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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Adversidade

As adversidades da vida encaro de frente.
O resultado não tem grande importância.
O enfrentamento faz crescer a dignidade.
Vencer ou perder são só circunstâncias.

Quando o assunto é estética me desconserto.
Acho melhor apreciar a beleza pelo retrovisor.
A visão invertida deforma a imagem nivelando as aparências.  
A feiura predileta vejo no espelho de casa.

E por falar em lindeza genuína falemos de animais.
A Bonita sofre as intemperes do tempo frio lá fora.
Na pata dianteira uma avançada bicheira.
Não é minha mais cuido dela assim mesmo.

O Bilú está com cataratas, surdez e artroses.
Antes não tinha nada disso, era só virilidade.
Tem mais filhos esparramados por ai que  Mr. Catra.
Agora anda devagar mesmo sem ler Almir Sater.

Todos dizem que o Pitoco é mau caráter.
Só porque faz covardia com os pequeninos.
O pobre nasceu sem uma orelha e ouvido entupido.
Eu não o considero mau, é só um cachorro surdo.

As galinhas andam soltas pelas ruas de Milho Verde.
E elas nem comem milho, pastam gramas como cavalos.
Nenhum deles, nem o dito mau caráter comem galinhas.
Por aqui os que comem amanhecem com formigas na boca.
Nós e os galos comemos galinhas, nem por isso nos matam.

O Pirata era muito namorador mas não comia galinhas.
Sumiu de repente, anoiteceu e não amanheceu sem deixar vestígios.
Ele era grande cão ator, figurou no filme "Além do Homem".
Prefiro acreditar que foi para Hollywood receber a estatueta.

A Têtê também não é minha.
A conheci de noite na pousada.
Era madrugada e batia na porta.
Fui atender era ela, foi amor a primeira vista.
Sempre me visita quando aqui estou.

A Magia morreu sem comer galinhas.
Ela era especial, não por ser manca.
Mas porque era boa mesmo, ela e Laila.
As duas amigas morreram nas minhas mãos.
Lembro-me delas e a tristeza abunda.

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