apreciando um ao outro e as suas exóticas coisas, de canários amarelos ao amarelo do ouro.
Cheguei a arrumar alguns aparelhos auditivos, mas o senhor não se adaptou a nenhum, acho que não queria ouvir mesmo mais latomias.
O tempo passava, a angústia aumentava, o peito apertava e o coração doía.
O dia amanheceu, sempre aprecio o nascer e o pôr do sol, mas neste dia da sua morte, foi o nascer mas triste da minha vida.
A hora do enterro chegou, ali um pouco de cada filho morreu também.
Agora estou aqui sentado do lado de dentro do cemitério usando a sua internet.
O céu está bonito, mas sopra um vento fúnebre, frio e triste por aqui.
O Bilu morreu poucos dias depois, o pitoco acabou de colocar as patas em cima do muro do cemitério, lambeu a minha cabeça e começou a uivar.
Abandonei o poema, daqui pra frente só vou fazer registro do que está acontecendo.
Uma cigarra começou a cantar, é outra que vai estourar se continuar nessa empolgação lirica.
Uma formiga me pica na perna, ia matá-la mas achei que pudesse ter formiguinhas, imaginei a dor daquelas então a deixei picar.
As lajes arde em chamas é a notícia que se tem, nem lá pude ir ainda ver a herança queimar.
Do lado de fora a vida segue normal, meninos jogam bola, um hippie toca batuque e o vento sopra friagem.
Gostei dessa cruz vazada na pedra que fiz para o senhor, só não cravo um diamante azul nela por receio dela ser destruída em razão dele.
Alguém o homenageou com rosas dentro de um litrão pet de mate coro, deve ser a Conceição.
São 18:16, as coisas por aqui se acalmaram, o meu coração também serenou, vou indo nessa pai, a sua benção.
vida que segue e morte também.
Adelito 11 de outubro de 2019.vida que segue e morte também.
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Visão
Acho que sou meio estranho, as vezes falo que fui e não vou a lugar algum, já falei em sumir e aqui estou com endereço certo, mas sem nada dizer estou aos poucos me afastando. Discreto como sempre fui sigo em frente, de vez em quanto um correr de olhos pelo retrovisor. Distante, daqui a pouco não mais lembrado o serei e quanto mais longe do pensamento, menos alcance nos sentimentos. O sol se põe no horizonte nem brilho, nem calor, nem o belo resplendor, só escuridão e nem pisca um vaga-lume no final do túnel....
Ciclo migratório
Passarinho voa e vai se aninhar em galhos de árvores biônicas de manejo.
O cicro migratório muda de acordo com as especies e condições climatéricas.
Aqui ainda pode ser o abrigo mutante da sua estação fértil.
Ha frutos proibidos e permitidos em todo o universo.
Se algum dia se se sentir solitário preso numa gaiola.
Não se acostume e nem cante simulando contentamento.
Voe de volta para o seu velho galho do serrado, ou para novos e mais abastados biomas...
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Comunicado
Depois de proveitosa reunião com o passado e com o futuro, deixei claro para ambos que o meu endereço é no momento presente, no aqui e agora.
Fui beneficiado com a progressão de regime e devo permanecer nesse endereço.
Portanto não me procurem no passado e nem no futuro se querem me encontrar, são bem vindos, mas tem que ser no aqui e agora, todos sabem onde e quando né?
Liberdade

Há tanta coisa interessante espalhadas por aí, só precisamos ter bons sensores para percebê-las, senti-las, com elas interagir e trocar energias para recarga da bateria do bem viver.
Andando a pé pela cidade conseguimos ter um olhar mais abrangente e amiúde sobre tudo. De automóvel a visão é mais estreita e restrita aos prudentes cuidados com e no trânsito.
Hoje em uma das praças de Uberlândia me vi numa regressão histórica, em que o meu espírito serrou fileiras com os ativistas da revolução francesa, ao me deparar com o slogan: "Libertê, Egalitê, Fraternitê", essa trilogia humanista que ganhou domínio universal e hoje pertence a todas as pessoas sensatas do mundo.
Na tal praça o monumento arquitetônico é constituído de três figuras de concreto armado, representado simbólica e respectivamente, a igualdade, a fraternidade e a liberdade. Eu que vivo o cárcere da carcaça cujo espírito abriga, me dediquei especialmente ao símbolo da liberdade, até porque a inveja não se limitava só a liberdade de se morar na praça como aquela esfinge, mas no sonho de poder manter erguido o braço livremente e sem limitação dos movimentos, coisa que ainda não posso fazer, sem os recursos auxiliares da fisioterapia a quem estou recorrendo para retomar a postura para gestualmente expressar a liberdade, sem me preocupar com o cc nas axilas expostas, por bem entender a grandeza, abrangência e alcance de um gesto tão nobre e poderoso cuja império libertário há sempre que triunfar...
