Como de costume, tentou uma aproximação silenciosa em meia marcha, com mãos sensivelmente cirúrgicas manteve a manete a um quarto de aceleração, estacionou na minúscula garagem ocupando alinhamento bissetriz perpendicular de modo a não prejudicar o espaço do outro, retirou o capacete, com charme e elegância singular, abanou a cabeça dando movimento e volume aos cabelos longos. Com leveza, cansadamente subiu os cinquenta e três degraus da escadaria, mesmo com o coração fechado ao próprio propósito abriu a porta principal, esperou os maus presságios baterem em retirada carregando consigo o pesado fardo das energias mundanas, só então entrou, mesmo assim ainda percebeu o retardo de uma sombria presença o que lhe causou arrepios.
Elevou o pensamento prontamente acolhido lá no alto, dependurou às chaves no terceiro gancho de seis existentes ali no pequeno quadro à direita da porta, dirigiu-se ao escritório donde se desfez da pesada mochila, entrou no quarto do casal bem ao lado, retirou o coturno de quem outrora saira da fila do saquinho para estrear vida nova de terráqueos, deitou-se, cruzando as pernas em formato de x, bloqueando toda e qualquer forma de invasão na área restrita, elevou os braços e sobre eles apoiou a cabeça.
Mesmo sem intenção, o olhar foi automaticamente direcionado à parede de frente, lá, com carinho observou uns chapéus dependurados desordenadamente, esboçou um angelical sorriso e se entregou em reminiscências, pois conhecia todas as historias tiradas de dentro daquelas cartolas, muitos ali não só lhe protegera das intemperes do tempo mas também e sobretudo lhe abrigava dos olhares insanos da cobiça, suspirou profundamente e por um instante pensou que havia amor e que poderia ter dado certo não fosse as prestações de contas alhures, deu de ombros e virou as costas à sua potencial fonte de nirvana.
Mesmo sem intenção, o olhar foi automaticamente direcionado à parede de frente, lá, com carinho observou uns chapéus dependurados desordenadamente, esboçou um angelical sorriso e se entregou em reminiscências, pois conhecia todas as historias tiradas de dentro daquelas cartolas, muitos ali não só lhe protegera das intemperes do tempo mas também e sobretudo lhe abrigava dos olhares insanos da cobiça, suspirou profundamente e por um instante pensou que havia amor e que poderia ter dado certo não fosse as prestações de contas alhures, deu de ombros e virou as costas à sua potencial fonte de nirvana.
Mais uma vez foi tomada pelo monopólio dos pensamentos mais obscenos, chegou a entrar em transe meditativa, por um instante um filme passou por sua cabeça, viu passeios, diálogos, muitas convergências e também algumas divergências, sentiu harmoniosa sintonia e até conexão divina no casamento, tentou vigorosamente manter as lembranças distantes dos desejos carnais conforme lhe convinha, mas sentiu raiva de si mesma, pois não só relembrava de tais momentos como viu o seu corpo reagir e os hormônios emergirem, desejosos por sentirem o calor e o peso de macho sobre si.
Naquele momento reviveu o encantamento, o sabor e o cheiro da fumaça dos gênios, uma inebriante nevoa do seu homem ópio viciante, se esforçou para não tragar por inteiro, pois a penetração lhe causaria dependência psicológica e física. Na oportunidade sentiu um calor tomar conta do seu corpo, notou que a sua intimidade reagira àquela viagem de um sonho acordado, desceu as mãos na direção pubiana, percebeu que mais parecia um alagado pântano e então orgasmos múltiplos e sucessivos foram inevitáveis.
Naquele momento reviveu o encantamento, o sabor e o cheiro da fumaça dos gênios, uma inebriante nevoa do seu homem ópio viciante, se esforçou para não tragar por inteiro, pois a penetração lhe causaria dependência psicológica e física. Na oportunidade sentiu um calor tomar conta do seu corpo, notou que a sua intimidade reagira àquela viagem de um sonho acordado, desceu as mãos na direção pubiana, percebeu que mais parecia um alagado pântano e então orgasmos múltiplos e sucessivos foram inevitáveis.
Em meio àquela confusão mental, o choque de realidade bateu à sua porta sem cerimônia ou qualquer outro tipo de sutileza. O seu amor já encurtado, desgastado e colocado em cheque convalescia, então num ato de piedade resolveu o presentear com uma espécie de derradeiro agrado, assim sendo se liberou ao toque físico e até ao contato íntimo se fosse o caso, porém na sua singularidade do seu pensamento o aceite seria uma generosidade movida pela dó, em que poderia ficar alheia ao ato em si. Desse modo e com este espírito, assim se portou, se sujeitando ao que viria a ser a última relação, estando ela apenas e tão somente de corpo presente.
Diferentemente do entusiasmo e desejos sempre presentes no campo do imaginário, o ato propriamente se deu na pauta da formalidade, ortodoxia e pragmatismo donativo, nenhum desejo lhe ocorreu, sem graça e sem prazer, nada sentiu, se não dor, desconforto e mau estar. O cheiro forte e ;acido de sangue, causou-lhe enjoo, então decidiu que aquela seria a ultima transfusão permitida. O odor venoso se estendia pela mais longa noite cujo mundo conheceu em que as rondas periódicas da morte davam o tom e balizavam a intensidade da mágoa, dor e fadiga.
Ao despertar pela manhã foi que se deu conta de que o seu amor tinha desfalecido, morrera à sombra da madrugada com um sorriso de angustia no canto da boca. foi assim que passou o dia com um amargo gosto de cobre na boca, um aperto no coração, e a mente perturbada com aquele sorriso maroto de Moraliza como se o falecido lhe olhasse de todos os ângulos e lados.
Aquele fatídico dia de agonia, foi dividido pelas lembranças de quão intenso fora o matrimônio no seu início e agora ali cuidando dos preparativos do velório, lembrou da noite precedente e teve remorso por não participar ativamente da última empreitada.
Passado a cerimônia fúnebre, entrou em luto de curta durabilidade, um dia e meio. Após o que, vestiu o seu mais insinuante look, pôs um sorriso no rosto previamente maquiado, tirou uma selfie e a publicou em todas as mídias sociais, com a seguinte legenda: "Vida que segue, viúvo é quem morre! Jovem viúva se procura homens que marretam forte, enxuga e guarda".
Passado a cerimônia fúnebre, entrou em luto de curta durabilidade, um dia e meio. Após o que, vestiu o seu mais insinuante look, pôs um sorriso no rosto previamente maquiado, tirou uma selfie e a publicou em todas as mídias sociais, com a seguinte legenda: "Vida que segue, viúvo é quem morre! Jovem viúva se procura homens que marretam forte, enxuga e guarda".
Hoje no conturbado dia a dia, usa os momentos livres que sobra para avaliar propostas no perfil e agendar eventuais testes drives...

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