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domingo, 7 de janeiro de 2018

Fragmento do diário

Em Milho Verde, há baixa vocação hídrica, nem sempre a caixa enche.
Aqui na pousada, quando enche pinga. Ultimamente, têm pingado toda noite.
É ouro o pingo d'água que anuncia caixa cheia na aridez deste agreste mineiro.
O reservatório enche sem hora certa, depende do consumo daqui e da vila.
Quando transborda pelo ladrão, as vezes estou acordado, outras vezes não.
Esta noite pingou as 3:38 e ainda assim, como noutros dias me achou desperto.
Com trajes que ultraja, apaguei dezenove lâmpadas e fechei o registro do precioso liquido.
É muita luz para apagar o medo de escuro dessa gente acostumada com as noites claras da cidade.
Quando desliguei a última, agradecida a lua brilhou aqui e deu contornos as montanhas no horizonte.
Aonde tem luz artificial, por fidalguia a lua não chega, seria abuso de poder e não gosta de constranger e ofuscar lamparinas  
Estava tão linda clara e brilhante que dava para ver o caro giro do hidrômetro.
Enquanto durmo a roda da vida gira e tira os melhores dias, apenas deixa uma sobra adormecida e sonsa.
No sono ou acordado, o cata-vento gira e sopra uma brisa que é só caricia e candura.
Enquanto os ponteiros dos hidrômetros, relógios e velocímetros bailam, nas contas danço.
Esse mês o Estado ainda não rodou a folha, mas todos os funcionários rodaram...

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