Ou você muda, ou é mudado.
Pediram-me para escrever coisas alegres, na hora ri com descrição.
Sou quase um documentarista, não sirvo para roteirista de ficção.
Psicografo o que é ditado pelo pulsar frenético do coração.
Mas agora é preciso atender a demanda que vem embalada com candura.
Em busca da felicidade me mudei para o presente, passado e futuro só a passeio.
Embora o existir pregresso tenha sido de dores, estou rindo a toa.
O passado recente foi de grandes decepções mesmo assim agora rio.
O agora será de plenitude, quem sabe até chore de alegria.
O futuro já se descortina promissor, nele haverá correção dos desapontamentos.
A dor dará lugar ao prazer com a instalação do novo chip G10 do amor.
Tem promessa confirmada, exorcista das amargas decepções.
Sorrindo estou, feliz quem sabe, sigo de olhos vendados cantando no chuveiro.
Mesmo diante de ataques profanos ei de professar a fé e a pureza do amor.
Se condenado for, gargalharei diante da infame guilhotina.
E a cabeça sem corpo rola feliz como bola de boliche depois do strike...
quinta-feira, 5 de setembro de 2019
Psicografia d'alma.
Mais um dia que se despede, saudades não deixa, mas para trás ainda fica o espolio de antagônicas emoções.
Os dias vão e vão, só vão nunca voltam, o seguinte será sempre um outro e novo dia.
E cada dia que passa, um é furtado, deixando um vazio na minha já minguada coleção.
São dias arrancados a forceps, sem anestesia e estranhamente sem resistência minha.
Tempo de pânico, me esforço para descartar, mas justamente estes insistem em martelar.
Dia sombrio e amargo que passa, esse passou por cima, atropelando-me a própria reputação.
Luta em vão, a cada partida, no horizonte sinto a parábola a me empurrar para o ponto zero da função.
A meta é lá chegar antes do entardecer pois o tempo não para, para que eu possa descer.
Com validade vencendo, descartado estou sendo, como aqui fui lá também o serei.
Ataques existem até preconceitos afloram, talvez eu esteja maluco, talvez todos o estejam.
Pode ser que eu precise de ajuda, quem sabe se a minha ajuda de ajuda precise também?
terça-feira, 3 de setembro de 2019
SLACKLINE
Para se manter em equilíbrio nem sempre é necessário plantar com fanatismo e histeria os dois joelhos no chão.
Nas adversidades as vezes basta um leve, sutil e ligeiro toque com apenas um dos joelhos ao solo como fazem os pilotos de moto velocidade nas curvas do circuito.
Deus não é surdo, portanto não grite, e nem sádico para querer sofrimento e ou sacrifício físico seu.
AMPUTADO
Uma parte de mim é vítima, a outra algoz.
Metade de mim é aço a outra areia movediça.
Muito de mim apanha, só uma pequena parte reage.
Metade de mim é planície a outra metade montanha.
Um pouco de mim é razão, o restante paixão.
Metade de mim é desejo e a outra tanto faz.
Há em mim virilidade que abunda, mas também celibato que resmunga.
Metade de mim é sorriso a outra carranca.
Punhaladas recebi no peito, agora me veio pelas costas.
Um pedaço de mim é vida o restante anseia a função zero da parábola.
Sou assim, as vezes não, não sei se me entende.
Metade de mim é amor, a outra metade também.
Muito de mim apanha, só uma pequena parte reage.
Metade de mim é planície a outra metade montanha.
Um pouco de mim é razão, o restante paixão.
Metade de mim é desejo e a outra tanto faz.
Há em mim virilidade que abunda, mas também celibato que resmunga.
Metade de mim é sorriso a outra carranca.
Punhaladas recebi no peito, agora me veio pelas costas.
Um pedaço de mim é vida o restante anseia a função zero da parábola.
Sou assim, as vezes não, não sei se me entende.
Metade de mim é amor, a outra metade também.
domingo, 1 de setembro de 2019
OSSO
E lá se foi o agosto.
Saudades não tenho.
Que venha setembro.
Para corrigir o desgosto.
Que agosto deixou...
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
PAIS SÃO ETERNOS
O dia dos pais lá em vêm.
O meu pai já se foi.
Vou abraçar o pai de quem?
Dia dos pais para quem pai não tem?
Este ano não abraçarei ninguém.
O braço está imóvel impossibilitado.
O coração muito me sangra dilacerado.
