Licença Creative Commons
Textos de Adélito Barroso Faria está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://adelitobf.blogspot.com.br/.

domingo, 3 de março de 2019

MORREMOS UM POUCO APOS CADA DESPEDIDA

Não gosto de raio-x, menos ainda das ressonâncias.
Esses aparelhos revelam coisas ruins escondidas em nós.
Tenho receio da maldade insana oculta que ignoro.
Também me assusta o mau agouro que vem de fora.
Tento me defender e libertar da falta persistente.
A perspectiva de bem e de mal é incógnita abstrata.
As coisas nem sempre são conforme nos parece.
Muito me assombra o exame amiúde de consciência.
Existem sentimentos crônicos instalados por lá.
Há questões sob controlo e outras deletérias.
Sinto pluralidade de criaturas transitando nos pensamentos.
Muitas passageiras, outras mais minguadas, porém cativas.
A presença minha noutros, potencializa a existência doutros em mim.
O viril olhar intuitivo, me faz dispensar o espelho.
Me vejo nos olhares mais contemplativos.
Na vastidão dos pensamentos imaginativos.
Na intangibilidade de almas gemias que se atraem.
Na reciprocidade de pensamentos congênitos.
No estado febril de corpos que recusam antitérmicos.
Nos corações que pulsam e batem no ritmo do amor,
mas que apanham no embalo do mesmo sentimento.
No rosto intruso na estranha e profana foto natalícia.
Na dor de uma cova nova ainda sem mensagem jaz.
Muito nos falta no interregno vazio do dia a dia.
Muito nos sobra na fartura que abunda ao largo do tempo.
Me silencio diante do interrogatório entrometido.
Reprovo a hostilidade graciosa de ataques vis.
Incomoda-me um telefone mudo por opção.
Pai afaste esta dor, mande notícias donde estás.
Sussurro com amor cada lampejo de candura.
Que eu, todos e cada um em particular, encontremos
a dosimetria de um existir equilibrado de afeto e amor.


































Nenhum comentário: