Tem gente de fora na cidade.
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Gente bêbada e eufórica da
viagem.
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O povo daqui da vila nem liga.
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Eles falam alto, às vezes gritam.
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Vieram de longe e de muitos outros lugares.
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De bar em bar bebem e estranhas coisas fumam.
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Assim viajam, fumam e de novo viajam.
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Do lado de lá da rua um deles grita.
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Desconexos perguntam o que só eles sabem.
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De cá nada entendem, só acenos.
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Tentam comunicar e o dialogo não sai.
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Capricham, afinam a corda do entendimento e nada.
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Povinho obtuso que nada entendem!!!
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Gente mais besta que não sabe expressar!!!
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Textos de Adélito Barroso Faria está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://adelitobf.blogspot.com.br/.
sábado, 30 de dezembro de 2017
Meu Eu Fernando Pessoa
domingo, 24 de dezembro de 2017
PAI HERÓI
Pai hoje pela manhã quando acordei recebi no celular uma mensagem sua. Nela, patente o incômodo do senhor proveniente da falta de ar, e, por conseguinte do cansaço, podia se perceber as longas pausas, a fadiga e a fuga da voz ao final de cada palavra. Ali o senhor dizia que estava aos pouco se apagando.
A vida é assim mesmo meu Pai, lembre-se que o senhor é centelha divina, que, órfão de pai deste a mais tenra idade, teve que pular a etapa de criança e se ascender menino homem, com o peso e responsabilidades de adulto. Assim ajudou a minha muito estimada avó, Maria dos Anjos a criar os filhos, dentre eles, o senhor.
O sofrimento intenso, sempre lembrado, o roubo dos suprimentos daquele menino de nove anos que descalço deslocava 50 kms ida e volta, e, que dormindo ao relento teve as compras furtadas no meio da noite. Essa e muitas outras decepções, dificuldades e grandes perdas, nunca; nada disso foi capaz de te desviar do caminho da retidão, pelo contrário, forjou como se amolda o próprio aço, os melhores valores morais e éticos naquele menino homem.
De modo que, a luz do senhor deriva de outra muito maior, somos só um raio do holofote do Criador e o senhor meu Pai, é o farol que iluminou a nossa estrada, nos ajudando a todos e muita gente a enxergar e se locomover pelo bom caminho, sem desviar da busca constante pelo equilíbrio, harmonia e bem estar de todos os irmãos de caminhada.
Pai, vejo por ai muita gente procurando ao redor do mundo ídolos e heróis para contemplar, referendar, admirar e tentar seguir. Então descubro o quão privilegiado sou eu por não precisar sair de casa, pois o senhor é a minha maior referência, o meu grande herói.
Portanto Pai, a luz do senhor não está se apagando como disse, lembre-se que a vida é passageira a existência é eterna, na verdade o nosso brilho existencial só aumenta na medida em que vamos crescendo e evoluindo espiritualmente. Chega um momento em que a nossa luz é tão intensa que passa a ser desperdício consumir essa energia cristalizada, purificada no filtro do tempo vivido nas “rasteirices” terrenas, então somos escolhidos para novas e mais nobres missões à altura da nossa grandeza e brilho.
ENTÃO É NATAL
Perto da meia noite um simpático velhinho bateu à porta de casa.
Não aparentava ser andarilho, nem tinha jeito de gente sem posse.
Chegou sorrateiro, trazia no rosto semblante amigável e sorridente.
Seria ele um maluco ancião? Só de cuecas, óculos e extravagante peruca àquelas horas?
Quem é o senhor e o que fazes aqui assim tão descomposto, lhe perguntei.
Sou o Papai Noel em pessoa meu filho, vim trazer uns presentinhos para você e família.
Deixa de ser besta, vou lhe chamar a polícia por atentado público ao pudor.
Chame mesmo filho, eu mesmo ia fazer, mas levaram também o meu celular...
BRASIL. ORDEM E PROGRESSO...
sábado, 23 de dezembro de 2017
TINGA DOS ANIMAIS, O MELHOR AMIGO
Enquanto no lago o cachorro nada.
De longe me apago, sem fazer nada.
O meu pensamento é doutro lugar e vaga.
Não sou daqui, sou das montanhas do lado de lá.
Nas alturas, livres transitam os pensamentos.
O cão não pensa ele corre, come, late e nada.
Já eu penso coisas que vão dar em nada...
