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domingo, 6 de janeiro de 2019

MILHO VERDE EM FESTA

O Natal se foi, ficou o sentimento solidário, também o ano virou, viramos juntos esperançosos de novos tempos de honestidade e renovações. Agora é chegada a hora da monarquia de tríplice coroa, com os Reis Magos, alegria e muita folia temperados a base de amizade, cantoria, bebida e comida simples na beira do fogão a lenha na cozinha, daqui a pouco esses estarão no retrovisor e um novo reinado virá, Sua alteza, Rei Momo, circo nos dará no carnaval.
Em Milho Verde dos belos relevos no horizonte, das montanhas faceiras  de Minas, das entranhas de uma delas, como um obstetra observo o nascer do Jequitinhonha, que desce ladeira abaixo serpenteando o grande vale de pedras, tão preciosas quanto as suas cobiçadas amigas de vitrine até encontrar com a grande água salgada que banha e interliga os continentes. 
Os festejos nunca cessam viver por aqui é festejar o próprio existir; é criar vínculo com as animais de rua; se despedir do sol quando este se põe com um até breve e resolver esperá-lo de volta para abraçá-lo no alto do rosário logo de manhãzinha; é tirar as máscaras e se apresentar com a nudez genuína d'álma, é se fazer representar na cor prata, nos diversos rincões mineiros através da lua cheia, donde se entra por qualquer greta e até pela impermeável vidraça da janela, transpondo barreiras e cortinas; é sentir compaixão pela morte da bezerra; lavar a própria roupa e junto se lavar direto na fonte afluente do protagonista Jequitinhonha; é colocar flores na cova funda de um desconhecido qualquer; é guiar o apetite com a cachaça noviça que ainda goteja no bico de cobre do alambique; é orar em todas as línguas e nas mais diversas religiões porque o criador sussurra aos ouvidos daqui, que nunca preterirá as suas criaturas; é saber respeitar a todos, anciões ou não; é sair desprevenido e ainda assim não perder a oportunidade de um banho de cachoeira nos horários mais improváveis que o pudor permitir; é não ter pressa, mesmo ciente de que a imperfeição pode não ser uma inimiga; é levantar de madrugada sem proposito e ao erguer as vistas constatar que este céu tem muito mais estrelas; é deixar o pensamento livre, ciente de que ele não é um desertor e voltará; é ficar assim como criança a espera de presente na noite de natal, de fixo olhar na estrada, espiando no alto do morro, onde os faróis primeiro alumiam, a espera dos presentes que virão, pois pessoas são os mais valiosos de todos; é subir a montanha e lá de cima compreender que em maio a tanta grandeza, o contraste é a nossa pequenez... 

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