Não se trata simplesmente de uma vida vegetativa.
Vegetal cresce próspera, lança galhos, espalha ramas e florece.
Trata-se de um corpo sem movimentos que padece, cuja única expressão facial é suor e dor.
Um espírito prisioneiro incapaz de se revelar pela inexistência de consciência.
Um velório contínuo de dias e dias, noites e noites de muita dor, angústia e amargor.
Uma massa que não pode ser enterrada, embora já apresente alguma rigidez cadavérica.
Sonho com uma missa, um culto, feitiço ou macumba que te levante e faça correr.
Frequentemente choro, nem precisaria ser por vós que amo, choraria por uma gaivota se nas mesmas condições de ti.

Textos de Adélito Barroso Faria está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://adelitobf.blogspot.com.br/.
domingo, 29 de novembro de 2020
A ESPERA
domingo, 18 de outubro de 2020
UM MÊS
Cúmplice, ajudei-na a se trocar e a deitar na maca.
Como Judas, dela me despedi com um beijo na testa.
Foram dez horas, muito tempo e trabalho para um anúncio cruel.
Ela escolheu os melhores profissionais e a estrutura referência.
Em tese a melhor opção para o mais lúgubre resultado.
Hoje sobrevive a custa de remédios e aparelhos mecânizados.
Não escuta, vê, fala, nem acorda, só lhe restou um olhar assustado.
Já eu ouço o que não quero, porém a surdez não me apraz.
Vejo o que não convém, pois a cegueira que há em mim muito me basta.
Falo e assim machuco o coração de quem deveria amar.
Só que a mim ninguém ajuda a respirar, pensar, dormir ou cantar.
Quero o incomodo de um aparelho vil cuja dor me faça desamar.
Não desejo alzheimer, mas apenas uma máquina do esquecimento.
Sonho com o retorno do sono dos justos, sem nunca ter sido.
Fortalecer a alma? Não! Os glúteos pois passo as noites assentado.
Daqui prá frente vou ser diferente, não sei se quero ser gente.
Prefiro enfrentar os maus, porque os benignos são de matar.
Estou carente do narcisismo, de me encarar no espelho e alto elogiar.
Há trinta dias que não me vejo e muito mais que não me encontro.
Tá lá uma bactéria assassina aproveitando da frágil criatura.
Eu sem paramentar a cutuco, mas a covarde não enfrente mal maior.
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
Por onde andas?
Me aproximo e o coração palpita.
Seguro a tua mão e você nem aí.
Te olho nos olhos e eles fechados, apenas uma lágrima no direito.
Perguntas lhe faço e respostas não veem.
Não faz sentido, os seus sentidos não sentirem.
Tem lua nascendo lá fora e ai dentro nada.
O sol vai e volta e sua quietude me sacode.
Sei que tem bom coração, vejo passando na tv.
Apitos me incomodam, agora apavoram.
A vida zigzagueia no monitor ao lado.
Há buracos e mangueiras prá todo lado.
No externo da cabeça costuras, por dentro, uma incógnita.
Em casa todos em coma, nós com a desvantagem da consciência.
Ninguém desentende, já eu sei que nada sei.
Até que em fim, procuro e não encontro a lógica.
Na minha lógica, a lógica nasce do outro lado da vida.
O cactus floriu, você não o viu, ele não espera quem dorme.
Quanta ironia, você não acorda e eu não durmo.
terça-feira, 30 de junho de 2020
Sinistro dia.
Sem sol, sem sal, só o frio em visita solene ao povoado.
Tudo em volta revelava o lado sombrio da currutela.
Brilho não se via nos diversos e variados tons de cinza.
Pelas ruas apenas algumas galinhas de pescoço pelado, e chuva fina.
Nas cinzas das fugueiras de festas passadas, dormiam raquíticos vira latas.
Bovinos ruminavam fumaça, pareciam fumantes da erva proibida.
Cavalos estáticos com a bunda virada pro vento frio, fingiam se de estátuas.
Os coqueiros do rosário entrelaçavam suas folhas ao ritmo do vento fúnebre.
Os meninos não saíram para brincar, o tempo inóspito também os puniam.
Uma máscara de chita floral rolava pela rua, presa a um carotinho vazio.
Na venda uma porta entreaberta e um estrado mijado impedia o acesso.
Lá dentro, cachaça com cobra dentro e um copo sujo, com a borda enfeitada de vivas moscas.