GRATIDÃO
Acordo assustado com o barulho da chuva torrencial, que lá fora cai e escorre pelo chão.
Levanto correndo, fecho as janelas e portas das sacadas, só não acudo o corrimão.
Perco o sono e contrariado inicio alguns pensamentos negativos de pura reclamação.
Anjos se aproximam, sussurram nos meus ouvidos e atingem o coração, uma janela em mim se abre para grande reflexão.
Como pode a criatura reclamar, se ainda ontem por chuva implorava, para o clima amenizar?
Também espaço para desgosto não pode haver, por parte de quem tem bom teto pra morar, viver e comemorar.
Menos ainda quando o teto é cobertura duplex, teto sobre teto e acima de todos os outros vizinhos tetos.
Seria muita ingratidão, mal querência de quem, o privilégio ainda tem de no alto morar, sem se se preocupar com portas e janelas abertas por onde ladrões não podem entrar.
Ambiente seguro de conforto e certo luxo, pedido de chuva ”delivery”, entregue em domicílio no aconchego do lar.
Só posso com fé e devoção agradecer, pois nem sei se fiz por tanto merecer.
Muito agradecido, o sono me foi devolvido e então antes de adormecer pra vocês eu vou dizer:
Abençoado seja o Senhor...
Glória a Deus...
Glória a Deus...
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Dumbos da Modernidade
Vejo
coisas estranhas, algumas me chamam atenção, umas assustam outras não.
Hoje vi
uma moça com elefantíase, era jovem, parecia normal até então.
Mais
amiúde olhei-a dos pés à cabeça, eram pés normais bem postados no chão.
Tinha
pernas longas, bem definidas, sem inchaços, corpo esculpido do tipo violão.
Parei no
seu olhar, olhos negros belos olhos, dois mensageiros de forte expressão.
Não
queria desviar daquele enigmático olhar, mas um ponto chamou-me a atenção.
As
orelhas, que orelhas, pareciam emprestadas de elefantes, não cabiam numa mão.
Há por ai
uma espécie nova de Dumbos, uma grande manada em voluntária mutação.
Se assim
tivesse nascido, seria anormal, para reconstituir só uma cirurgia de correção.
Mas eram
humanas como Deus nos concede, foi do esticador a tal da intervenção.
Orelhas
nos ajudam a escutar, ouve bem quem respeite da sua a original dimensão.
Vejo
coisas estranhas, algumas me chamam atenção, umas assustam outras não.
UM DEDO DE PROSA (in memoria Sr. Geraldo)
UM DEDO DE PROSA é a reconstituição de uma minha passagem pela comunidade do Ausente quando lá estive com um amigo, um dos espíritos mais iluminados que conheci, Sr. Geraldo.
Sr. Geraldo trabalhou na construção da Pousada desde a fundação, nos tornamos amigos. Ele fez o que sempre fazia, de repente sumiu, foi atender a um chamado, ele era assim, extremamente prestativo, não costumava deixar ninguém esperando, nem nós reles comuns, imagina então um chamado de Deus, ele partiu prematura e imediatamente, nem de mim se despediu, mas quando eu for convocado também sairei "à francesa."
‘Vamo’ chegar ‘prum’ dedo de prosa e um cafezinho 'margoso', disse aquele alto senhor, fisicamente fino, fino como também o era na conduta comportamental. Pessoa simples e humilde, de largo sorriso, largo e revelador, pois quando abria a boca exibia a grande falha por falta dos dentes da frente, a sua dentição começava com as duas grandes presas, brancas como pingos de leite, cada uma de um lado. Se em um busto colorido na praça principal, àquele sorriso fácil lembraria as traves verticais do gol de futebol de botão.
_ Outra hora amigo, hoje estou apertado de costura, tenho que fazer as correrias do dia a dia e não me tem sobrado tempo para nada.
Não seja por isso, emendou aquele bondoso senhor, posso ajudar se assim for do vosso agrado.
_ Agradeço ao amigo, mas certamente o senhor também tem as suas correrias, coisas da vida moderna em que o dia nos parece cada vez menor para o tanto de obrigação que pela frente temos. Nesta apertada vida da gente, são muitas coisas a desembaraçar, mesmo sendo defeso, matamos um leão por dia.
