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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ESCOLHAS

ESCOLHAS
Nasci caipira no Vale do Jequitinhonha
Lá eu parecia ser e estar integrado
Estudava e o conhecimento no campo testava
Na terra trabalhava, também no rio e na lavra
Brincava, corria, jogava. É, brincava e brincava
Assim como eu, era magra a alimentação caipira
Sem entender, querendo sem saber de lá me retirei
O rico e farto Triangulo Mineiro encontrei
Aqui imaginei ser e estar integrado
Estudava e o conhecimento esvaia, voava
No inicio era com cimento que trabalhava
Depois com gente que nem imaginava
Nunca na terra, nada no rio, jamais na lavra
Brincava? Ou não brincava?
Acho que sim, por vezes brincava
Bola! Jogava, jogava, jogava e jogava...
Em breve para o campo eu voltarei
Se vou adaptar e integrar ainda não sei
Estudar, comparar e experimentar, certamente o farei
Com o intangível e imaterial, quem sabe trabalharei
Brincar, claro a vida é repleta de brincadeiras
Brincamos sempre, quase nunca compreendemos
Com seriedade, brincar é preciso
Assim o caipira volta às suas origens...


quarta-feira, 24 de junho de 2009

CASAMENTO

Se você é daquelas pessoas afeiçoada aos detalhes vai facilmente concluir que o dia 1º de outubro de 1989 “caiu” num domingo. Aliás, “caiu” não, “levantou” um dia obnubilado, muito frio e coberto por uma garoa gélida, cortante como se diz por lá. Lá, quer dizer “Distrito de Milho Verde”, vilarejo de costumes estranhos, que por esta razão mesmo tem freqüentemente recebido a visita do ilustre repórter, “Mauricio Cubrucci” no seu tradicional “me leva Brasil”. Lá, nas entranhas do Vale do Jequitinhonha, “Milho Verde” contrasta os seus sobrados e casebres em ruínas com imponentes paredões de pedras, formados pelas gigantescas montanhas, talhadas por força divina do criador.
Mas a história não começa lá, na verdade, ela se inicia bem perto, a uma légua de distância dali (6 KM) de descidas e subidas por ladeiras, em um ranchinho de capim, no ano de 1960, na zona rural, onde nasci de parto normal, assistido naturalmente por minha tia, parteira mais “afamada” da região, aliás, minha tia e de todo mundo, considerando que a chamam de “Tia Santa”. Pois é, foi ela quem cortou o meu umbigo e o impregnou de nicotina extraída do seu velho cachimbo de barro, pertencente a algum escravo que o perdera no garimpo em pleno ciclo do ouro. De forma que, aquele velho instrumento, carbonizado pelas abundantes baforadas de tabaco na sua forma natural, (fumo de rolo) foi significativo para o bem estar do nascente, na medida em que visava a sua proteção para que não contraísse tétano, doença que por lá, se conhece como “mal de sete dias”. Se o fedelho, recém-nascido supera o sétimo dia, diz-se que “vingou” ou “escapou”, se não, a pobre e incansável mãe, inicia todo o processo “gozado” de perpetuar a espécie, por lá, com muito maior afinco e intensidade para que haja a devida compensação decorrente do elevado índice de mortalidade infantil.
No período de 1960 a 1973, o meu velho e estimado pai, “chefe da família”, analfabeto, segundo a compreensão mais moderna convencionada no nosso sistema de ensino, contudo, um verdadeiro sábio no que diz respeito às empíricas observações naturais do meio circundante. Levava a sua “vidinha”, polarizada em dois momentos distintos, ou seja, durante o período das águas era agricultor e plantava o que os limites da pequena propriedade permitia para o sustento da família, e, no período da seca tornava-se garimpeiro, cujo sonho era o de “enricar” e quem sabe poder estudar os oito filhos. Só que a cada ano a água se tornava mais escassa e conseqüentemente o alimento menos acessível. Quanto ao artesanal garimpo, bem, esse nunca passou de “um sonho que se sonha só”.
Já a minha mãe, embora semi-analfabeta, uma guerreira na arte de arrancar dos órgãos estatais o suprimento dos seus direitos e garantias fundamentais e foi assim que “a duras penas” conseguiu assistência à saúde para a prole, de tal sorte que, dos nove herdeiros, “vingaram-se oito” média elevadíssima para a realidade local, e, o mais surpreendente é que eu e o varão mais velho conseguimos enganar a fome e mesmo marchando todos os dias pelos 6 KM de trilhas que, ainda hoje, serpenteiam sobre serras, pedregulhos, montanhas e desfiladeiros do vale, que transpõe ainda, três traiçoeiros rios, responsáveis pelo óbito de alguns coleguinhas, conseguimos a façanha de concluirmos a 4ª série do então 1º grau, hoje ensino fundamental.
Foi assim que no ano de 1973, uma numerosa família de retirantes camponeses, fugindo da fome e da seca embarcava para destino incerto, em uma velha jardineira, na estação rodoviária de Sêrro Frio, cidade histórica de Minas, fincada na cavidade de um vulcão em milenar inatividade, dista 30 KM de nossa base rural.