A providência divina é sabia e sempre provêm
Um braço inoperante o abraço não lhe convém.
Mas a candura e os afagos muito nos fazem bem.
Agora mesmo sem movimentos, boa mensagem advém.
É preciso que o físico subjaz para o espirito aflorar.
Assim sofro menos se não tenho pai material para abraçar.
No processo evolutivo ei de o conceito mudar
O braço que dá nome de batismo ao abraço é subsidiário.
Porque a essência do abraço deriva do genuíno amor de origem espiritual.
E assim descubro que espiritualmente é possível o meu amado pai abraçar.
A sua benção, o seu abraço meu pai...
Vou abraçar o pai de quem?
Dia dos pais para quem pai não tem?
Este ano não abraçarei ninguém.
O braço está imóvel impossibilitado.
O coração muito me sangra dilacerado.
A providência divina é sabia e sempre provêm
Um braço inoperante o abraço não lhe convém.
Mas a candura e os afagos muito nos fazem bem.
Agora mesmo sem movimentos, boa mensagem advém.
É preciso que o físico subjaz para o espirito aflorar.
Assim sofro menos se não tenho pai material para abraçar.
No processo evolutivo ei de o conceito mudar
O braço que dá nome de batismo ao abraço é subsidiário.
Porque a essência do abraço deriva do genuíno amor de origem espiritual.
E assim descubro que espiritualmente é possível o meu amado pai abraçar.
A sua benção, o seu abraço meu pai...
quarta-feira, 31 de julho de 2019
Diamantina Querida
Diamantina terra das pedras, das raras e preciosas, mas também das de Drumond no meio do caminho.
Diamantina de Juscelino, de Xica, de Franciscos, de Zé da Lapa, dos Coutos, de Barros e de Barrosos.
Diamantina anfitriã que de lá do alto do topo da serra, sob os brados da vesperata, recebe com honrarias todos os seus convidados.
Cidade das noites compridas, do luar prateado, do céu mais estrelado, das serestas da vós e violão.
Berço de JK e dos bêbados equilibristas que descem e sobem ladeiras, exalando cheiro do azedo bagaço de cana caiana.
Cidade dos becos estreitos com nome de gente e das sempre abertas tabernas de porão que oferta boa música pro doutor e a meretriz.
Abrigo do mercado velho, de velhos, etílicos e boêmios frequentadores.
Diamantina da pluralidade, do nobre toque dos sinos, do luxo do ouro, da palha e do genérico cigarro que faz viajantes sem passagem.
Hoje recebe o Governador, liso como o voo do condor que habita a torre da Catedral.
O Zema, não é de centro, nem de esquerda e nem de direita, de que é feito o Zema?
Diamantina vazia de vazios que se enche de beleza no cheio da lua quando gravita sobre as torres das catedrais.
E eu aqui, sem o que fazer só esperando e constatando um Estado morbidamente obeso que se recusa a bariátrica.
sábado, 13 de julho de 2019
Ciclo migratório
Passarinho voa e vai se aninhar em galhos de árvores biônicas de manejo.
O cicro migratório muda de acordo com as species e climáticas condições.
Aqui ainda pode ser o abrigo mutante da sua estação fértil.
Ha frutos proibidos e permitidos em todo o universo.
Se algum dia se se sentir solitário preso numa gaiola.
Não se acostume e nem cante simulando contentamento.Voe de volta para o seu velho galho do serrado, ou para novos e mais abastados biomas...
domingo, 23 de junho de 2019
VERDADES
A verdade é sonho sóbrio sonhado quase que unanimemente desde que não transite livre em via de mão dupla, normalmente ela é mais desejada fluente vindo ao nosso encontro, em pista de rolamento de sentido único.
Queremos a melhor verdade, aquela que nos alcance sem ruídos rudimentares, sem constrangimentos e outros gravames, porque a verdade as vezes fere de morte, então a encomenda deve nos apresentar de rosto limpo, pureza d'alma e selo de virgindade preferencialmente declarada no sacro santo confessionário, nessa pequena casa da "verdade."
Muitos exigem do interlocutor a verdade absoluta, por vezes tenta arrancá-la à força, ou procura obtê-la utilizando das habilidades de um estelionatário ou até da sutil destreza dos batedores de carteira, do tipo verdade roubada das criaturas mais ingênuas ou de pouca malícia.
