Em Milho Verde, há baixa vocação hídrica,
nem sempre a caixa enche.
Aqui na pousada, quando enche pinga.
Ultimamente, têm pingado toda noite.
É ouro o pingo d'água que anuncia caixa
cheia na aridez deste agreste mineiro.
O reservatório enche sem hora certa,
depende do consumo daqui e da vila.
Quando transborda pelo ladrão, as vezes
estou acordado, outras vezes não.
Esta noite pingou as 3:38 e ainda assim,
como noutros dias me achou desperto.
Com trajes que ultraja, apaguei dezenove
lâmpadas e fechei o registro do precioso liquido.
É muita luz para apagar o medo de escuro
dessa gente acostumada com as noites claras da cidade.
Quando desliguei a última, agradecida a
lua brilhou aqui e deu contornos as montanhas no horizonte.
Aonde tem luz artificial, por fidalguia a
lua não chega, seria abuso de poder e não gosta de constranger e ofuscar lamparinas
Estava tão linda clara e brilhante que
dava para ver o caro giro do hidrômetro.
Enquanto durmo a roda da vida gira e tira
os melhores dias, apenas deixa uma sobra adormecida e sonsa.
No sono ou acordado, o cata-vento gira e
sopra uma brisa que é só caricia e candura.
Enquanto os ponteiros dos hidrômetros,
relógios e velocímetros bailam, nas contas danço.
Esse mês o Estado ainda não rodou a folha,
mas todos os funcionários rodaram...

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