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quarta-feira, 13 de maio de 2020

Idas e vindas


O sol das almas se põe por detrás das montanhas.
Sinto uma brisa fúnesta bater à face.
A melancolia inquilina se aninha e se abriga no meu leito.
O fim se avizinha, mas ainda  penso, e se penso logo existo.
Distante, a cabeça indócil se disconeta do corpo.
Vejo a lua chegar com um único sentido minimalista.
O coração está fora mascateando  com o pensamento.
Um querer continuado da mesma cria renitente à sucedâneo.
A lua de tão bela faz o coração se juntar ao olhar.
Ao contempla-la me conecto à  máxima lindeza.
O pensamento indulgente continua do lado de fora.
A lua baixa as cortinas, encerra o espetáculo e se põe.
Sem o sol e sem a lua, o fim parece inexorável.
As ideias nomades são vistas online dispersas nas redes. 
A vida dissipa fora do útero, agoniza mas ainda suspira.
Sem a lua e sem o sol só as estrelas gravitam no céu.
Num mitigar circense flutuam como diamantes soltas no ar.
O protagonismo estelar faz emergir uma nova esperança.
E a esperança renovada, é a última que morre.
Por isso ainda não é o fim...

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