De 1973 a 1979, na cidade mineira de Araguari, além de dedicar-me a noite para os estudos em escola da rede pública, fui, durante o dia: beneficiador de arroz, torrador de café, entregador de condimentos, servente de pedreiro e “picareteiro”, não no sentido pejorativo da palavra, mas de quem vira o dia “de sol a sol”, com a “escadeira” ardendo, curvada a furar valetas pelas ruas a fim de sanear a cidade.
No dia 02 de fevereiro de 1979, “assentei praça”, ou seja, inclui-me nas fileiras da Polícia Militar de Minas Gerais, onde, pude continuar os estudos, tendo concluído o ensino médio em 1994, o que possibilitou a minha inscrição, ainda naquele ano, ao concorrido vestibular para o Curso de Formação de Oficiais da respeitada Polícia Mineira. Concorrendo com 76 (setenta e seis) bem preparados candidatos por vaga, fui felicitado com a aprovação em primeira chamada, tendo iniciado o sonhado curso no ano de 1985, na Academia da Polícia Militar, na Capital do Estado, de onde saí formado, tornando, por conseguinte, oficial de primeira patente em 1989.
Como se vê, 1989 faz parte do início dessa narrativa, quando falamos de um dia de neblina, “obnubilado”, se lembra? Pois bem, devidamente reavivada a memória, podemos, acredito que desta vez, sem delongas, retomar a nossa história, que, a rigor, reporta ao dia 1º de outubro/89 quando, na Capela do Rosário de Milho Verde, em meio a mais tradicional festa cabocla, me tornei um homem conjuminado.
Antes, porém, vamos dar um “pulinho” atrás, no mês de maio daquele ano, quando eu e esposa, na ocasião apenas namorados, fomos premiados com um exame de gravidez positivo, fato este que contribuiu para acelerar a nossa decisão de compartilhar o mesmo “teto” e comer a mesma “saca de sal”. Todavia, como nunca fomos muito afeiçoados àquelas chatices que as recomendações sociais protocolares exigem quando do casamento, desde a escolha das mensagens pedantes, grafadas nos quase sempre vistosos convites, à recepção de convidados, muitos dos quais, insatisfeitos por haver presenteado os nubentes com algo mais pomposo e de maior valia do que a festa lhes ofertadas. Resolvemos então poupar as pessoas desse emblemático episódio. Para tanto, decidimos nos casar na Capela do Rosário de Milho Verde, a 740 KM de onde nos conhecemos, e a época, morávamos. O ponto forte da cerimônia deveria ser a simplicidade, não convidaríamos nem mesmo os parentes mais próximos, apenas, por deferência, anunciaríamos o casamento e aqueles que por ventura comparecessem, seriam, esperávamos nós, acolhidos pelos parentes remanescentes do vilarejo.
Ocorre que, seguindo as tradições e o conservadorismo, da família da companheira, fui forçado, como manda o “figurino” a pedí-la em casamento, o que deveria acontecer durante um almoço oferecido pelo genitor da pressuposta futura virgem noiva, porém, já grávida. São aquelas ficções operadas pelos reacionários de carteirinha, não sabe? Na oportunidade, para não dificultar o que ainda estava por vir, achei conveniente não polemizar as coisas, aceitando todas as condições estranhas daquela refeição diferenciada por via do clima solene e formal que tomava conta dos preparativos que antecedia ao evento, tão bem arquitetado por meu simpático sogro. Durante a degustação das guloseimas, tudo corria muito bem, não obstante, nenhuma manifestação da minha parte consoante à formalização do tão esperado pedido, razão principal, acredito que única mesmo, daquela conturbada reunião familiar. Minha inércia, começou a incomodar, provocando sussurros entre os que ladeavam os acuados e constrangidos noivos, de tal sorte que, a delicada noiva se levantou abruptamente e bradou: O Adélito tem algo muito sério a falar, em função do nosso relacionamento. Todos se silenciaram, e, com um hipócrita exclamativo coro familiar indagaram: o que vocês andaram aprontando? Foi aí que, muito a “contragosto” levantei e disse: ‘Eu e a Celina queremos nos casar, mas dispensamos toda e qualquer opinião a respeito desse fato, porquanto, temos razões para acreditar que as interferências familiares contribuem para a desagregação do casal. Assim sendo, se querem de fato o nosso bem, se verdadeiramente nos gostam, nunca interfiram em nosso relacionamento. Por certo, em nossas vidas, iremos criar situações adversas em nosso relacionamento, todavia, caberá somente a nós, superarmos as dificuldades vindouras, para que possamos sair mais fortalecidos delas’.
