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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Vento que leva é vento que traz

No que o vento sopra, sussurra poesia nos ouvidos da gente.
É vento extravagante que vem das montanhas do lajeado.
Assim partindo da nascente para a jusante apenas avalia a situação, mais chuva não trará.
Vertendo no rio abaixo, todas as janelas e cortinas são abertas, para revelar o belo horizonte que há donde o céu e a terra se encontram.
De noite, mesmo a olho nú, um desnudo céu estrelado em terceira dimensão nos oferta um tabuleiro de diamantes.
A lua passa baixinha e apetitosa como queijo do sêrro ao sabor dos mineiros.
Noutro norte, chegando das lajes donde nasci vem mais sisudo, ruidoso e de duvidoso humor.
Navegando contra as nervosas correntes do Jequitinhonha, transpira horrores e o suor em chuva se transforma.
Nestas ocasiões, sobe o rio com pincel e tintas nos tons cinza, com as quais pinta dinâmico e surreal quadro no céu.
O vento sopra em variados sentidos e nas diversas estações, por onde passa levanta poeira e recita poesia.
Cada estação tem os seus encantamentos e predileções poéticas. 
Aqui do alto, mais perto de Deus ele vem mais decantado como vinho tinto de boa safra.
Na aviação, pilotos observam o rumo das birutas para poder pousar contra o vento.
Aqui o biruta observa as folhas dos coqueiros do rosário para decolar a favor dele.
Lá e cá, o mais importante é o plano de voo para uma travessia sem turbulência.

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