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sábado, 19 de maio de 2018

Seletividade

Seres perfeitos são autossuficientes.
Pressupõe que não necessitam de outrem.
Já os imperfeitos precisam de bons norteadores.
As falhas me perseguem, por isso mesmo,
sem a presença iluminada não decanto.
Logo eu que mais preciso de acolhimento
sou abandonado, por malgrados e faltas.
O paradoxo reside em dar as costas ao mudo que nada fala
para dialogar com o consagrado orador.
Não há mérito algum no ombro ou colo seletivo,
pois não passa de fomentador do egoísmos,
é como atirar o boi mais frágil às piranhas.
Onde está a virtude em oferendas de muletas
para quem com desembaraço maratona corre?

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Se infarto eu falto, estou farto

Recentemente fui desenganado.
Todo diagnóstico traz consigo virtudes.
A diagnose nos tira da ignorância.
Quando as vendas saem, o entendimento vem.
Desse modo tomo ciência de que sou plural
e que é a soma das partes que me faz ser único.
Essa equação me obriga a aceitar
a fração cuja morte prenuncia.
A falência é elementar e até necessária,
é ela a profilaxia transformadora,
a metamorfose de todo ser mutante.
Sei que sou eterno, mas também sei
que a roda libitina não para.
e que para renascer, morrer é preciso.
Tomo o ultimo gole, matei uma garrafa,
mas há tantas outras na adega e espalhadas por ai,
também, ao redor do mundo, há uvas em decomposição, 

morrendo para nos dar vida etílica de boa safra.
Vou dormir, matar o sono
e partejar novos sonhos meus.
Nesse momento estou sendo tomado
por um pensamento promissor,
Mas ai veio a razão e me fez abortá-lo
e aquilo que parecia interessante
morreu no útero sem se realizar...

domingo, 13 de maio de 2018

Enigmas de um ser; ou será estar?

Um domingo, dia das mães, dia dos "filhos da mãe" também! 
Quero ler mas não consigo, gostaria de escrever e a concentração esquiva. 
Este livro não é de Adélito, é de Adélia. Ela o escreveu, porém teve um pingo da minha contribuição na pagina 464, essa mancha ai exposta é lagrima minha, e não há nada mais poético do que poesia borrada de lagrimas.
Um nó na garganta, um aperto no peito e uma lágrimas que saiu do coração passou pelos olhos, viajou pelo rosto, temperou os lábios, rolou ao queixo, de onde caiu e se integrou à poesia de Adélia.
Essa irrigação salobra também é poesia, só que de quem não consegue se expressar com arte. A minha arte é de arteiro, não de poeta.
Sou de intrínseca essência eremita, poucos entram no meu deserto privativo, por isso mesmo escrevo, não para fazer poema mas para mapear minha área obnubilada e quem sabe torná-la menos cinzenta e mais amistosa e acessível aos que arriscam nela penetrar. 
Em mim não há vocação para beija flor, não meto o pico por ai indiscriminadamente só para sugar a docilidade alheia e fertilizar a fina flor.
Não beijo só por beijar, não sou colecionador disso, embora pudesse beijar até uma viúva negra e dar a vida por um único e especial beijo. 
Até que para driblar a minguada inspiração, poderia continuar escrevendo, mas estou na recepção da pousada e fui alcançado pelo sol, como ele brilha para todos, vou recolher a caneta, abrir o casulo e tomar banho de sol...

sábado, 12 de maio de 2018

Insubordinação do pensamento

A vida nos é servida em fatias, a primeira sempre mais saborosa.
Sinto sede de viver na medida em que a escassez abunda.
Cada golo que saboreio é oásis na aridez do meu privativo deserto vip.
Parece que a fonte que antes jorrava vida, agora minguada goteja.
Não há sinais físicos de patologia letal é o pensamento que mais mata.
A desobediência da imaginação me fadiga,
nem parece minha e talvez não seja mesmo.
O pensamento confunde, vai do divino ao obsceno num piscar de olhos.
O mesmo sentido que acolhe e assiste um irmão no leito hospitalar,
molesta a enfermeira evasiva na saída.
A dupla face do espelho me incomoda,
entre nós não existe afinidades, ele 
expõe a caduquice física, 
mas acoberta a demência espiritual.
Não sou um toco de madeira em passiva decomposição
que ornamenta a sua sala, mas um tição que por dentro ainda queima.
Dizem que em todos nós há uma fênix,
talvez, no momento eu nem seja daqui, pode ser que haja um eu
marretando de dentro para fora a casca de um ovo para renascer...