Não precisa nem dizer que apesar de aceitar o pouco ortodoxo pedido, nenhum absolutamente, nenhum dos familiares de minha esposa compareceu ao casamento. De igual modo, poucos foram os meus que se fizeram presentes a pitoresca e inusitada cerimônia.
Antecedendo ao casamento, procurei me asseverar de haver providenciado todos os documentos oficiais pertinentes ao evento. Todavia, em respeito a cerimônia religiosa, como sou militar, tive de pegar uma autorização do pároco militar (Capelão) da Capelania militar de Uberlândia/MG, delegando poderes ao pároco da Igreja do Sêrro, município de circunscrição religiosa sobre Milho Verde, para que este, pudesse efetivamente celebrar o matrimonio, e, dado a proximidade do dia 1º de outubro, tive que submeter-me a um “aligeirado” curso de noivo, quase um suborno ao capelão a fim de habilitar de vez para a cerimônia religiosa.
Quatro dias antes do matrimônio, desloquei-me de ônibus para Milho Verde, a fim de proceder aos ajustes finais na oficialização da união. Entretanto, a pobre noiva, “prenha” de 6 meses, que nunca estivera por aquelas “bandas”, se municiou dos remédios contra enjôo, e, devidamente acompanhada por minha irmã, Dirce, embarcaram no terminal rodoviário de Uberlândia, dois dias antes do enlace matrimonial, com destino a tão comentada vila de Milho Verde. Tudo ia muito bem, enfim, chegara o momento mais esperado. No mais perfeito clima festivo, procederam a primeira baldeação 10 horas depois em Belo Horizonte e a segunda, em Diamantina após 16 intermináveis horas de sacolejos e solavancos. Mais a grande surpresa estava mesmo reservada para os derradeiros 44 KM, da mais pura, esburacada e acima de tudo, emocionante estrada rústica, construída na época do Império, por força, sangue, suor e sacrifício dos escravos, que, a cada chibatada, voluptuosamente golpeavam o sólido torrão das gerais, esculpindo nas entranhas das serras tijucanas, o caminho por onde, nos lombos dos burros a riqueza mineira escoava, a famosa estrada real.
Reproduzir o trecho do translado entre Diamantina e Milho Verde, confesso que não será tarefa fácil. Porém, só para “matutar” um pouco a respeito, eu diria que até hoje, a jardineira é um dos poucos meios de transporte por onde flui a produção da localidade, e que também retorna abarrotada com todo o material e suprimentos indispensáveis a sobrevivência da Vila. Logo é compreensível que o veículo de painel amarrado por corda de “embira” tenha poucas cadeiras para acomodar as pessoas, pois o conforto delas, invariavelmente implicaria no sacrifício dos objetos inanimados que também e junto aos passageiros viajam, tais como: Sacos de cimento, peneiras de garimpo, enxadas, pneus, marretas, carombés, latas de querosene, botijões de gás, baldes, bacias, selas, caixas, caixotes, sacas de alimentos, de pregos, ornamentos funerários, incluído urnas (derradeiros leitos) e ainda, alguns semoventes tais como: porcos, galinhas e cabras além de outras bugigangas mais. Em meio a essa emocionante aventura, minha querida noiva grávida, permanecia romanticamente a expurgar, por via oral, o muito do pouco que havia alimentado. E foi mais ou menos assim, a cada Quilometro uma parada, duas descidas e três embarques, que, 22 horas depois de despedir dos pais em Uberlândia, minha amada noiva pisou em solo milhoverdense.
Nos ares puros de Milho Verde, dormiu 14 horas ininterruptas, não comigo! é claro. Minha tia, aquela com a qual compartilhei o momento mais sublime da vida, nada mais nada menos do que o primeiro choro, não aceitou a desfeita de dois ainda solteiros dormirem, naquelas condições só dormirem mesmo juntos, no aconchego do seu respeitado, quase sagrado lar.
Atento que és, percebes que estamos no propalado dia 1º de outubro, não é? Engano, estamos mesmo, diferentemente do vindouro domingo de outubro, um belo sábado festivo, 30 de setembro de 1989, a propósito, dia em que os humanos normais costumam escolher para sacramentar as núpcias, fato este que seguramente contribuiu para que também nós optássemos pelo sábado, seguindo naturalmente as tradições impostas pelas convenções sociais, a final de contas não costuma ser muito elegante fugir às regras protocolares.
Como todos os detalhes estavam preparados para a celebração de logo mais, decidimos tomar um banho de cachoeira com o propósito de, em alto estilo nos despedirmos da vida “apartada” dos solteiros. E foi ali, no primeiro olho d’água, do poético rio Jequitinhonha, a duas horas do casamento que recebi a notícia de que o padre precisava falar comigo com urgência, pois, em derradeira supervisão técnica, havia encontrado uma falha nos documentos que o impedia de celebrar a cerimônia.