A velha pipa quase nua se debatia presa no alto da torre, a espera de um resgate.
Do outro lado da linha, a esperança de que dias melhores virão e a lindeza por aqui apareça.
quinta-feira, 25 de junho de 2020
Alto estima em baixa
Nos últimos tempos fui sistemáticamente atacado por piratas saqueadores da felicidade.
No momento estou substituindo o velho e avariado casco de aço da autoestima por outro de fibra de carbono, mais moderno, leve e resistente.
Em breve saio do estaleiro para uma navegação segura sob a bandeira da alegria genuína e do tradicional sorriso sincero estampado no rosto.
Reencontrarei os saqueadores, contudo em contra partida, os retribuirei com candura e bambúrrio que lhes abunda.
E assim de porto em porto navegando eu vou, até que um dia chegue a Pasárgada ou quem sabe Persépolis, Ecbátana, Masasa... etc.
sábado, 20 de junho de 2020
sexta-feira, 12 de junho de 2020
Catarse
Não é, mas bem que poderia.
Bom seria uma unicidade dupla.
Bem minimalista, dois em um.
Uma mistura heterogênea de convergências múltiplas.
Dois corações que pulsam no impulso mas não se entrelaçam.
Almas siamesas, separadas nos detalhes dos entalhes.
Pensamentos que buscam um ao outro mesmo quando vagantes.
Sentimentos navegantes que se encontram no meio do caminho, um indo e o outro vindo.
Que cruel acidente é esse que nos mutila e nos arremessa para longe?
Os meus sentidos não fazem sentido, se não lhe tem no radar.
Hoje só hoje, me realizaria estar com você:
Ver o seu rosto de olheiras, livre de corretores.
Para mim, lindeza não se altera nem se corrige.
Sentir a pureza do seu cheiro, sem interferência de perfumes.
A sua essência aromática natural converte poderes cujo o frasco não faz.
Tocar a sua pele macia, sem o revestimento fashion dos trapilhos.
Ouvir o sussurro da voz, mas também entender o silêncio d'alma.
Te submeter ao quinto sentido, pois sei o quão pode ser palatável.
Suas crenças herméticas não diverge do sonho acordado.
Esse seu olhar transmuta e revitaliza, conduz um decrépito ao renascimento.
Ainda que efêmero, tem um sorriso que eterniza e se faz perene.
Mesmo diante de toda evidência, a dúvida de quem duvida persiste.
Por quê?
domingo, 7 de junho de 2020
A magia de uma estrela.
O morador em situação de rua, tomou o último golo da garrafa de álcool que havia ganhado do policial para fazer a assepsia das mãos pois vivia tempos assombrosos do covid-19, ajeitou o biombo de papelão, fez a sua prece rotineira, puxou para cima de si o velho jornal de classificados.
Embora bem agasalhado pelo efeito etílico demorou a pegar no sono, uma vez que o frio congelante o assolava.
Era noite de céu estrelado e para se distrair passou a contar estrelas, de repente uma candente cortou o espaço deixando uma trilha em forma de parábola em sua memória.
Supersticioso e cheio de fé, imediatamente fez um pedido para ser suprido no que fosse a sua maior carência.
Então passou a viajar nas reminiscência de como chegou àquela situação degradante, da fome que doía o estômago, da falta de abrigo e o frio insuportável, do descaso das pessoas, da falência no casamento e se sentiu incomodado por pedir algo tão difícil, pois nem ele mesmo sabia ao certo qual era a sua maior carência.
De repente, do nada percebeu uma sombra se aproximando, limpou os olhos turvos e viu uma bela moça com pouca mais de 30 anos, de pequena estatura, com o mais lindo sorriso que já vira, aquela lindeza estontiante vestia decentemente, o que não era comum naquele local e horário, mais parecia um anjo em forma de gente.
A graciosa moça delicadamente agachou-se e tocou ao seu ombro direito lhe dizendo: não se assuste vim lhe trazer o quê encomendastes às estrelas, você tem frio, primeiro vou te aquecer depois cuido do resto, então aquela fada deitou se ao lado daquele indigente e passou a mostrá-lo de onde veio e os nomes e temperamento de cada uma de suas irmãs estrelas, na medida em que docilmente falava, habilmente acariciava aquele rosto maltratado e com barba por fazer, e então ela aproximou se vagarosamente e deu lhe um longo beijo, o pobre agora feliz senhor sentiu a doçura daqueles lábios de mel, a maciez aveludada de uma língua mágica, e a estrela em forma de mulher passou a fazer carícias por todo o corpo daquela criatura que já não mais sentia frio.
