Recentemente fui desenganado.
Todo diagnóstico traz consigo virtudes.
A diagnose nos tira da ignorância.
Quando as vendas saem, o entendimento vem.
Desse modo tomo ciência de que sou plural
e que é a soma das partes que me faz ser único.
Essa equação me obriga a aceitar
a fração cuja morte prenuncia.
A falência é elementar e até necessária,
é ela a profilaxia transformadora,
a metamorfose de todo ser mutante.
Sei que sou eterno, mas também sei
que a roda libitina não para.
e que para renascer, morrer é preciso.
Tomo o ultimo gole, matei uma garrafa,
mas há tantas outras na adega e espalhadas por ai,
também, ao redor do mundo, há uvas em decomposição,
morrendo para nos dar vida etílica de boa safra.
Vou dormir, matar o sono
e partejar novos sonhos meus.
Nesse momento estou sendo tomado
por um pensamento promissor,
Mas ai veio a razão e me fez abortá-lo
e aquilo que parecia interessante
morreu no útero sem se realizar...

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