Faltando cerca de uma hora e meia para o ato oficial, o velho e decadente padre aposentado a mais de 30 anos, com semblante visivelmente abatido pela presente decepção, abordou-me dizendo da sua agonia e profundo sofrimento, pelo fato de não poder concretizar o casamento, uma vez que, em sendo aposentado, não podia obviamente ser o pároco da localidade, de modo que não era do ponto de vista eclesiástico competente para presidir a solenidade, a não ser que o padre titular, da vizinha cidade do Serro, substabelecesse a autorização do Capelão Militar outorgando-lhe competência. Nesse ínterim, um turista que costumava praticar cróss nas montanhas de Milho Verde, sensibilizado com o ocorrido, ofereceu-me a sua potente máquina de duas rodas, para que fosse ao Serro, atrás do tal pároco da Capela do Rosário.
Como ainda faltavam cerca de 80 minutos para que eu transpusesse a fronteira que marca o “aparteith” das categorias, solteiros/casados, confirmei a cerimônia tal qual havia programado. Arrebatei o processo das tremulas mãos daquele cadavérico ancião religioso e a partir daí entreguei-me por completo aos excessos caprichos burocráticos da “Santa Madre Igreja Católica”. As 18:15 horas, totalmente revestido pela textura artística pintada pela natureza e o magnífico efeito teórico da ação e reação bem como da gravidade, onde todo pó que sobe tende a descer e ainda com um capacete de gladiadores extra-terrenos, adentrei “atabalhoadamente” à Igreja bem em meio a uma cerimônia de casamento, justamente no momento em que o padre apontava o dedo em riste e indagava se havia dentre os presentes alguém que sabia de algo que pudesse impedir àquela realização. Como não tinha tempo a perder, do contrário comprometeria, não aquele mas o meu casamento, rompi as normas educacionais e protocolares anunciando em alto e bom tom que gostaria de falar em particular com o Padre, logo, como era de se esperar, todos os presentes se mostraram espantados com a petulância, e ao perceberem que o meu “apoquento” nada se relacionava com um eventual impedimento daquele ato temporariamente interrompido, mostraram-se indignados pelo aviltamento a tão nobre momento. De forma que, para evitar um linchamento, que deixaria a minha pobre esposa viúva sem se casar, assumi com alguma dificuldade o microfone do padre e, me justifiquei de público o momento angustiante por que passava. O padre, agora sensível ao drama, assinou imediatamente a autorização e sai correndo corredor afora, no que fui acompanhado por muitos que se posicionaram do alto da pedreira da Catedral, onde batiam palmas e se diziam torcendo para que eu chegasse a tempo do casório.
Cinco minutos depois, já fora do perímetro urbano, as adutoras do céu se romperam e uma verdadeira cachoeira desaguou, um novo “dilúvio” se estabeleceu naquele canto do planeta água, mas como ainda tinha uns trinta minutos e o firme propósito de realizar o intento, não me contive segui viagem, só que ao chegar no rio do peixe, aquele não mais se continha nos limites de sua “caixa”, abraçava toda a periferia de sua orla, invadindo espaço alheio e não se via nem sinal da ponte por onde o jovem nubente necessariamente deveria passar.
Desse modo, o insistente movimento de translação e rotação da terra, acobertado pela singularidade cósmica, fez com que o tempo continuasse o seu curso natural e impassivo diante do meu sofrimento, atropelando por conseguinte as pretensões do noivo, sem se quer parar para prestar o socorro. Assim, passaram-se as 19:00 horas do casamento, foram-se as 20:00 horas do que seria pós casamento, as 21:00 horas da festa ficaram para trás e as 03:00 horas da “lua de mel” seguiram o mesmo caminho. Só que foi justamente nesse horário sem “lua de mel” ou lua “astro” que o autoritário e pouco casamenteiro rio do peixe, liberou o meu alvará de soltura, quando então pude seguir viagem, chegando a Milho Verde por volta das 03:30 Horas, ocasião em que encontrei a todos rezando por minha sorte, já que a possibilidade de haver sido devorado pelas bravas águas do rio eram grandes.
Ao chegar e deparar com toda aquela gente, alguns até chorando, emocionei-me, foi então que procurei pelo padre, afinal de contas ainda havia “coro” para a realização. Então veio a informação de que o pobre decrépito havia com muito pesar se recolhido às 23:00 horas, não sem antes liderar uma corrente de oração por mim. Imediatamente desloquei-me até a hospedaria e o contatei dizendo que todos estavam prontos para a esperada cerimônia e ele muito simpático disse que àquelas horas não tinha condições físicas de celebrar o evento, mas que pela manhã, às 07:00 horas, estivéssemos na Capela, quando então o evento se realizaria.