Percebendo a sua excitação, aquela lindeza divina assentou se sobre o pedinte e se conectou lentamente ao abjeto ser, e ali ela como uma amazona cavalgava num cavalo ruim de sela, com volúpia movimentava se como ondas reversas e vibrantes de pororoca, serpenteando à sua maneira sobre aquela carcaça humana, sem contudo permitir ajuda da dita criatura, dizendo que ele deveria se manter passivo pois ela tinha domínio da situação e sabia exatamente o que estava fazendo no atendimento da sua súplica.
Quatro horas se passaram sem nenhuma interrupção naquela ação magica em que a diva perpassava pelas mais diversas e variadas posições e tudo desenrolava maravilhosamente bem, sempre sob iniciativa e comando da fantástica e deliciosa mulher.
Totalmente realizado e esgotado com a explosão de prazeres, o homem em um dos momentos mais intensos e mágico viu outra estrela riscar o céu, desta feita fazendo o percurso inverso só aí se deu conta de que estava de novo sozinho olhando as estrelas no céu como fizera antes.
Aquele sujeito mal trapilho, se sentindo o homem mais feliz do mundo, bateu os dois joelhos ao chão, agradecendo e gritando alto se dizendo abastado e realizado, apontava o céu, donde mostrava uma brilhante estrela piscando, dizendo ser àquela dentre muitas, a sua namorada.
A polícia foi chamada devido a algazarra àquelas horas da madrugada. Na abordagem policial o pobre homem pedia aos militares mais álcool pois precisava da chave que o permitiria encontrar mais uma vez com o grande e verdadeiro amor da sua vida.
Hoje vive ele em um manicômio, no alto de uma colina, onde todas as noites deixa o aconchego da sua cama para dormir no pátio, olhando as estrelas à espera do seu único amor.
segunda-feira, 1 de junho de 2020
Última
Por isso, o meu coração amputado vai cumprir isolamento social, descalço limpando, varrendo e remando.
Assim ganhará musculatura, dureza, calos e ainda cicatriza as feridas das chicotadas.
Quando voltar escreverei poesias generalistas, porque plural é a vida.
Poesia terna porém amarga, de poeta recém liberto do cárcere em ressocialização.
Versos sutis como o andar de um paquiderme, escritos em braille para poclamar na escuridão.
Falarei do homo sapiens, não na dialética platônica, nem no cartesianismo de Descartes.
Revelarei em versos e prosa o bom, bem, belo e justo, pelo fio da navalha que coloca as vísceras humanas no chão.
Mas da pele rasgada cujos bofes arrastam pelo esterco do curral e o sangue se mistura a urida ocre do gado.
Banhado em sangue e se contorcendo de dor o poeta já sem fala, escreve no sal grosso do cocho, "última."
Não é Aqui
Te ver e não te querer é improvável, é impossível.
Deus queira que muito não dilate.
Não basta, mas apraz tão só te ver.
Não basta, mas apraz tão só te ver.
Te tocar é sonho e luxo proibido.
Quando tudo passar, espero viver para o sonho realizar.
Os meus sentidos sem você nem fazem sentido.
Maldita quarentena que finge proteger.
É abjurante a proteção, se o coração não acolher.
Dentro dos seus braços é que se fica seguro.
Ultrajante a máscara que impeça o sabor de um beijo.
Não é barreira física e sim de consciência e natureza espiritual.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
Idas e vindas
Sinto uma brisa fúnesta bater à face.
A melancolia inquilina se aninha e se abriga no meu leito.
O fim se avizinha, mas ainda penso, e se penso logo existo.
Distante, a cabeça indócil se disconeta do corpo.
Vejo a lua chegar com um único sentido minimalista.
O coração está fora mascateando com o pensamento.
Um querer continuado da mesma cria renitente à sucedâneo.
Um querer continuado da mesma cria renitente à sucedâneo.
A lua de tão bela faz o coração se juntar ao olhar.
Ao contempla-la me conecto à máxima lindeza.
O pensamento indulgente continua do lado de fora.
A lua baixa as cortinas, encerra o espetáculo e se põe.
Sem o sol e sem a lua, o fim parece inexorável.
As ideias nomades são vistas online dispersas nas redes.
A vida dissipa fora do útero, agoniza mas ainda suspira.
Sem a lua e sem o sol só as estrelas gravitam no céu.
