EU ETERNOA morte não deve ser o fim!
O exercício de vida, no dia-a-dia vivida,
Pode até sacrificar os movimentos do corpo
E a inércia ilude, mas longe do fim!
A terra se despe, se abre e se fecha
Agasalha, pobre matéria taciturna.
Decomposto é não composto.
Fertilizante, mais início menos fim.
Vida nova no jazigo do alto da Serra Casada.
Bela fogueira de gente, canela e candeia.
Solidão não há.
O vento sopra. Poeira do corpo, poesia da alma.
A cinza voa, nela eu.
A cascata no Pé-da-serra
Um pouco de mim recebe e canta.
Entoa sua harmoniosa melodia
Orquestrada no tilintar das pedras da queda d’água.
O campo ironicamente florido de “sempre-vivas”
Transforma-se num instrumento musical
Tocado pelo vento que sopra distribuindo o ilustre pó
Naquele belo, brilhante e branco lençol da viva flor.
O lajeado silencioso parece censurar o mato-tú-tú
Por naquele dia hospedar
Ruidosas cigarras e pássaros a bradar
As taquaras estalam, são aplausos fúnebres
Só o jequitibá frondoso chora no seu ranger de galhos.
O dia se entrega e é devorado pela noite.
Lá, bem no “alto” da serra!
Que belo, será isto o céu?
Milho Verde a reluzir no topo da montanha
Guarda muitas histórias, inclusive a minha.
Diamantina de longe pisca
Como que vaga-lumes a refletir nas múltiplas faces dos cristais
Serro, coitado, no buraco enterrado
Não me pode ver.
A lua. Que lua encantadora!!! hoje posso tocá-la
Nossa! É noite de luas gêmeas
Uma no céu e a outra no espelho d’água
É o misterioso poço escuro a esculpir o quadro do dia
Lua em cima lua em baixo, a serra no meio e eu labareda a crepitar
E dizer que é o fim. Como fim! É tudo começo.
O primeiro raio do astro rei brota na topo da colina.
É prenuncio de noite que se rende para dar lugar a novo dia.
Êpa! Não estou só?
Que susto!
Apenas um cão sem destino, lagartixas e calangos
Disputando o calor da pedra jazigo filosofal!!!
Uberlânida/MG
Adélito * Domingo – 01/06/03 # 16:25 horas

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