Embora, o leitor esteja atento à cronologia, é sempre bom lembrar que estamos na madrugada do dia 1º de outubro de 1989 e como não me pareceu compensador e nem prudente, dormir as 04:00 horas para levantar logo em seguida, reuni com uns amigos ligados ao grupo de congado, se lembra que estamos em plena festa do rosário cujo congado tem efetiva participação? Bem mas isto não importa muito agora, o certo é que com estes amigos, saí homenageando algumas famílias com uma animada serenata, e com o “turvar” do dia despedi do grupo, não sem antes os convidar para tocar na cerimônia que se aproximava, considerando que àquelas alturas o relógio já transpunha os limites das 06:20 horas e o astro rei denunciava, não ter mais condições de se esconder atrás da montanha, os seus primeiros raios escapavam por sobre o crepúsculo de uma densa camada de névoa atingindo a “várzea” orvalhada, coberta por aquele gigantesco manto branco, dando a entender que ali também o sol celebrava um casamento entre a “várzea” e o “lajeado”.
Ao chegar à casa da tia, não mais encontrei a noiva, uma vez que havia saído cedinho para, juntamente com minha irmã, além de testemunhar o abstrato casamento do “lajeado” e a “várzea”, colher algumas flores do campo a fim de enfeitar o arranjo para o seu, mais real e concreto casamento. Foi então que vesti o uniforme de gala dos oficiais e desloquei-me para a Capela, onde já encontrei com os colegas do congado e por ali ficamos tocando os seus rústicos instrumentos. Na seqüência chegaram alguns parentes, meus pais, o padre e alguns sonolentos turistas que deixavam suas barracas armadas em volta da igreja. O relógio anunciou 07:15 horas e a noiva não chegou, 07:30 horas e a noiva nada, 08:00 horas e tia Santa, se lembra dela? Entra como doida Capela adentro dizendo que a noiva e minha irmã haviam sumido, foi quando, nos divididos em grupos e todos os presentes saíram numa verdadeira expedição de varredura a procura das duas, tendo um primo a felicidade e sorte de as encontrar acuadas em cima de uma árvore de jequitibá a “espiar” um boi que pastava bem abaixo, tocando-o, ou melhor ofendendo-o, considerando que gritavam como se toca galinhas, isto é: xô... xô... xô..., e como se sabe, boi se toca assim: Héeiá boi... Héeiá boi... Heia boi...
Portanto, às 09:15 horas de Domingo, do dia 1º de outubro de 1989 foi que consegui recrutar três amigos, Tenente Paulo Dias, Tenente Sales e Sargento Duarte, alguns parentes e outros nunca vistos turistas a fim de serem meus padrinhos de casamento e só então iniciar a cerimônia, que para completar foi, como tudo que a antecedeu uma verdadeira loucura. Primeiro o padre, sem que eu soubesse, tratou de expulsar o grupo de congado em razão da “latumia”, ou seja, do barulho ensurdecedor que promovia. Segundo, em função das caduquices, decrepitude e forte limitação visual do pároco, tive que pessoalmente assumir quase que todas as leituras que envolveram a cerimônia religiosa. Em virtude das diversas interrupções e o conseqüente esquecimento do pároco sobre o ponto onde havia parado, por excesso de zelo e prudência, iniciava ele todo o ritual do casamento desde o início. O compromisso de ser fiel na vida, doença, etc..., me lembro havê-lo feito três vezes. Teve um momento, onde o religioso se lembrou de que fora ele quem fizera o batizado e o casamento do meu pai, então cuidou de chamá-lo para o altar onde o casamento foi deixado de lado e falou-se de tudo que antigos amigos distantes, que não se vêem há muito costumam falar, menos obviamente de casamento.
Deixo de estender mais consoante ao ato em si, uma vez que, aquilo que o filmador, a propósito, pessoa esta nunca antes vista por mim, mas que ao receber o convite para o apadrinhamento resolveu, “de per si” proceder a filmagem, fato idêntico ocorreu com o fotografo, não fosse isso, não haveria registro já que não houve contratação específica para essa finalidade. Bem, o que quero dizer é que quanto ao ato o que não foi cortado pela habilidade amadora do filmador está registrado e pode ser comprovado, constitui prova material do alegado acima.
Se lembre que a primeira noite em milho verde não foi possível dormir com a noiva, por expressa ordem imperativa da tia Santa, a segunda, passei esperando a vazante do rio, pois é, e a do matutino casamento dominical também não, porquanto, depois da festança no boteco do finado primo “Fio”, lá pelas tantas quando nos recolhemos encontramos o sonhado leito dos nubentes, ocupado pelo Quelé, um negrão de 1,80 m, criado desde menino por minha tia, amante fervoroso do “aperitivo” (cachaça) em larga escala, que, em avançado estágio etílico, prostrou-se na cama do jovem casal... Pode? Dá ou quer mais?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