Num mitigar circense flutuam como diamantes soltas no ar.
O protagonismo estelar faz emergir uma nova esperança.
E a esperança renovada, é a última que morre.
Por isso ainda não é o fim...
terça-feira, 12 de maio de 2020
Mecânica viral
O sol se põe no horizonte, fecundado as montanhas de Minas.
Uma brisa maliciosa e romântica toca carinhosamente a minha face.
Excitado ofereço o outro lado para que ela continue batendo.
Incansável o sol paternal vai à fonte água buscar para sua cria regar.
As florestas nascem de parto natural, são filhas do sol e da terra.
Dessa relação entre astro e planeta todas as vidas são geradas.
Homens lascam pedras, criam machados, motosserras e vírus...
De forma imperativa e categórica as pessoas são reclusas pelo Estado.
Os donos das mídias, vendedores de pânico e ilusão se esbaldam.
Batem todos os putrefos recordes funestos de audiência.
Mal sabem que não passam de carrascos executando ovelhas.
Cérebros deteorados grangrenam mas o pulso ainda pulsa...
domingo, 19 de abril de 2020
Cálice de vinho tinto de sangue

Tenho vinho tinto de safra especial que quando o corpo abraça o coração transforma.
Vou garimpar o cálice mais ajustado, de gargalo apertado e com prazer degustar.
Provo bebericando pelas beiradas ao mais sutil e sorrateiro estilo mineiro.
Depois com mais volúpia levo a boca ao cálice e o devoro por inteiro.
Não me queira parar pelo calor a crepitar, que ao transbordar faz escorrer pelas bordas do candieiro.
Vou garimpar o cálice mais ajustado, de gargalo apertado e com prazer degustar.
Provo bebericando pelas beiradas ao mais sutil e sorrateiro estilo mineiro.
Depois com mais volúpia levo a boca ao cálice e o devoro por inteiro.
Não me queira parar pelo calor a crepitar, que ao transbordar faz escorrer pelas bordas do candieiro.
Quando dois usam o mesmo cálice, segredos e mistérios se revelam donde um mais um são dois e não, é!
Não é semântica nem gerúndio mas tão somente fidelidade ao pluralismo de uma oração gramatical.
Vire os olhos e transite pela movimentada via lacta, contemple o céu em 3D estrelado.
Não é semântica nem gerúndio mas tão somente fidelidade ao pluralismo de uma oração gramatical.
Uma espécie de poligamia acadêmica pois a questão envolve, matemática, português e elemento de história.
Nem mande para o inferno, lá não convém, aquele calor escroto, Deus me livre e guarde, amém.
Se contente, não me contenha. Na dor do parto trinca os dentes ou morda a ordenha.
Vire os olhos e transite pela movimentada via lacta, contemple o céu em 3D estrelado.
Curta a lua, as sesmarias, respire fundo na longa e reluzente calda das cadentes.
Não confunda constelação, satellite, leis naturais, gravidade, atração, amor e paixão
Negue o pertencimento mas não castre nem deixe inoperante o fino cálice incandescente.
Sirva o tinto mais saboroso da sua distinta adega de rótolos que abundam.
Nada de desmames, pois quão hábil e doce são lábios pingando mel.
Valorize o menu, saboreia a entrada e as delícias da carne defumada ainda fumegante.
Sejamos gratos por compartilhar o que de melhor o Senhor nos fez aquinhoar.
Tim Tim, saúde e prevenção, use máscara, álcool em gel, camisinha e pinga com limão.
Nada de desmames, pois quão hábil e doce são lábios pingando mel.
Valorize o menu, saboreia a entrada e as delícias da carne defumada ainda fumegante.
Sejamos gratos por compartilhar o que de melhor o Senhor nos fez aquinhoar.
Tim Tim, saúde e prevenção, use máscara, álcool em gel, camisinha e pinga com limão.
sábado, 18 de abril de 2020
Ermitão
Por muito tempo desejei o distanciamento social por opção
Sempre disse que mais de cinco reunidos era aglomeração.
Bicho do mato se tornou meu apelido por definição.
Para mim o isolamento social faz sentido desde antão.
Foi preciso um vírus letal para curar o ante-social até então.
Hoje por decreto as ruas desertas me pertencem.
Agora o meu habitat é fora de casa, lá encontros não há.
Acabo de decretar quarentena interna existencial.
Fechei a movimentada fronteira do coração.
