Quando tiro para cozinhar, lavo, enxugo e guardo.
Não é sempre que acontece, mas quando ocorre faço bigode, cabelo e barba.
No geral, não participo de leilões, não me apraz, a tradição do quem dá mais.
Só me vendo em prisão de festa de São João, quem paga a fiança me leva.
Participo do correio elegante, rola barraca do beijo, tudo pela caridade.
Há em mim um tempero picante que leva à dependência e ao vício.
Para salvar ovelhas, enfio a mão nua e arranco pela raiz a erva daninha do campo e do caminho.
A mesma mão ultrajada que salva, pega as armas e vai a guerra.
Não sou de sacrificar a ingenuidade e nem zombar da inocência de outrem.
Por isso, um anúncio que oferta carne fresca em outdoor ou em redes sociais me ofende.

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