COTIDIANO

Todo dia um novo dia
Fim do dia a mesma coisa
Nunca nada é diferente
Numa vida constante tão e sempre igual
Ditando comportamento coerente
Pela frente pessoas do bem e do mal
Uma massa de gente das mais previsíveis
De insistente comportamento igual
Algumas fazem coisas incríveis
Outros anormais, tão desiguais.
Nesse ambiente não fico
Outro lugar não encontro
Assim é que espero um novo dia.
Que já amanheça diferente
Mais a mesma aurora de cada dia
Nos leva a idêntico fim do dia
O inexorável e mesmo sol se põe
Uma nova, porem igual a velha noite surge
Sobrevém as mesmas e monótonas horas
E de novo o velho e tradicional dia
Igual ao de ontem
Nada diferente do anterior
Do jeitinho do de amanhã

terça-feira, 12 de maio de 2009

A TERAPIA DO SORRISO

Não chore, não guarde, nem conserve rancor. ‘Nunca. Jamais’ alimente a tristeza. Se assim o fizer, ela crescerá e se alastrará, tomando conta do seu ser, te sufocará de toxinas, tornando irremediavelmente a sua vida amarga.

Lembre-se de que a vida se constitui de momentos agradáveis, mas também de adversidades. Esteja certo, absolutamente certo de que tudo passa tudo passará nada se eterniza, portanto alegrias e tristezas são passageiras, assim como as ondas do mar, elas vêm e vão, permanecendo maior tempo àquelas que melhor forem alimentadas.

Por isso dê as costas às tristezas e quem lhes as fornece, ocupe o seu tempo, nutrindo e preservando a sua felicidade, ela não está dentre e não integra a listagem dos elementos universais cogitados de extinção, sua alegria só depende de você, por que és tu o responsável pela alimentação e manutenção da própria alegria.

Sorria, o seu sorriso é um dos mais férteis alimentos da alma, ele transforma o ambiente, drena e purifica as energias vitais. Então não espere ser filmado, sorria agora, mesmo no anonimato, o seu sorriso tem o condão de melhorar o seu astral e de contagiar as pessoas ao seu lado, rsrsrsrsrsrs.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

EU ETERNO

EU ETERNO

A morte não deve ser o fim!
O exercício de vida, no dia-a-dia vivida,
Pode até sacrificar os movimentos do corpo
E a inércia ilude, mas longe do fim!
A terra se despe, se abre e se fecha
Agasalha, pobre matéria taciturna.
Decomposto é não composto.
Fertilizante, mais início menos fim.
Vida nova no jazigo do alto da Serra Casada.
Bela fogueira de gente, canela e candeia.
Solidão não há.
O vento sopra. Poeira do corpo, poesia da alma.
A cinza voa, nela eu.
A cascata no Pé-da-serra
Um pouco de mim recebe e canta.
Entoa sua harmoniosa melodia
Orquestrada no tilintar das pedras da queda d’água.
O campo ironicamente florido de “sempre-vivas”
Transforma-se num instrumento musical
Tocado pelo vento que sopra distribuindo o ilustre pó
Naquele belo, brilhante e branco lençol da viva flor.
O lajeado silencioso parece censurar o mato-tú-tú
Por naquele dia hospedar
Ruidosas cigarras e pássaros a bradar
As taquaras estalam, são aplausos fúnebres
Só o jequitibá frondoso chora no seu ranger de galhos.
O dia se entrega e é devorado pela noite.
Lá, bem no “alto” da serra!
Que belo, será isto o céu?
Milho Verde a reluzir no topo da montanha
Guarda muitas histórias, inclusive a minha.
Diamantina de longe pisca
Como que vaga-lumes a refletir nas múltiplas faces dos cristais
Serro, coitado, no buraco enterrado
Não me pode ver.
A lua. Que lua encantadora!!! hoje posso tocá-la
Nossa! É noite de luas gêmeas
Uma no céu e a outra no espelho d’água
É o misterioso poço escuro a esculpir o quadro do dia
Lua em cima lua em baixo, a serra no meio e eu labareda a crepitar
E dizer que é o fim. Como fim! É tudo começo.
O primeiro raio do astro rei brota na topo da colina.
É prenuncio de noite que se rende para dar lugar a novo dia.
Êpa! Não estou só?
Que susto!
Apenas um cão sem destino, lagartixas e calangos
Disputando o calor da pedra jazigo filosofal!!!


Uberlânida/MG
Adélito * Domingo – 01/06/03 # 16:25 horas

sexta-feira, 24 de abril de 2009

PORTEIRA


O PARADOXO DA PORTEIRA

É uma barreira, um bloqueio?
Ou é um ponto de acesso destinado
Talvez seja um controle que restringe ao meio
Por certo é uma porta controlada
Ora de saída, ora de entrada
Por ela se vai, por ela se vem
O tempo, as pegadas apagam
Porém as marcas te acompanham ao além
Ela te limita, te encolhe, te prende
Mas também te liberta, te propaga, te ascende
A vida é caminhada, é pura travessia
Contudo, existem porteiras no meio do caminho
Mas ela não domina a situação
Falta-lhe o império da consciência
Você decide se vai ou se fica
Se fica ou se vai não tem relevância
Não é ai que reside a medida
Há momentos de permanência
E há momentos de partida
Na mobilidade da existência
Por vezes, ocorre falta de fruição da vida
O que não se pode e não se deve
É responsabilizar a porteira...

