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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

O que é do homem a terra come, inclusive o homem.

Terra faminta de Milho Verde. 
Que mais quereis tu de mim?
Se o próprio Pai lhe entreguei!
Piçarra de cobiçados diamantes escondidos.
Chão impiedoso que o meu tesouro abriga.

Tu não provará o gostinho da minha inerte carne.
De mim, talvez as cinzas disfarçará a sua acidez.
Nem o resto da cachaça do santo dar-te-ei. 

Ilha jaz de terra fértil na aridez deste agreste mineiro.
Não vale a pena golpear-te com a enxada na cara.
O seu estéril útero seco só gera espinhoso cacto. 
Ando descalço nas serras e cachoeiras, por lá encontro boas energias.
Em ti traiçoeira eu piso e a ti sem dó amasso na sola do velho coturno.
Foi o tempo em que eras toda florida, 

os recém chegados ate dispensavam as coroas.
Hoje nem o pé de manacá de minha avó, mãe de pai existe mais.
Não sou de guardar rancor e muito menos ódio.

Sei que és maltratada pelo amargor dos que ficam.
Aqui estou para me melhorar e também aos arredores.

A ti darei uma prova de amor dessa nova comunhão.
Plantarei gramas e flores bem no canto do seu rincão.

Na sombra do jatobá, selo a paz e lhe estendo a mão. 
Em breve a beleza e magia do passado iniciarei a reintegração.
Quem sabe a moda pega, e ao invés de blocos cinza de cimento.
Te vestimos com delicada grama e flores no look da estação.

 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Solitária Cela

Eu que já era introspectivo, agora depois de haver sido virado aos avessos por uma avalanche de sentimentos traumáticos e separatistas, tendentes a mudar o curso das práticas cotidianas, me comporto como um zumbi canibal que quer se alimentar da amada carne. 
Soterrado nesse buraco negro universal, tento olhar o meu eu interior mas estranhamente, tudo parece tal qual dantes como se olhasse em um espelho, sinto que a minha essência se revela expressa e externa para todos do lado de fora de mim mesmo, mas não se coisifica com consistência sólida, pelo contrário, se apresenta como uma cortina de fumaça que desaparece com a mesma frequência e intensidade em que é roubada pelos pensamentos angustiantes. 
O grande antagonismo é que não me sinto preso, mas também livre não estou, não abandonei ninguém e por ninguém fui abandonado. Creio que o movimento de rotação e translação da terra tem o condão de mudar tudo o tempo todo e no embalo desses movimentos, corpos retornam ao pó e almas vão e vêem, se aperfeiçoam e se sintonizam com a dinâmica do melhoramento espiritual. 

Neste sentido, cada um tem a sua agenda, o seu alvará de soltura, o ideal é que aproveitemos a gaiola material do corpo, feito sob medida para que cada um melhore tendo a si mesmo como referência depuratória, que aperfeiçoe e passe com louvor em todas as provas e se graduem grandes e iluminados promotores do amor incondicional, em qualquer plano existencial em que se encontre. 








domingo, 24 de fevereiro de 2019

Órfão

Pai o senhor se foi 
E eu não sei o que dizer
Doe muito a vida sem você
As idéias se confundem
Nem dá para escrever
O dia ficou triste
A noite insuportável
O rosário continua lindo
E os meus olhos se bloquearam para tudo que é belo
D. Flor veio em condolências me consolar
Abracei D. Flor de Maio
Senti o aroma do seu jardim pai
O cheiro afetivo seu e das suas flores me vieram
O senhor cultivou em todas as estações
Pai querido você plantou muito nessa vida
Semear o bem foi o seu ofício
Vai na paz, agora é hora de colher 

Pai eu te peço a benção
Eu também vos abençoou 
leve a sua luz e o bom humor
O plano espiritual se divertirá
Sinta-se liberto para poder seguir...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Abstrações

O gênero humano traz por excelência o DNA social, é, por conseguinte, constituído por seres racionais e sociáveis que se esforçam para viverem em grupos numa relação de parcerias e amabilidades. 
Claro que para povoar esse grande universo hoje substancialmente habitado, e sem querer me aprofundar na cognição epistemológica, obviamente que o cruzamento entre fêmeas e machos humanos primitivos se impôs, sem os quais não haveria a perpetuação da genial espécie que com o tempo nos tornamos. 
Na medida em que os humanos se desenvolviam também as suas relações foram ficando geometricamente mais complexas até chegar ao antagonismo filosófico contemporâneo em que as parcerias ganharam formatações pluralizadas, diversas da origem onde a conexão dos opostos dominavam os costumes e firmava os paradigmas. 
Em que pese toda a metamorfose, contorcionismo e transformações sociais, o fracionamento do todo em grupos menores nunca mudou e, hoje paradoxalmente o maior grupo em termos quantitativos também é o menor e mais importante, em que duas pessoas se unem formando pares. 
Tais parcerias têm sofrido com o desgaste da convivência ininterrupta e da quase unicidade no par, como que numa relação siamesa, confundindo a identidade pessoal de um e de outro. Essa relação de imperativo categórico religioso em que ambos se fundem numa só pessoa, como se isso fosse saudável para o individuou e para a relação. 
Hoje o fracasso das parcerias reside nesse modelo que sacrifica a identidade, vilipendia a liberdade e aprisiona o espírito.