A verdade é tão perseguida que legitimou um pleonasmo muito recorrente, por certo já ouviram falar da verdade verdadeira. Pois é, em busca dessa redundante e reafirmada verdade os inquisidores desenvolveram uma técnica largamente usada nos processos inquisitórios em que ao depoente só se era permitido responder aos questionamentos de maneira afirmativa ou negativa, isto é sim ou não. Parece-me que hoje em dia essa limitação dialética não agrada muito aos inquisidores contemporâneos, digo isto por experiência própria. Aqui na pousada, para facilitar as coisas, tenho uma mensagem padrão, com muitas informações sobre diversos aspectos do empreendimento, mesmo assim os meus inquisidores majoritariamente preferem formular os seus próprios quesitos, no que estão certos e devem mesmo fazê-lo para dirimir eventuais dúvidas, contudo sinto que as minhas respostas objetivas, não lhes agradam muito, vide um diálogo
de WhatsApp abaixo.
- É da pousada?
Sim, posso ajudar? Se for reserva e informações de valores, fotos, formatação da suíte etc a estou enviando agora para o seu conhecimento e avaliação.
- Tem quarto disponível?
Sim, suíte.
- Mas tem banheiro no quarto?
Sim, são suítes, portanto tem banheiro.
- E banheira tem no quarto?
Não.
- Preciso levar toalhas?
Não.
- E roupa de cama?
Não.
- Tem TV?
Sim.
- A pousada é no Serro?
Não, em Milho Verde.
- Quantos quilômetros têm daqui até ai?
Você esta aonde mesmo?
- Cidade X
Segue mapa, trajeto e quilometragem retirados do google.
- Mais é longe né?
Sim.
- A estrada é asfaltada?
Sim, se vir pelo Serro.
Parcialmente se vir por Diamantina.
- Como assim?
Por Diamantina ainda tem 15 KM de estrada de terra.
- E pelo Serro?
Não.
- As cachoeiras são na pousada?
Não.
- Mas não é Pousada Cachoeiras de Milho Verde?
Sim.
- Sim ou não, não entendi
Esse é o nome de fantasia da pousada.
- A cama é dura?
São camas box com mola.
- Mais é dura?
Alguns disseram que sim outros que não.
- Parece que você não quer responder?
? ? ?...
- "Ata" vou fazer mais orçamentos.
Ok. Sempre as ordens.
Vejam, ao que parece respostas diretas ainda que verdadeiras não frequentam a galeria dos desejos mais cobiçados das pessoas. Em que pese essa nossa genuína fascinação pela verdade, "verdade" é que as próprias convenções sociais ora nos fazem fornecedores, ora consumidores de verdades fatiadas, tais fragmentos são garimpados e amputados do contexto.
Por tudo que tenho visto, muito provavelmente a tal "verdade absoluta" nem exista mesmo, ou se existe é moeda de baixa circulação, o que temos em "verdade" são meias verdades, ou verdades condimentadas cujo tempero agregado dá novo aroma e sabor à matriz, ou ainda verdades maquiadas em que o batom altera a essência original, dentre muitas outras, são verdades personalizadas quase que uma para cada, criadas ao sabor das conveniências particulares.
O mais próximo da verdade que encontrei, está na íris, aprenda a linguagem corporal, notadamente dos olhos e terás algo próximo de uma verdade habilitada a passar pelo crivo e certificação de tradutor oficial juramentado. Porque todos têm a verdade genuína em si, uma joia preciosa intrínseca inegociável, mas na hora de expor a rica preciosidade, a verbalizam como se fosse uma viagem de serpente na aridez do deserto com o sol a pino é esse contorcionismo que, via de regra contamina a verdade de pacífica pureza tirando o brilho e valor da perola que não sai por inteiro da concha que a aprisiona.
Há verdadeiros contorcionistas da verbalização para sustentar a sua verdade personalíssima, são verdades que flertam e andam de mãos dadas com a omissão conveniente e a verdade instrumentalizada por curva dialética não passa de verdade periférica, um remédio genérico com efeito placebo.
Conheço quem diz a verdade, entretanto tomam por empréstimos a má formulação dos quesitos ou até mesmo da ignorância do seu interlocutor, e com base nessas falhas externas amoldam as suas verdades, se necessário, omitem detalhes como se abortassem um filho não desejado. São pessoas virtuosas, gente do bem, cobertas de boas intenções, têm o meu respeito e admiração, contudo tais verdades pacificadas não têm o alcance "erga omnes", nem a pureza e penetração da brisa que sopra do lajeado, aquela sim varre todo o ambiente por onde passa sem mitigar, não deixa nenhum espaço vazio sem a sua visitação, todos a recebe na mesma proporção, profundidade, alcance e renovado frescor originário.
Relativizar a verdade é flertar com a mentira...
Adélito 13/07/2019
terça-feira, 11 de junho de 2019
Véspera de 12/06.
