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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

O Mediador.

O vizinho inicia, da sua casa, a fundação
Obra nova é tomada de muita movimentação
A cada hora chega toda sorte de itens de construção
Barulho de máquina a todo vapor  na escavação
Tem ronco de motor, da betoneira ao caminhão
Há também prenuncio de sisuda confusão
Uma cerca tortuosa tira do sério quem vive na retidão
Um cano de esgoto que desce na contramão
Vem sorrateiro e camuflado por debaixo do chão
Invadindo território fora do seu quinhão
Trazendo surpresas alheias que ninguém quer não
O vizinho quer arroiar o cano para refluir na entupição
Vai devolver a merda para o vaso do espertalhão
Se fosse mais investigativo do tipo espião
No cano faria uma colonoscopia de invasão
Assim registraria o espulgo na saída do botão
Quem sabe pudesse ver na origem um irmão
E a contenda resolver num aperto de mão
Cada um abre a sua fossa cavando na dureza do chão
Fica tudo resolvido na amizade sem juiz nem tabelião
Sem advogados, sem honorários e nem jurisdição
A lide não se formou em que pese a contestação
Aquilo que daria em morte, não fosse a minha intervenção 
Morreu no nascedouro sem se quer chegar a impugnação
A pendenga se resolveu num grande mutirão
Um churrasco na laje quando do final da fundição
Outro churrasco mais tarde no dia da inauguração
Uma amizade se formou em meio a contradição
E cada um armazena a barro nos limites do seu torrão.

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