Há muitas coisas acontecendo ao redor do mundo, coisas parecidas e tão diferentes ocorrem todo tempo o tempo todo espalhadas por ai no universo humano.
Gosto das boas coisas praticadas na Europa, são muitas
as condutas Europeias benévolas, entretanto desvios de conduta parecem
gravitar sobre toda aldeia habitada, onde há gente, há de tudo um pouco, aqui
vi roda de bicicleta sem corpo trancada no poste, vi quadro trancado sem as
rodas, imagino quem sabe um dia o quadro de uma encontre as rodas da outra e desse
casamento nasça um novo corpo Frankenstein com pelo menos tronco e membros.
Vi também muita sujeira pelas ruas, descuido este que
até me favoreceu, pois tenho um excêntrico amigo colecionador de maços de
cigarros vazios e em consideração a este amigo, que a rigor nem fuma, estou
contribuindo com a limpeza europeia, catando lixo nas ruas para o dito amigo da
onça, pois, em que pese a tarefa constrangedora este me é muito caro.
Para não fugir ao tema, estou me tornando um
"tabacofóbio", aqui tudo cheira a cigarro, como fuma esta gente,
lugar ideal para um colecionador do estilo! Tanto a cá como acolá não se pode
fumar em locais fechado, mas estranhamente todos os quartos de hotéis por
aqui "fede" a cigarro, não é pouco do tipo “frescurinha” é coisa
forte de dar náuseas.
Tem muito mais que aos poucos e noutras
oportunidades vou revelando, mas para encerrar vai ai a pérola do dia.
Deslocando-me de Paris para Marselha, admirado com as mais lindas paisagens
daquele país e os seus intermináveis cata-ventos gigantescos, uma das suas
matrizes energéticas. Não sei se já desenvolveram ou se buscaram fora na América
do Sul tecnologia para estocarem o vento, mas sei que aquelas estruturas
espalhadas e girando pelos campos são bem aprazíveis ao olhar, quase que
terapêuticas.
Pois bem, em uma das paradas vi uma de nossas malas
deslizando na mão de um sujeito não menos mala, pelo pátio da rodoviária de uma
cidadezinha do interior da França, tentei alertar ao motorista de que
estava sendo furtado, mas o meu francês não tem nível para dizer: " par
bonté mon seigneur, je suis victime d'un vol qualifié, ils ont pris mon sac
dans le bus et il transporte dans la grosse main". Como a comunicação com
o motorista não fluía e a mala só distanciava, sinalizei para ele me
aguardar, isso é universal e então sai em desabalada carreira ao encalço do
incauto que levava a minha. Em menos de minuto o abordei ao melhor estilo
brasileiro, segurei firme a mala e dei-lhe um tranco, me fiz incisivo e
convincente porque imaginei: se o motorista que se esforçava para me
entender nada entendeu, como o cara que não queria mesmo me entender
entenderia? Dai ficou aquele puxa, até que abri a mala e a primeira peça que a
mim se apresentou foi uma calcinha, então resolvi no melhor dialeto nosso
mesmo, peguei a dita e cheguei bem encostadinha ao rosto do gringo e bradei:
por acaso você usa isso, nem serve em você, seu bosta de merda, zszszzsszsszsz
(impronunciáveis) e foi assim, com essa fidalga leveza que me fiz entender e
pude voltar com a mala que também nem minha era...


3 comentários:
Gostei muito do seu texto, como sei que todo o resto foi verdadeiro fico imaginando como foi o episódio da tal mala...por um acaso foi um engano?
Gosto muito da sua escrita, de seu olhar observador e principalmente do seu cérebro lógico!
Em que pese a minha convicção de que se tratava de furto, como não houve consumação, não me preocupei com o registro da ocorrência. A crensa de que não de tratava de um engano é que o camarada não voltou para pegar a sua suposta mala.
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