Neste sentido, como não sou
cardiologista diria então que o coração é moradia das emoções, uma formação pouco
compacta, nada densa, não tem chaves e muito menos portas ou qualquer barreira
que limite o trânsito de entrada, saída ou permanência.
O dono desse emblemático espaço
de convivência afetiva, via de regra, só o administra, é uma espécie de
preposto desse soberano hipossuficiente, uma vez que dele somos representantes,
contudo, moramos em outros corações alhures.
Ninguém tem o coração totalmente
preenchido e nem absolutamente vazio, há sempre espaço livre em qualquer
coração, não só nos maternos como querem alguns, mas em todos.
Quem chega traz consigo dois frascos
de aromas, um de boas e agradáveis fragrâncias e um outro de elementos mais
cítricos, mesmo que saia, os recipientes permanecem ali, conectados ao celebro,
e depositados na zona dos sentimentos, do lado esquerdo do peito, no fundo do
coração para nunca mais sair.
Conforme o comportamento,
conduta, atitude e gesto dos detentores destes respectivos recipientes, são
eles acionados pelo celebro e liberam dosagens proporcionais do aroma em
quantitativo correspondente as variáveis da conduta de cada um e assim se formam
as relações sociais de amor, amizade, consideração, indiferença e ódio.
Algumas pessoas parecem ter os recipientes
com defeito nas válvulas de controle de aspersão, enquanto nas pessoas mais
iluminadas observa-se uma certa cavidade que da vasão as mais nobres fragrância
com uma constante, sistemática e nada econômica libertação de fluidos, enquanto
que no outro frasco desta mesma pessoa, se verifica um certo bloqueio no
sistema de fluxo. Já com relação às pessoas malévolas o fenômeno ocorre inversamente proporcional.
Explicado os extremos da bondade
e da maldade, há um grupo de evolução espiritual intermediária, que, em maior
ou menor escala, quando estimulados respondem liberando aromas de ambos os
tubos na justa proporção dos respectivos estímulos, positivos e ou negativos,
ora um, ora outro, conforme os recepcionam.
E você meu amigo, minha amiga,
que cheiro mais exala? A fragrância dos anjos, ou a inhaca das feras? Mais do
que o aroma que dispersas, podeis sinceramente me dizer, como tenho me
comportado na qualidade de inquilino dessa sua moradia nobre, chamada coração?

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