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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Alma Santa


TIA SANTA

Não sei como ao mundo viestes.
Não sei por qual porta entrastes.
Sei que aqui chegou.
Permaneceu, viveu, realizou.
Parteira afamada.
Ao sinal de gravidez avançada
Santa sai. Pé na estrada.
Noite escura; chuva e trovoada.
Lá vai e consigo leva
Imagem de Nossa Senhora do Bom Parto.
Para que parturiente tenha uma boa hora.
É Santa que carrega Santa.
E não há Santo que diga, qual é mais Santificada.
Sob os cuidados das Santas.
Todas tiveram uma boa hora.
Mais de 500 umbigos cortados.
Nenhum óbito.
Centenas de afilhados.
É Santinha de Amantino.
Santa Mãe de Natércio.
Minha consangüínea Tia Santa.
Irmã de Pai, de João e José.
Tia Santa de Milho Verde e de todo mundo
Mãos que estimularam tantos pulsares.
Agora já não pulsa mais.
Primo Vavá, sobrinho de Tia Santa
Abriu cova profunda e lamacenta.
Deixou à mostra argila branca da paz.
Terra fértil que a Tia Santa acolheu.
E pela derradeira porta aberta no chão de Milho Verde
Pela última vez, Tia Santa entrou.
Eu vi o jazigo, na hora chovia.
Não era uma garoa comum.
Eram anjos que ao recebê-la
Emocionados lacrimejavam.
Eu também chorei
Também agora....

Adélito Barroso Faria
Uberlândia, 27/06/07 – 21:30

Adélito Barroso Faria
Uberlândia, 27/06/07 – 21:30

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