Udia, 24/04/2009-18:50

terça-feira, 31 de março de 2009

SER OU NÃO SER...


Ser um “ex” é normal próprio e possível
Há, para ele, paradoxalmente ‘espaço’ “vip”
Me escancaro e felicito os “ex” fumantes
Que me dizeres dos “ex” traficantes?
E toda sorte de “ex” marginais
Não são triunfantes
Mas também não são anormais
Prestigio o extrovertido que um dia foi deprimido
Mas o mais notável da vida restante para viver
É inexorável, será da qualquer forma e jeito vivida
Tudo é uma questão de escolha e atitude
As vezes ser “ex” é possível
Noutras é impossível e incompatível
Nunca verá na história um “ex” policial
Se por 30 anos foi verdadeiro e integral
Ser policial é dom, queda, tendência ou vocação
Também não há registros de “ex” poeta
Não é físico não é corpo é alma e coração
Portanto não mereço punição
Há momentos em que sou “ex”
Há momentos que não
Um pouco de melancolia
Uma dose de reflexão
Doma o corpo enternece a alma
Contem a animal
Liberta o homem...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

FIM DE CARREIRA



Frutal, 31 de dezembro de 2008


Quero nesse momento externar a minha honra de pertencer a Polícia Militar de Minas Gerais, essa corporação maravilhosa que me concedeu o privilégio de poder conduzir uma vida dedicada a servir o meu semelhante. Nesse período de 30 anos, me esforcei para não decepcionar a família, a corporação, os meus colegas de trabalho e a comunidade como um todo. Tentei ser o escudo protetor de pessoas que sequer conhecia, procurei absolver as agressões e males a elas canalizados, foi esta a minha escolha, a propósito, característica muito própria da profissão Policial Militar, ser o escudo protetor da comunidade.


Acertei muito, também errei na justa proporção humana, e que bom que errei, conheço pessoas que quase nunca erram, mas levam uma vida modorrenta. Sem se arriscar avançaram pouco no exercício de suas atividades profissionais e também encolhem no que tange a conquista dos seus objetivos dentro do próprio projeto de vida. Tenho sido iluminado inclusive nos erros, porquanto, se de um lado não têm provocado efeitos muito gravosos, por outro norte tem sido um fundamental e pródigo elemento pedagógico, foram, portanto, divinas inserções cognitivas na minha vida em que tive a oportunidade de aprender e a crescer, assim como outros atores sociais também a tiveram.


No ano de 2008, eu e os meus ilustres colegas de trabalho, hoje amigos, aos quais serei eternamente grato, conseguimos baixar vertiginosamente a criminalidade e a violência nos nove municípios que compõem a 4ª Cia PM Ind. Para que pudéssemos experimentar o doce sabor dessa vitória, os colegas militares tiveram que desdobrar, nada foi alcançado sem o esforço e sacrifício de todos e de cada um em particular. Precisávamos maximizar as ações policiais, potencializando a repressão qualificada e a prevenção ativa, e, isso não se faz sem o esforço e o empenho pessoal de cada companheiro bem como o comprometimento de todos, que, na rua deram maior visibilidade as ações e operações levadas a efeito nesse grande e exitoso projeto.


Por outro lado, em que pese a baixa da criminalidade, a maior presença e visibilidade de um policiamento mobilizado nas ruas, procedendo a abordagens e ocupando pontos estratégicos, não conseguimos avançar no sentimento das pessoas no que diz respeito a sensação de segurança e conseqüente redução do medo decorrente da violência, uma vez que ouvindo as pessoas nos seus comentários sobre criminalidade dá-se a impressão de que o crime aumentou, portanto os comentários são inversamente proporcionais a concretude dos fatos em que a baixa dos índices da criminalidade é fato consumado, real, visível e inquestionável. Este é um debate necessário a ser estabelecida entre o Sistema de Defesa Social, a imprensa e a comunidade destinatária dos nossos serviços.


Por fim e não menos importante, aproveito o momento oportuno e espaço privilegiado para mais uma vez agradecer aos profissionais que comigo laboraram durante este ano, aos parceiros do Sistema de Defesa Social, aos membros da imprensa, aos agentes políticos do executivo e do legislativo, assim como as suas competentes equipes de trabalho, aos clubes de serviço, também os nobres integrantes das Lojas Maçônicas, as entidades representativas de classes, as diversas associações, notadamente a ACASPO, aos colegas e amigos da OAB, aos integrantes do Corpo de Bombeiros, do Tiro de Guerra, agradeço ainda de forma muito especial aos integrantes da comunidade, destinatária final dos nossos serviços, que, com muita fidalguia aqui me acolheram.