Quem está dentro não sai, quem de fora esta não entra mais.
Sempre disse que mais de cinco reunidos era aglomeração.
Bicho do mato se tornou meu apelido por definição.
Para mim o isolamento social faz sentido desde antão.
Foi preciso um vírus letal para curar o ante-social até então.
Hoje por decreto as ruas desertas me pertencem.
Agora o meu habitat é fora de casa, lá encontros não há.
Acabo de decretar quarentena interna existencial.
Fechei a movimentada fronteira do coração.
Quem está dentro não sai, quem de fora esta não entra mais.
domingo, 12 de abril de 2020
Domingo de Páscoa
As vezes digo que sou pura e genuína empatia.
Caçoadores dizem que só o sou no sobre nome.
Contudo, quem comigo convive ou minimamente conviveu.
Vibrou e se harmonizou as mesmas predominantes energias.
A partir daí não é mais só ela e eu deixo de ser exclusivamente eu.
Passo a estar nela e ela em mim, não importa a embalagem se trapo ou luxuoso terno.
Me querer mal é miopia de paradoxal contradição, estamos imbricados.
Deseje me o bem, deseje a ti também, o inferno não nos apraz.
Mesmo que estejas em guerra, o eu que há em você te fará vibrar em paz.
Estamos esparramados pelo universo, os nossos laços entrelaçam e se cruzam.
Ninguém é uma ilha, a árvore só dará bons frutos se houver raízes que lhe dê sustentação.
Quando você aceita o outro, fortalece as suas proprias raizes.
É preciso dar maior protagonismo ao processo, o produto é mera consequência.
Apreciamos o sabor dos frutos, a beleza das flores sem considerar o semeador.
Respeito e curvo diante da divindade que há em ti, sem contudo deixar de reconhecer o divino que habita em mim.
Porque estou em ti e sinto a sua essência pulsar dentro de mim.
Porque estou em ti e sinto a sua essência pulsar dentro de mim.
sexta-feira, 3 de abril de 2020
A verdade as vezes doe...
A melhor verdade ainda é a nua e crua, de cara limpa, mesmo que doa.
Prefiro a verdade simples, suburbana, do que aquela de grife folheada a ouro.
Há pessoas verdadeiras, contudo incapazes de abrigar a verdade mais genuína.
Mesmo se a verdade lhe parecer agressiva capaz de machucar, não altere o seu DNA.
Apresente-a como jóia rara que é, não a contamine com adereços e disfarces.
A verdade por sí só se impõe, portanto não a produza com as suas maquiagens e fantasias.
Verdade com corretivos batons e similares não se mostra por inteiro.
A verdade deve se despir como uma striptease sem ser contudo obscena ou vulgar.
Há mais nobreza no pecado pela fraqueza carnal do que na fornicante castidade profana.
Não há sinceridade naquela revelação que lhe exige contorcionismo.
A minha sinceridade por vezes causa irá pela retidão e ausência de grife.
Entenda que a verdade sem máscaras as vezes assusta e até machuca , mas não te engana.quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
E um ano se Foi
Missão cumprida pai. A sua, a minha anda não.
O senhor honrou o seu propósito.
Já eu realizo pequenas tarefas.
Uma aqui outra ali, todas de pouca relevância.
Hoje assento à cabeceira da sua sepultura.
Aos pés porque o senhor foi enterrado invertido.
Assim o fiz, atendendo ao seu pedido.
Leio um poema feito a você pelo seu amigo Todd.
Não sei se compreendestes bem a literal tradução.
Nem sei se recebeu a minha oração.
Sei que ainda continuo estudando na escola da vida.
Não pareço bom aluno, nem sempre compreendo a lição.
O meu coração ainda sangra por ti, e também por vivos.
Plantei grama no seu jazigo, parece ter sido uma boa ideia.
A moda pegou e hoje todo o cemitério é gramado.
Haidee trouxe o agreste das Lages para o senhor.
Sua cova tem vela de macaco, coroa de frade, flores e afins.
Tem também a cruz vazada de pedra, grama e um jatobazeiro.
Mesmo bonita, não me convence a morrer.
Mas também não me estimula a viver.
Quanta besteira né pai amado?
Se o sujeito ao invés de enterrado prefere ser cremado?
Se for para endereço indesejado com o calor já estará adaptado.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
Coração percursionista
Na aridez do sertão, o importante é acender as velas, alumiar o caminho e desviar das serpentes perigosas, sem contudo machucá-las.
