Um Falcão é sempre um Falcão, ele é enigmático e muito mais letal que o
lobo, contudo goza de maior prestígio, uma vez que não sofre os mesmos
preconceitos daquele.
Um velho Falcão quando percebe não ser mais o mesmo dantes, que os
frangotes da sua espécie estão ocupando o seu espaço, voa para o alto da serra
para meditar e refletir sobre a nova realidade que o tempo decreta ao
decrépito.
Lá de cima pensa em se atirar, mas sabe que seria uma inócua tolice para
quem flutua no ar, então diante de todo desarranjo visual e limitação física,
não procura um veterinário, cirurgião plástico, mas com força, determinação e autossuficiência,
opera alterações corretivas. Inicia-se batendo fortemente com o bico na rocha
bruta até que se quebre para dar lugar a outro sem o grave desvio septo do
antigo, já no pós-cirúrgico e de bico novo, utiliza deste para arrancar todas
as penas arrepiadas, quebradiças e deformadas pela agressão do tempo, para que
outras mais imberbes nasçam no lugar.
Por fim, de bico novo e recuperado, o utiliza para de maneira fórceps
extrair as unhas que outrora o alimentava, iniciando-se assim o processo de revitalização
e regeneração, próprias de todo indivíduo obstinado, uma verdadeira repaginada
no velho que se fez novo.


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