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domingo, 29 de janeiro de 2017

Metamorfose


Um Falcão é sempre um Falcão, ele é enigmático e muito mais letal que o lobo, contudo goza de maior prestígio, uma vez que não sofre os mesmos preconceitos daquele.
Um velho Falcão quando percebe não ser mais o mesmo dantes, que os frangotes da sua espécie estão ocupando o seu espaço, voa para o alto da serra para meditar e refletir sobre a nova realidade que o tempo decreta ao decrépito.
Lá de cima pensa em se atirar, mas sabe que seria uma inócua tolice para quem flutua no ar, então diante de todo desarranjo visual e limitação física, não procura um veterinário, cirurgião plástico, mas com força, determinação e autossuficiência, opera alterações corretivas. Inicia-se batendo fortemente com o bico na rocha bruta até que se quebre para dar lugar a outro sem o grave desvio septo do antigo, já no pós-cirúrgico e de bico novo, utiliza deste para arrancar todas as penas arrepiadas, quebradiças e deformadas pela agressão do tempo, para que outras mais imberbes nasçam no lugar.
Por fim, de bico novo e recuperado, o utiliza para de maneira fórceps extrair as unhas que outrora o alimentava, iniciando-se assim o processo de revitalização e regeneração, próprias de todo indivíduo obstinado, uma verdadeira repaginada no velho que se fez novo.

Aí você me pregunta e daí? Qual é o moral da história? Eu vos digo, não sei, só sei que "partiu Pico do Itambé"...

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