Nessa madrugada abri os olhos e vi meia lua que pela sacada entrava.
Ela estava na horizontal na altura dos olhos que comigo deitaram no quarto andar.
A espiei até se enterrar pela metade no horizonte, porque ainda restando um quarto de lua viva virei na cama, enquanto os olhos protestavam querendo ver a finitude daquele astro agonizante.
Era lua ainda sem musculatura e forca romântica, sem o cavalo e o santo, na fase crescente, por isso sei que amanhã voltará ainda maior.
Pouco depois do mergulho da lua emergiu o sol e a escuridão se afastou incomodada com a luz, como fazem tantos outros cujo brilho os repelem.
O astro rei ao nascer parecia gigante mais foi diminuindo e me deixando de cabeça quente na medida em que subia.
A chuva não tem agenda rígida, às vezes vem, às vezes não, hoje não apareceu, pelo menos não por aqui na Rua São Paulo.
Eu vejo a lua, sinto o sol, a chuva, o amor e a dor, compreendo os fenômenos naturais e os seus efeitos no planeta, só estranho a mim mesmo, sinto os outros mas não a mim, talvez seja eu apenas um vulto borrado nas bordas do universo...
domingo, 3 de março de 2019
MORREMOS UM POUCO APOS CADA DESPEDIDA
Tenho receio da maldade insana oculta que ignoro.
Também me assusta o mau agouro que vem de fora.
Tento me defender e libertar da falta persistente.
A perspectiva de bem e de mal é incógnita abstrata.
As coisas nem sempre são conforme nos parece.
Muito me assombra o exame amiúde de consciência.
Existem sentimentos crônicos instalados por lá.
Há questões sob controlo e outras deletérias.
Sinto pluralidade de criaturas transitando nos pensamentos.
Muitas passageiras, outras mais minguadas, porém cativas.
A presença minha noutros, potencializa a existência doutros em mim.
O viril olhar intuitivo, me faz dispensar o espelho.
Me vejo nos olhares mais contemplativos.
Na vastidão dos pensamentos imaginativos.
Na intangibilidade de almas gemias que se atraem.
Na reciprocidade de pensamentos congênitos.
No estado febril de corpos que recusam antitérmicos.
Nos corações que pulsam e batem no ritmo do amor,
mas que apanham no embalo do mesmo sentimento.
No rosto intruso na estranha e profana foto natalícia.
Na dor de uma cova nova ainda sem mensagem jaz.
Muito nos falta no interregno vazio do dia a dia.
Muito nos sobra na fartura que abunda ao largo do tempo.
Me silencio diante do interrogatório entrometido.
Reprovo a hostilidade graciosa de ataques vis.
Incomoda-me um telefone mudo por opção.
Pai afaste esta dor, mande notícias donde estás.
Sussurro com amor cada lampejo de candura.
Que eu, todos e cada um em particular, encontremos
a dosimetria de um existir equilibrado de afeto e amor.







Muito nos falta no interregno vazio do dia a dia.
Muito nos sobra na fartura que abunda ao largo do tempo.
Me silencio diante do interrogatório entrometido.
Reprovo a hostilidade graciosa de ataques vis.
Incomoda-me um telefone mudo por opção.
Pai afaste esta dor, mande notícias donde estás.
Sussurro com amor cada lampejo de candura.
Que eu, todos e cada um em particular, encontremos
a dosimetria de um existir equilibrado de afeto e amor.






quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
O que é do homem a terra come, inclusive o homem.
Terra faminta de Milho Verde.
Que mais quereis tu de mim?
Se o próprio Pai lhe entreguei!
Piçarra de cobiçados diamantes escondidos.
Chão impiedoso que o meu tesouro abriga.
Tu não provará o gostinho da minha inerte carne.
De mim, talvez as cinzas disfarçará a sua acidez.
Nem o resto da cachaça do santo dar-te-ei.
Ilha jaz de terra fértil na aridez deste agreste mineiro.
Não vale a pena golpear-te com a enxada na cara.
O seu estéril útero seco só gera espinhoso cacto.
Ando descalço nas serras e cachoeiras, por lá encontro boas energias.
Em ti traiçoeira eu piso e a ti sem dó amasso na sola do velho coturno.
Foi o tempo em que eras toda florida,
os recém chegados ate dispensavam as coroas.
Hoje nem o pé de manacá de minha avó, mãe de pai existe mais.
Não sou de guardar rancor e muito menos ódio.
Sei que és maltratada pelo amargor dos que ficam.
Aqui estou para me melhorar e também aos arredores.
A ti darei uma prova de amor dessa nova comunhão.