Tem razão o amigo, é deveras, o dia tá mesmo minguado, mas hoje ‘tô’ de boa, quase à toa, só besteirinhas corriqueiras de casa mesmo pra despachar, nada de sangria desatada que não possa dilatar e esperar um pouco. "É como diz o outro", só tratar dos animais, chegar terra no feijão, passar a 'foche' nuns pés de mamonas, pô o umbigo de banana pra 'frevê', pegar água na fonte, buscar um feixe de lenha que esse aqui tá acabando, trazer um prato de fubá do moinho, coisa rápida um pé lá outro cá, esparramar o café pra secar no terreiro, bater e soprar umas vagens, cortar as ramas de mandioca e enterrar a 'manaíba', dar um pulinho no comercio pra levar abóboras e mandiocas, fazer compras e trazer os mantimentos da semana, remendar os pedaços de cerca de arame farpado e campear uma besta arisca, que não põe os pés no terreiro de casa já vai pra mais de mês.
Matutando aqui com os meus botões a respeito dessa passagem, a lição tirada é que essa gente tida como boba do interior é muito sábia, pratica a solidariedade, fidalguia e generosidade por princípio, é produtiva sem afobação por costume, acredita e confia com fervorosa fé, como mantra, solidariza e se move em beneficio de outrem por convicção, fideliza com seus princípios sem recriminar quem pensa diferente. Esse povo do mato carrega consigo a magia da presença divina, dinâmica e ativa na essência do seu ser, ou seja, está habilitado ao titulo de se conduzir como imagem e semelhança do Criador...
Que Deus o tenha Seu Geraldo
Adélito/Dez/2017
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
BRAÇOS QUE SE ABRAÇAM
O local em que o abraço acontece é a tela virgem que se oferece à obra, que,
por sua vez, lhe retribui a fidalguia com a magnitude da unicidade de um quadro
cobiçado.
No passado, eu gostava muito dos abraços na estação ferroviária,
cheirava a churrasco e fuligem do carvão de maria...
Um abraço em meio a ferrovia, de fundo a legendária “engenhoca a vapor”,
nela, o clássico maquinista, um ser adiposamente revestido, com o seu quepe
cinza tradicional e sujo, metade do corpo fora da janela. Uma pintura dessa atiça
a imaginação.
Na sequência pulei para os abraços de rodoviária, nem tanto pelo cheiro
do diesel dos ônibus ou da fumaça do óleo vencido dos pastéis na cozinha da
melada parede do bar, mas, sobretudo pela extravagância dos trajes e a briga de
cores dos looks, na justa medida dos dois números pra menos ou no esparramado
relaxamento dos dois números a mais, nunca na medida certa.
Um abraço apertado no meio da multidão, no entorno, guichês
perfilados, ônibus enfileirados, cambistas da loteria oficial que se junta a
jogadores clandestinos do ilícito jogo das tampinhas, estes, com os seus olhos
esbugalhados a vigiar a polícia, quando os vigiados deveriam ser eles, não
aqueles. Isso sim é quadro para frequentar as melhores galerias ao redor do
mundo.
Depois migrei para o abraço de aeroporto, o bom perfume aéreo misturado
ao cheiro do querosene de aviação dava o tempero e excitação adicionais,
típicos das obras de belas artes.
Um abraço em meio à garoa do inverno, de fundo no pátio, aviões
taxiando, ao lado da torre de controle camuflada na fumaça da estação, luzes
vermelhas piscando, sem contudo anunciar o obsceno. Isso é obra que liberta o
espírito e beija a alma da gente.
Mais recentemente estendi o olhar aos abraços do porto, me pareceram
mais consistentes de afeto, são abraços cujo pano de fundo é o mar e navios transatlânticos
de cruzeiros marítimos, o que por si só já justifica o quadro. Por outro lado,
há ali um mix do cheiro forte da maresia, peixe podre e esgoto a céu aberto.
O abraço desse quadro é altamente enigmático e fará muito sucesso, uma
vez que registra o antagonismo de uma paisagem exuberante de fundo e ao invés
das tradicionais gaivotas, o revés dos abutres no sobrevoou da orla. Os
protagonistas, em preto e branco abraçados, de rostos também abraçados por máscaras
que os mantém hábeis ao abraço, contudo, como os urubus, impedidos da progressão
preliminar para chegar ao beijo.
Hoje pouco importo com a tela, passei a valorizar o abraço por si só, é
ele autossuficiente e a sua essência está nos braços entrelaçados e no coração
dos doadores...
