Sem sol, sem sal, só o frio em visita solene ao povoado.
Tudo em volta revelava o lado sombrio da currutela.
Brilho não se via nos diversos e variados tons de cinza.
Pelas ruas apenas algumas galinhas de pescoço pelado, e chuva fina.
Nas cinzas das fugueiras de festas passadas, dormiam raquíticos vira latas.
Bovinos ruminavam fumaça, pareciam fumantes da erva proibida.
Cavalos estáticos com a bunda virada pro vento frio, fingiam se de estátuas.
Os coqueiros do rosário entrelaçavam suas folhas ao ritmo do vento fúnebre.
Os meninos não saíram para brincar, o tempo inóspito também os puniam.
Uma máscara de chita floral rolava pela rua, presa a um carotinho vazio.
Na venda uma porta entreaberta e um estrado mijado impedia o acesso.
Lá dentro, cachaça com cobra dentro e um copo sujo, com a borda enfeitada de vivas moscas.
A velha pipa quase nua se debatia presa no alto da torre, a espera de um resgate.
Do outro lado da linha, a esperança de que dias melhores virão e a lindeza por aqui apareça.


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