Plantarei gramas e flores bem no canto do seu rincão.
Na sombra do jatobá, selo a paz e lhe estendo a mão.
Em breve a beleza e magia do passado iniciarei a reintegração.
Quem sabe a moda pega, e ao invés de blocos cinza de cimento.
Te vestimos com delicada grama e flores no look da estação.
Que mais quereis tu de mim?
Se o próprio Pai lhe entreguei!
Piçarra de cobiçados diamantes escondidos.
Chão impiedoso que o meu tesouro abriga.
Tu não provará o gostinho da minha inerte carne.
De mim, talvez as cinzas disfarçará a sua acidez.
Nem o resto da cachaça do santo dar-te-ei.
Ilha jaz de terra fértil na aridez deste agreste mineiro.
Não vale a pena golpear-te com a enxada na cara.
O seu estéril útero seco só gera espinhoso cacto.
Ando descalço nas serras e cachoeiras, por lá encontro boas energias.
Em ti traiçoeira eu piso e a ti sem dó amasso na sola do velho coturno.
Foi o tempo em que eras toda florida,
os recém chegados ate dispensavam as coroas.
Hoje nem o pé de manacá de minha avó, mãe de pai existe mais.
Não sou de guardar rancor e muito menos ódio.
Sei que és maltratada pelo amargor dos que ficam.
Aqui estou para me melhorar e também aos arredores.
A ti darei uma prova de amor dessa nova comunhão.
Plantarei gramas e flores bem no canto do seu rincão.
Na sombra do jatobá, selo a paz e lhe estendo a mão.
Em breve a beleza e magia do passado iniciarei a reintegração.
Quem sabe a moda pega, e ao invés de blocos cinza de cimento.
Te vestimos com delicada grama e flores no look da estação.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
Solitária Cela
Eu que já era introspectivo, agora depois de haver sido virado aos avessos por uma avalanche de sentimentos traumáticos e separatistas, tendentes a mudar o curso das práticas cotidianas, me comporto como um zumbi canibal que quer se alimentar da amada carne.
Soterrado nesse buraco negro universal, tento olhar o meu eu interior mas estranhamente, tudo parece tal qual dantes como se olhasse em um espelho, sinto que a minha essência se revela expressa e externa para todos do lado de fora de mim mesmo, mas não se coisifica com consistência sólida, pelo contrário, se apresenta como uma cortina de fumaça que desaparece com a mesma frequência e intensidade em que é roubada pelos pensamentos angustiantes.
O grande antagonismo é que não me sinto preso, mas também livre não estou, não abandonei ninguém e por ninguém fui abandonado. Creio que o movimento de rotação e translação da terra tem o condão de mudar tudo o tempo todo e no embalo desses movimentos, corpos retornam ao pó e almas vão e vêem, se aperfeiçoam e se sintonizam com a dinâmica do melhoramento espiritual.
O grande antagonismo é que não me sinto preso, mas também livre não estou, não abandonei ninguém e por ninguém fui abandonado. Creio que o movimento de rotação e translação da terra tem o condão de mudar tudo o tempo todo e no embalo desses movimentos, corpos retornam ao pó e almas vão e vêem, se aperfeiçoam e se sintonizam com a dinâmica do melhoramento espiritual.
Neste sentido, cada um tem a sua agenda, o seu alvará de soltura, o ideal é que aproveitemos a gaiola material do corpo, feito sob medida para que cada um melhore tendo a si mesmo como referência depuratória, que aperfeiçoe e passe com louvor em todas as provas e se graduem grandes e iluminados promotores do amor incondicional, em qualquer plano existencial em que se encontre. domingo, 24 de fevereiro de 2019
Órfão
Pai o senhor se foi
E eu não sei o que dizer
Doe muito a vida sem você
As idéias se confundem
Nem dá para escrever
O dia ficou triste
A noite insuportável
O rosário continua lindo
E os meus olhos se bloquearam para tudo que é belo
D. Flor veio em condolências me consolar
Abracei D. Flor de Maio
Senti o aroma do seu jardim pai
O cheiro afetivo seu e das suas flores me vieram
O senhor cultivou em todas as estações
Pai querido você plantou muito nessa vida
Semear o bem foi o seu ofício
Vai na paz, agora é hora de colher
Pai eu te peço a benção
Eu também vos abençoou leve a sua luz e o bom humor
E eu não sei o que dizer
Doe muito a vida sem você
As idéias se confundem
Nem dá para escrever
O dia ficou triste
A noite insuportável
O rosário continua lindo
E os meus olhos se bloquearam para tudo que é belo
D. Flor veio em condolências me consolar
Abracei D. Flor de Maio
Senti o aroma do seu jardim pai
O cheiro afetivo seu e das suas flores me vieram
O senhor cultivou em todas as estações
Pai querido você plantou muito nessa vida
Semear o bem foi o seu ofício
Vai na paz, agora é hora de colher
Pai eu te peço a benção
Eu também vos abençoou leve a sua luz e o bom humor
O plano espiritual se divertirá
Sinta-se liberto para poder seguir...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Abstrações
O gênero humano traz por excelência o DNA social, é, por conseguinte, constituído por seres racionais e sociáveis que se esforçam para viverem em grupos numa relação de parcerias e amabilidades.