O abraço, mais do que o beijo é obra cara e abençoada, na dose certa cura
e ou ameniza todos os males, quando duas pessoas se abraçam destramelam uma
janela no Céu, donde desce um facho de energia fluídica, divina e transmutável,
que é absolvida pelos que se abraçam, os harmonizando, equilibrando,
fortalecendo e os habilitando a propagar no seu ambiente de convívio o bem
estar aos irmãos de caminhada. É nesse ponto que deixamos de ser uma tela em
branco, sem expressão e nos tornamos o próprio pincel nas mãos Santas do
Criador.
domingo, 17 de dezembro de 2017
MENINO DO CAMPO

Tempos bons aqueles, quando ainda não conhecia a tal preocupação, subia no pé de jabuticabas e lá ficava por horas e horas a fio.
Gostava daquelas nas pontas dos galhos, pois tinham as cascas mais finas, eram mais doces e graúdas.
A confiança na madeira era impressionante, pendurava e gangorreava de um lado para o outro naqueles ramos finos, como um verdadeiro primata.
Pau de jabuticabeiras é igual aos ensinamentos do grande Jigoro Kano, enverga mais nunca quebra.
Assegurado pela tese do mestre fundador do judô, ali permanecia me equilibrando nas extremidades daqueles gravetos.
Lá de cima ouvia o grito de mãe: "o cumê tá pronto, vem logo senão dou pra cachorra". Dali de cima eu podia ver a porta da cozinha aberta, as labaredas do fogo aceso e as panelas de ferro fumegantes, encarrilhadas sobre o fogão a lenha.
Pela janela da dispensa era possível verificar a branquidão dos queijos no tabuleiro de meia cura, ao lado de uma manta de carne de sol dependurada no caibro do telhado.
No sótão forrado por esteira de taquaral, cachos de bananas nas mais variadas cores e nos diversos estágios de maturação.
Tudo isso ao alcance dos olhos e sob a miragem curiosa de uma criança que se punha a espiar de fora pra dentro por entremeio às galhadas do pé jabuticabas.
No quintal os irmãos se desafiavam para ver quem conseguiria percorrer número maior de árvores frutíferas sem tocar com os pés no chão, assim fazíamos uma verdadeira viagem aérea.
As jabuticabas eram as preferidas, do seu pé eu pulava para a mangueira e desta para a laranjeira onde sempre tomava uma injeção acidental com os espinhos pontiagudos.
Na mesma sequência ainda visitava umas cinco ou seis espécies cuja importância residia mais na diversão do acesso aéreo pelos troncos do que a oferta de frutas propriamente.
Por sorte, a maior parte das árvores quando verdes mais vergam do que quebram, porém, algumas são de elasticidade acima da média, a jabuticabeira é uma delas, mas nada que se compara a vara de marmelo, posso asseverar com conhecimento de causa.
Vara de marmelo era uma espécie clássica de cassetete supersônico dos pais, aquilo cortava o ar como um caça de guerra, achava e golpeava a minguada anatomia juvenil, era ao mesmo tempo acolhedora, pois abraçava a pequena carcaça esculpindo-lhe tatuagens de linhas retas, formando verdadeiras figuras geométricas em alto relevo no lombo arteiro.
O grande paradoxo é que a mesma flexibilidade que nos garantiam brincadeiras seguras sobre as árvores, evitando quebras e quedas, é a mesma com a qual éramos castigados quando das peraltices.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
GARIMPANDO TUMORES
Há também coisas ruins que o melhor seria confinar num cofre lacrado e descartar na órbita o fino lixo espacial.
A bondade é como submarino, navega em águas profunda, raramente é vista e quando percebida, ocorre se o risco de não ser apreciada.
Já os defeitos saltam pra fora da gente como peixes na piracema, tão ostensivos que se pode fotografá-los em terceira dimensão.
Por outro lado, a benignidade costuma ser vitima da malvadeza, essa, mata o bem, por dele conhecer a força.
Contudo, o mal mesmo no caso de numericamente superior, não tem a grandeza e alcance do bem, se encolhe e se dissipa diante daquele.
A supremacia das boas coisas no interior humano é tão grande e desproporcional, que inventamos a PET Scan, uma máquina de tecnologia de ponta cuja finalidade, se presta única e exclusivamente para encontrar coisas ruins.