Na liquidez do mar é ascender as velas, ajustar na direção do vento, enfrentar o ciclone e com habilidade manobrar o leme desviando dos icebergs até entrar em águas calmas para ancorar em algum porto seguro.
E aí para combater o tédio lá se vai de novo surfar nas ondas turbulentas e nas arritmadas batidas de um arquiteto coração percursionista.
Na liquidez do mar é ascender as velas, ajustar na direção do vento, enfrentar o ciclone e com habilidade manobrar o leme desviando dos icebergs até entrar em águas calmas para ancorar em algum porto seguro.
E aí para combater o tédio lá se vai de novo surfar nas ondas turbulentas e nas arritmadas batidas de um arquiteto coração percursionista.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
Palavras mal ditas
Já fui bebê e bem me lembro dos meus primeiros múrmuros .
Eu emitia sons aleatórios sem significado algum e os adultos de época respondiam gugu dada...
Nada compreendia, mas achava que fazer barulho agradava, eu os fazia e os adultos correspondiam.
Depois aprendi decodificar, codificar, filosofar e mais recentemente até poetizar.
Com o tempo colecionei títulos, especializações, virei mestre, doutor e até professor.
Hoje quem dá aula acha que fui mau instrutor e que nem sei bem me expressar, falo amado irmão, entendem prostituição.
A sorte é que as maluquices que hoje faço se chancelam e acobertam sob o manto de uma tal liberdade poética.
Só que é uma liberdade que também aprisiona, sonho um dia dizer que amo para quem de amor entenda e não caçoa, agride e vira contenda.
Daqui prá frente, quando não for poema cuja liberdade os erros absolvem, vou comunicar por emoji e assim ser compreendido.
Mal agradecido, ranzinza e murmurador, talvez seja isso que sou, talvez não, para quem me beija com amor...
Para que tanta complexidade e incompreensões, se no fim a terra come ou o fogo devorara???
Eu emitia sons aleatórios sem significado algum e os adultos de época respondiam gugu dada...
Nada compreendia, mas achava que fazer barulho agradava, eu os fazia e os adultos correspondiam.
Depois aprendi decodificar, codificar, filosofar e mais recentemente até poetizar.
Com o tempo colecionei títulos, especializações, virei mestre, doutor e até professor.
Hoje quem dá aula acha que fui mau instrutor e que nem sei bem me expressar, falo amado irmão, entendem prostituição.
A sorte é que as maluquices que hoje faço se chancelam e acobertam sob o manto de uma tal liberdade poética.
Só que é uma liberdade que também aprisiona, sonho um dia dizer que amo para quem de amor entenda e não caçoa, agride e vira contenda.
Daqui prá frente, quando não for poema cuja liberdade os erros absolvem, vou comunicar por emoji e assim ser compreendido.
Mal agradecido, ranzinza e murmurador, talvez seja isso que sou, talvez não, para quem me beija com amor...
Para que tanta complexidade e incompreensões, se no fim a terra come ou o fogo devorara???
domingo, 2 de fevereiro de 2020
domingo, 26 de janeiro de 2020
Novos tempos
Há três dias que as cachoeiras bradam aos meus ouvidos sem parar.
O vento que sopra aqui é o mesmo que traz mensagem d'água que cai por lá.
O manto de estrelas vivas da via láctea, ao véu negro da viúva deu lugar.
Lua e sol se amam escondidos atrás das cortinas, vitamina "D" só em cápsula.
A previsão é que mais e mais chuva virá, quarenta dias sem cessar.
Penso em construir uma arca, mas não consigo a licença ambiental liberar.
Tentei separar um casal de cada animal, mas a legislação não permitirá.
Há grupos defendendo que eu leve bicho de mesmo sexo, para não discriminar.
Novos tempos em que para proteger o mundo, vale tudo, até deixá-lo acabar.
Feliz era Noé...
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
Campeando Amor
Céu azul de controversa afirmação.As cores do mar, também o são.
Nem tudo é conforme nos parece.
Eu e você somos medidas de alhures ilusão.
Quem cegamente crê, muito padece.
Até as verdades matemáticas são angulares e ilude.
As religiosas, dogmáticas e as nossas, contorcionistas.
Um toco podre que quebra, se alto revela.
Se esta podre, a sua natureza é quebrar, é quase um pleonasmo.
Surreal alguém por um elemento em decomposição se balizar?
Sólido mesmo é o amor, porque toda matéria dissolve no ar.
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