Quando falamos de poesia e o seu processo construtivo, nada é clássico, velho, contemporâneo, muito moderno ou futurístico demais.
Nesse sentido, a geração passada é apenas força de expressão semântica gramatical. Poesia é viagem subterrânea, em nível ou aérea, sem o prudente prévio plano de voo, conexões definidas ou cartas e mapas geográficos.
O norte poético surge da faísca explosiva, que rompe o casulo do pensamento em que se encontra, libertando-o da escuridão do cativeiro que o mantem refém das repetitivas rotinas do cotidiano é o resgate das ideias presas às sombras do filosófico "mito da caverna".
O trincar da semente fecunda de onde germina, brota e da vida a poesia, se dá no momento em que ocorre o desvio acidental da trilha convencional.
É preciso perder a referência do caminho certo e seguro, abortar o piloto automático para realizar o parto virtuoso da poesia, ela deve trazer a incógnita do incerto, deve surpreender e só se revelar quando vem ao mundo, após parto normal, longe dos auxílios técnicos obstétricos, pois não se faz poesia por cesariana.
Assim, de certa forma, o poeta é um parteiro artesão cuja relação com a cria se encerra no corte do condão umbilical, é este o último ato do poeta para com a poesia, a partir dessa ruptura a personalidade e força artística desta, se imporá, em função da relação com o tempo e os diversos níveis de leitores que a consumirão.


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