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
UM MOINHO NA CACHOEIRA

Na cachoeira do moinho têm belezas exuberantes.
É cascata que rola numa bela escadaria de pedra.
O poço negro, contrasta com o verde oliva da vegetação.
D'água, o fino sereno quebra na serra, sobe e junta-se a fumaça do "maluco beleza."
A névoa híbrida ornamenta e contorna a emblemática fábrica de fubá.
No poço de cima, peixinhos promovem as modernidades da podologia.
Com olhos esbugalhados, espiam e até beliscam as intimidades debaixo d'água.
Integrado ao ambiente, o moinho se impõe e invade os registros fotográficos.
Do empréstimo da água da cachoeira, produz a sua energia cinética.
Se apresenta e pousa para todos, mas a poucos revela sua intimidade.
Assim, quando alguns vão com o milho, outros voltam com o fubá.
Eu vi a dança quase obscena das pedras, os grãos penetrarem o ventre, a vibração ritmada e o clímax da ejaculação do amido por consequência.
Eu vi a dança quase obscena das pedras, os grãos penetrarem o ventre, a vibração ritmada e o clímax da ejaculação do amido por consequência.
Doutra relação vi suor, gemidos e o cheiro de arruda dum parto normal.
Desprevenida, a jovem mulher disfarça sua dor, com canja de galinha caipira, angu e ora-por-nóbis.
Enquanto pintinhos órfãos e famintos, ciscam e piam no terreiro...
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
F O R M U L A
Passei as duas metades dessa noite no subterrâneo laboratório
dos experimentos da bem aventurança terrena e da consagração amorosa.
Estou testando um novo e revolucionário tipo de amor, em que
o sentimento diferencie da até então clássica, porém ultrapassada forma de
amar.
Por enquanto não posso adiantar muita coisa, o novo amor
esta na forma e na mente fértil do idealizador, na lembrança participativa
das cobaias, porém, ainda não foi patenteado.
Falo baixo e sem alarde porque circulam livres e soltos por
aí muitos ladrões do velho amor, não quero que o novo seja roubado antes do
registro autoral.
Muito reservadamente posso adiantar apenas que os primeiros
experimentos tem se mostrado grandemente promissores.
Teremos shows segmentados e pirotecnias de toda sorte quando
do lançamento, algo que atenda ao exigente publico científico.
A estimativa é de que o novo amor se fará majoritário no
mercado, já na primeira semana alcançará a totalidade dos amantes clandestinos.
Dentro de um ano, apenas uma meia dúzia de conservadores se
manterão na decrépita e anacrônica forma de amar.
Testes com ratos de laboratório, têm se mostrado bastante
exitosos, ao provar do novo, repelem o velho, o que nos deixa bastante
otimistas.
Orangotangos usados nos testes demonstraram comportamento de
cavalheirismo, afeto acima da média e atitude amorosa para com camundongos que
tomaram do mesmo extrato cataplasmático de cactos.
O retardo do novo pode decorrer das ações postuladas por produtores de telenovelas, cinema pastelão, poetas, cantores e compositores do velho estilo, que propositadamente querem impedir o avanço da pesquisa.
O retardo do novo pode decorrer das ações postuladas por produtores de telenovelas, cinema pastelão, poetas, cantores e compositores do velho estilo, que propositadamente querem impedir o avanço da pesquisa.
Não vejo chances de que tais ações prosperem, conheço bem a
corte maior e confio no instinto auto preservacionista dos onze cavaleiros
negros.
Os ratos de teste estão produzindo cinco vezes mais melanina
e vinte vezes mais endorfina, e quando os ratos estão felizes, de tudo fazem
para inalterar a supremacia do status quo.
Entendo e concordo com o critico sobre uma crônica inacabada,
todavia me valho do direito de permanecer calado, beberei do extrato da flor de cactos, para ver se concordo com essa critica...
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
A VIRADA
Fim de ano e é aquele frenesi, muitas e extravagantes
festas rolando para todo lado.
Comemorações pipocam como milho de micro-ondas, em meio a
caras pintadas sorridentes que buscam simetria selfiniana.
Viva a festa e a alegria generalizada, a convenção
assim se impõe, “cara da riqueza” num farto pasto cheio de bestialidades.
Na casa feliz, a tristeza mora de favor, espreita sutilezas
por detrás das cortinas e a noite desce ao porão donde chicoteia
esculturas de Michelangelo.
