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quarta-feira, 11 de abril de 2018

No período jurássico.

Quando ainda existiam aquelas maquinas de datilografia antigas, a gente escrevia com total segurança, há poucos meses vi uma daquelas ainda em atividade, em uma repartição pública numa cidadezinha do interior de Minas.

Enquanto aguardava o atendimento, escutava aquele barulho das letras batendo no papel, o famoso “cata milho,” ao mesmo tempo também matutava a respeito da longevidade daquela maquininha. Foi ai que me ocorreu à afirmação inicial do quão confiável e seguro era a operação de escrita numa relíquia daquela. 

Era muito bom escrever com elas, dava uma sensação de importância e por extensão de um poder extraordinário, a gente tinha segurança incrível ao usá-las, com elas dava para topar qualquer parada, até competíamos entre colegas para ver quem primeiro escrevia otorrinolaringologista. 

Depois vieram as elétricas e complicou um pouco, enquanto as antigas eram fielmente obedientes aos comandos do datilógrafo, isto é, era preciso bater na tecla com convicção, força e fé para o mecanismo levar a letra gráfica até o papel, de modo que, era possível apoiar e até deitar o peso das mãos sobre o teclado sem o dispare acidental das teclas. Já nas elétricas isso não veio possível, o que, acabava por gerar muitos erros de escrita por ação involuntária decorrente do contato não querido no teclado, contudo, nada que o barrinho branco não resolvesse. 

Na sequência surgiram os PCs com teclado periférico, mais adiante os laptops com teclados agregados, ambos com teclas mais sensíveis em que o digitador quase precisava prender a respiração, pois as letras são tão doces que basta pensar numa para que ela pule do teclado para a tela do computador. 

Agora esparramaram por ai como epidemia, celulares, notebooks, ipeds, tablets e tantos outros do gênero, com as telas touch screen, em que não há teclas, no formato, umas vizinhas das outras, com individualidade e musculatura física palpável, nem em 3D são, algumas quase invisíveis a olho nu. Então para escrever sem passar vergonha, tem que ser quase um atirador de elite, cuja mira e pontaria, apurada aferida o habilite a acertar cada letrinha individualmente, sendo estas infinitas vezes menores que as pontas dos próprios dedos que as garimpam na tela. 

Para piorar os aparelhos atuais trabalham com a ditadura da inteligência artificial, em que você escreve uma coisa e ele lhe impõe outra totalmente fora do contexto, sem falar os toques acidentais que sempre leva o digitador a tergiversar para rumos distantes do pretendido, com intervenções da maquina, muitas das vezes e quase sempre, desastrosas e até constrangedoras, do tipo: “meus parabéns pela parceria gay”, quando a grafia pretendida seria: “muito bem pela prataria, gostei”. 


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