Claro que para povoar esse grande universo hoje substancialmente habitado, e sem querer me aprofundar na cognição epistemológica, obviamente que o cruzamento entre fêmeas e machos humanos primitivos se impôs, sem os quais não haveria a perpetuação da genial espécie que com o tempo nos tornamos.
Na medida em que os humanos se desenvolviam também as suas relações foram ficando geometricamente mais complexas até chegar ao antagonismo filosófico contemporâneo em que as parcerias ganharam formatações pluralizadas, diversas da origem onde a conexão dos opostos dominavam os costumes e firmava os paradigmas.
Em que pese toda a metamorfose, contorcionismo e transformações sociais, o fracionamento do todo em grupos menores nunca mudou e, hoje paradoxalmente o maior grupo em termos quantitativos também é o menor e mais importante, em que duas pessoas se unem formando pares.
Tais parcerias têm sofrido com o desgaste da convivência ininterrupta e da quase unicidade no par, como que numa relação siamesa, confundindo a identidade pessoal de um e de outro. Essa relação de imperativo categórico religioso em que ambos se fundem numa só pessoa, como se isso fosse saudável para o individuou e para a relação.
Hoje o fracasso das parcerias reside nesse modelo que sacrifica a identidade, vilipendia a liberdade e aprisiona o espírito.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
O que vale a vale?
Para que serve a vale?
O que vale a vale¿
De que vive a vale?
Se é que vale, vale pra quem?
Um irmão morto por negligência vale?
A vale se vale da negligência e da impunidade.
Não há vida nos destrutivos vales da vale.
A vale fere a terra, envenena e a deixa agonizar.
Quem está sobe esse vale de lamas?
A vale e os seus gestores?
As autoridades fiscalizadoras?
Os podres poderes que liberaram a exploração?
Quem atestou seguridade da represa?
Quem mais se ferra com o ferro da vale?
Nessa pocilga promíscua, vale tudo.
Essa lama respinga em todos nós que deixamos de indignar pelas condutas desviantes em todos os setores, sejam públicos ou privados.
Será que vale a pena?
domingo, 13 de janeiro de 2019
Aborto
Egoisticamente achamos que os nossos projetos e ou problemas são maiores do que dos outros.
Na verdade as coisas são personalizadas e têm o carimbo individual e a justa medida da necessidade e capacidade de cada um nós.
Não conhecemos a vivência e nem a trajetória do outro, nem mesmo lembramo-nos do nosso passado remoto de outras encarnações.
De modo que não devemos pré-julgar, uma vez que ignoramos quase que na totalidade as dificuldades e os feitos pelos quais passaram os nossos irmãos de caminhada.
Vivemos socialmente em grupo numa relação de interdependência porque temos a missão de ajudarmos uns aos outros nesta jornada.
Então
onde e em que circunstancia nascemos é totalmente irrelevante, devemos amar o outro, sem regionalismo, porque somos galhos, folhas, flores e fruto de um mesmo tronco.
Por isso dentre as nossas muitas atitudes atentatória ao semelhante, o aborto intencional contraria a própria essência humana, porque é contraditório na origem.
Com boa conduta, esforço e trabalho conquistamos a oportunidade de renascer para realizar projetos, redimir, depurar imperfeiçoes e em consequência evoluir espiritualmente.
Ocorre que para esse renascimento escolhemos pessoas a quem confiamos a própria vida, pois iniciamos essa fase numa relação de total dependência desses escolhidos.
O abortado sofre o duro golpe do assassinado por quem mais confiara, perde a oportunidade de se realizar e evoluir, por outro lado quem praticou o aborto perde a condição de ser feliz e de se realizar na forma mais pura do amor, o amor de mãe.
sábado, 12 de janeiro de 2019
Obrigado Senhor
Um banho na queda da cachoeira
Uma conversa franca com o Criador
O corpo lava e leva toda a sujeira
A alma transborda o mais puro amor
Debaixo da cachoeira entrego em oração
Agradeço pelas conquistas e bênção desse lugar
Peço serenidade, sabedoria e pureza no coração
Para o irmão não julgar, mas saber com ele trocar de lugar
Pela cortina d’água o por do sol dali se via
Imbricada à natureza a luz divina reluzia
Um sentimento nobre no corpo ungia
Em meio à simplicidade a felicidade se fazia
Obrigado senhor por este e outros dias
Agradeço pela vida e as boas energias
Obrigado pelo provimento das necessidades
Muito grato por todas as oportunidades
Que assim seja sempre Amém.