Um forte e fraternal abraço, desejo a todos uma vida longa, próspera de felicidades saúde e sorte.
Adélito Barroso Faria, Maj PM
Comandante da 4ª Cia PM Ind

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Alma Santa


TIA SANTA

Não sei como ao mundo viestes.
Não sei por qual porta entrastes.
Sei que aqui chegou.
Permaneceu, viveu, realizou.
Parteira afamada.
Ao sinal de gravidez avançada
Santa sai. Pé na estrada.
Noite escura; chuva e trovoada.
Lá vai e consigo leva
Imagem de Nossa Senhora do Bom Parto.
Para que parturiente tenha uma boa hora.
É Santa que carrega Santa.
E não há Santo que diga, qual é mais Santificada.
Sob os cuidados das Santas.
Todas tiveram uma boa hora.
Mais de 500 umbigos cortados.
Nenhum óbito.
Centenas de afilhados.
É Santinha de Amantino.
Santa Mãe de Natércio.
Minha consangüínea Tia Santa.
Irmã de Pai, de João e José.
Tia Santa de Milho Verde e de todo mundo
Mãos que estimularam tantos pulsares.
Agora já não pulsa mais.
Primo Vavá, sobrinho de Tia Santa
Abriu cova profunda e lamacenta.
Deixou à mostra argila branca da paz.
Terra fértil que a Tia Santa acolheu.
E pela derradeira porta aberta no chão de Milho Verde
Pela última vez, Tia Santa entrou.
Eu vi o jazigo, na hora chovia.
Não era uma garoa comum.
Eram anjos que ao recebê-la
Emocionados lacrimejavam.
Eu também chorei
Também agora....

Adélito Barroso Faria
Uberlândia, 27/06/07 – 21:30

Adélito Barroso Faria
Uberlândia, 27/06/07 – 21:30

MARIA MARIA MARIA MARIA MARIA MARIA

MARIA MARIA MARIA MARIA MARIA MARIA

Amazona encantada na vida a cavalgar
Segue o seu caminho aonde o destino te encaminhar
Muito pouco acelera, a exceção é o galopar
Aos solavancos vai, por vezes a vontade é apear.

Condutora iluminada na vida a guiar
Estrada truncada de poucas retas e minguadas planícies
Sobe, desce e vira, quase desiste pensa em voltar
Pista esburacada e hostil a promover o fadigar

Nauta espetacular na vida a velejar
Maré alta que a sua frente põe-se a quebrar
Pequeno barco a remar, como pode atravessar?
No leme em mar bravio, firme continua a navegar

Comandanta exemplar na vida a pilotar
Vôo cego sem instrumentos a apoiar
A rota turbulenta impõe o continuar
O vento é forte e frio, mas compensa o luar

Ciclista singular na vida a pedalar
Trilha estreita, incerta e traiçoeira
No guidon, braços fino e frágeis a segurar
É preciso concentração e arte no equilibrar

Iluminada andarilha na vida a caminhar
Passo a passo, cadencia certa sem titubear
Evita atalhos e saltos, sequer arrisca um trotar
Sabe-se que a estrada da vida não se deve encurtar...

Sublime figura tu és a própria candura
Terna e doce como mel
Antagônica, às vezes se torna feroz e dura
Amarga e ácida que nem fel.

Imensurável caráter, destacado como na procissão o andor
Personalidade forte tal qual ao jequitibá frondoso
Forjada fostes no mais puro e afetuoso amor
De uma família feliz por que a ti herdou.

Maria, minha querida e muito amada Maria
Maria forte, marambeira que luta e que brilha
Frágil Maria, que pede abraço e chora colo
Maria mãe, Maria filha, minha iluminada irmã Maria

Maria bela, Maria fera
Por quem te encantas Maria
Maria única, menina, morena, mulher
Maria dos Anjos, Maria Faria
Ou simplesmente Maria...

Uberlândia, 30 de julho de 2007.
Adélito Barroso Faria, 21:30

SER OU NÃO SER...


Ser um “ex” é normal próprio e possível
Há, para ele, paradoxalmente ‘espaço’ “vip”
Me escancaro e felicito os “ex” fumantes
Que me dizeres dos “ex” traficantes?
E toda sorte de “ex” marginais
Não são triunfantes
Mas também não são anormais
Prestigio o extrovertido que um dia foi deprimido
Mas o mais notável da vida restante para viver
É inexorável, será da qualquer forma e jeito vivida
Tudo é uma questão de escolha e atitude
As vezes ser “ex” é possível
Noutras é impossível e incompatível
Nunca verá na história um “ex” policial
Se por 30 anos foi verdadeiro e integral
Ser policial é dom, queda, tendência ou vocação
Também não há registros de “ex” poeta
Não é físico não é corpo é alma e coração
Portanto não mereço punição
Há momentos em que sou “ex”
Há momentos que não
Um pouco de melancolia
Uma dose de reflexão
Doma o corpo enternece a alma
Contem a animal
Liberta o homem...