Este ano, o meu sorriso de molares não restaurados, deixou
de receber o convite para a festa da virada.
Procurei e não vi nem o sorriso forçado e menos ainda o autorretrato
refletido no grande espelho do salão principal.
Havia bebidas e alimentos para todos, menos ‘veganices’, a
hóstia consagrada e o vinho canônico para saciar minha inanição.
Por outro lado, em minha chuteira tem um prego fora da
ordem, ele ataca o calcanhar, não meu, de Aquiles, e o manco é incapaz das
alegrias, não faz gol.
Na recepção havia uma fonte luminosa, talheres de prata,
xícaras de porcelana foleadas, no chão, uma casca de banana, não a vi, me
disseram, gosto de emoção, por isso, da banana nunca evito a casca.
Moscas desrespeitam aquela gente sorridente e fogem das
bocas abertas assim como no filme “a espera de um milagre”. Por um milagre, eu
cá é que não vou esperar...
Ano carente de chuva, termoelétricas ligadas, bandeira do
Inter na segundona e apagão. Em vão, para não ser pisoteado, tento me levantar
no meio da multidão, de pé, ratos e baratas correm sem sucesso para também
evitar pés inimigos.
O primeiro e o segundo rojão sobem, sobem e sobem, somem
fora da órbita, não explodem e se recusam de “dar luz,” parecem também não
estar para festas.
Ainda sem me recompor, a contagem regressiva se inicia
10...9...8...7...6...5...4...3...2...1...0...
O árbitro levanta o braço do vencedor e o vencido perde a
gloria, a luta, o troféu, mas sobretudo, deixa o sonho da conquista...
Em meio as roupas brancas manchadas de vinho tinto, o
estouro rouco do champanhe. É festança em homenagem à morte do velho.
VIVA O NOVO...
VIVA O NOVO...
Viva o ano que se inicia.
domingo, 3 de dezembro de 2017
NO COMEÇO
O menino chegou ao quartel
Queria ele se alistar e servir
Queria ele se alistar e servir
Assentar praça, buscar uma
colocação
Não pode ser só serve se de maior o
for
A pequenez só era de escolaridade e estatura, não na idade
A corneta tocou ao longe, todos correram
O menino também e na frente dos outros ele chegou
Virou policial pela agilidade e ligeira carreira
Era velocista, mas só lhe sobrava o gol
Policial tem que servir, se não servir, não serve
Os gritos no meio da noite o incomodavam
Já o silêncio dos inocentes falava-lhe alto
O menino foi baleado e prontamente revidou
O homem desabou, o menino deu três passos e caiu
O homem nunca mais se levantou
O menino levantou homem...
A pequenez só era de escolaridade e estatura, não na idade
A corneta tocou ao longe, todos correram
O menino também e na frente dos outros ele chegou
Virou policial pela agilidade e ligeira carreira
Era velocista, mas só lhe sobrava o gol
Policial tem que servir, se não servir, não serve
Os gritos no meio da noite o incomodavam
Já o silêncio dos inocentes falava-lhe alto
O menino foi baleado e prontamente revidou
O homem desabou, o menino deu três passos e caiu
O homem nunca mais se levantou
O menino levantou homem...
MEIA NOITE INTEIRA
Quero dormir meia noite inteira
Sem nada sonhar, só sono, puro e só
Não posso correr riscos, sonhos
flertam com o travesso
Na segunda metade da noite, dormindo
ou acordado, quero pudor
O mesmo de Perpétua, irmã de Tiêta, do
Jorge Amado
Um pudor malicioso, absceno de virilidade muscular
Um pudor malicioso, absceno de virilidade muscular
Não com a ingenuidade dos
animais que só copula no cio
Quero aquele com a voracidade e
volúpia humana
Com personalidade, força e identidade própria
Em que a razão faz contar nos dedos o período fértil
Com personalidade, força e identidade própria
Em que a razão faz contar nos dedos o período fértil
Os membros inapropriados tira dos
animais o poder da manipulação
Enquanto a emoção regozija a nobreza intangível virtual
No final, quando do picadeiro as cortinas se fecham
Os aplausos são pelo cheiro forte de suor e do sêmen fresco que ainda pinga...
No final, quando do picadeiro as cortinas se fecham
Os aplausos são pelo cheiro forte de suor e do sêmen fresco que ainda pinga...
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