Uma conversa franca com o Criador
O corpo lava e leva toda a sujeira
A alma transborda o mais puro amor
Debaixo da cachoeira entrego em oração
Agradeço pelas conquistas e bênção desse lugar
Peço serenidade, sabedoria e pureza no coração
Para o irmão não julgar, mas saber com ele trocar de lugar
Pela cortina d’água o por do sol dali se via
Imbricada à natureza a luz divina reluzia
Um sentimento nobre no corpo ungia
Em meio à simplicidade a felicidade se fazia
Obrigado senhor por este e outros dias
Agradeço pela vida e as boas energias
Obrigado pelo provimento das necessidades
Muito grato por todas as oportunidades
Que assim seja sempre Amém.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
Todo momento é único
Um dia comum se despedindo para ir brilhar do outro lado do mundo.
Uma noite qualquer chegando de mansinho e o seu lugar assumindo.
Igreja, campo santo e coqueiros compõem o cenário sombrio.
No cemitério a terra faminta se alimenta daquilo que mais aprecia.
A lua nova experimenta os primeiros passos e de perto vê o que a terra devora.
Treme, se desequilibra, apoia nos coqueiros e por sorte não chega ao chão.
Lá de cima bela e altaneira a lua canibal segue o seu destino.
Com grande volúpia alimenta as paixões e delas se alimenta.
Moral da história, paixões se não forem palatáveis sobre a terra, sob serão.


domingo, 6 de janeiro de 2019
MILHO VERDE EM FESTA
O Natal se foi, ficou o
sentimento solidário, também o ano virou, viramos juntos esperançosos de novos tempos
de honestidade e renovações. Agora é chegada a hora da monarquia de tríplice
coroa, com os Reis Magos, alegria e muita folia temperados a base de amizade, cantoria,
bebida e comida simples na beira do fogão a lenha na cozinha, daqui a pouco
esses estarão no retrovisor e um novo reinado virá, Sua alteza, Rei Momo, circo
nos dará no carnaval.
Em Milho Verde dos belos
relevos no horizonte, das montanhas faceiras de Minas, das entranhas de uma delas, como um
obstetra observo o nascer do Jequitinhonha, que desce ladeira abaixo serpenteando
o grande vale de pedras, tão preciosas quanto as suas cobiçadas amigas de vitrine
até encontrar com a grande água salgada que banha e interliga os continentes.
Os festejos nunca cessam
viver por aqui é festejar o próprio existir; é criar vínculo com as animais de
rua; se despedir do sol quando este se põe com um até breve e resolver
esperá-lo de volta para abraçá-lo no alto do rosário logo de manhãzinha; é
tirar as máscaras e se apresentar com a nudez genuína d'álma, é se fazer
representar na cor prata, nos diversos rincões mineiros através da lua cheia,
donde se entra por qualquer greta e até pela impermeável vidraça da janela, transpondo
barreiras e cortinas; é sentir compaixão pela morte da bezerra; lavar a própria
roupa e junto se lavar direto na fonte afluente do protagonista Jequitinhonha;
é colocar flores na cova funda de um desconhecido qualquer; é guiar o apetite
com a cachaça noviça que ainda goteja no bico de cobre do alambique; é orar em
todas as línguas e nas mais diversas religiões porque o criador sussurra aos
ouvidos daqui, que nunca preterirá as suas criaturas; é saber respeitar a
todos, anciões ou não; é sair desprevenido e ainda assim não perder a
oportunidade de um banho de cachoeira nos horários mais improváveis que o pudor
permitir; é não ter pressa, mesmo ciente de que a imperfeição pode não ser uma
inimiga; é levantar de madrugada sem proposito e ao erguer as vistas constatar
que este céu tem muito mais estrelas; é deixar o pensamento livre, ciente de
que ele não é um desertor e voltará; é ficar assim como criança a espera de
presente na noite de natal, de fixo olhar na estrada, espiando no alto do morro,
onde os faróis primeiro alumiam, a espera dos presentes que virão, pois pessoas
são os mais valiosos de todos; é subir a montanha e lá de cima compreender que
em maio a tanta grandeza, o contraste é a nossa pequenez...
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