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Baseado no trabalho disponível em http://adelitobf.blogspot.com.br/.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

O que vale a vale?


Para que serve a vale?
O que vale a vale¿
De que vive a vale?
Se é que vale, vale pra quem?
Um irmão morto por negligência vale?
A vale se vale da negligência e da impunidade.
Não há vida nos destrutivos vales da vale.
A vale fere a terra, envenena e a deixa agonizar.
Quem está sobe esse vale de lamas?
A vale e os seus gestores?


As autoridades fiscalizadoras?
Os podres poderes que liberaram a exploração?
Quem atestou seguridade da represa?
Quem mais se ferra com o ferro da vale?
Nessa pocilga promíscua, vale tudo.
Essa lama respinga em todos nós que deixamos de indignar pelas condutas desviantes em todos os setores, sejam públicos ou privados.
Será que vale a pena?

domingo, 13 de janeiro de 2019

Aborto

Os nossos projetos são sempre importantes, muito importantes, os mais importantes.
Egoisticamente achamos que os nossos projetos e ou problemas são maiores do que dos outros.
Na verdade as coisas são personalizadas e têm o carimbo individual e a justa medida da necessidade e capacidade de cada um nós. 
Não conhecemos a vivência e nem a trajetória do outro, nem mesmo lembramo-nos do nosso passado remoto de outras encarnações.
De modo que não devemos pré-julgar, uma vez que ignoramos quase que na totalidade as dificuldades e os feitos pelos quais passaram os nossos irmãos de caminhada.
Vivemos socialmente em grupo numa relação de interdependência porque temos a missão de ajudarmos uns aos outros nesta jornada.
Então
 onde e em que circunstancia nascemos é totalmente irrelevante, devemos amar o outro, sem regionalismo, porque somos galhos, folhas, flores e fruto de um mesmo tronco.
Por isso dentre as nossas muitas atitudes atentatória ao semelhante, o aborto intencional contraria a própria essência humana, porque é contraditório na origem.
Com boa conduta, esforço e trabalho conquistamos a oportunidade de renascer para realizar projetos, redimir, depurar imperfeiçoes e em consequência evoluir espiritualmente.
Ocorre que para esse renascimento escolhemos pessoas a quem confiamos a própria vida, pois iniciamos essa fase numa relação de total dependência desses escolhidos. 
O abortado sofre o duro golpe do assassinado por quem mais confiara, perde a oportunidade de se realizar e evoluir, por outro lado quem praticou o aborto perde a condição de ser feliz e de se realizar na forma mais pura do amor, o amor de mãe.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Obrigado Senhor

Um banho na queda da cachoeira
Uma conversa franca com o Criador
O corpo lava e leva toda a sujeira
A alma transborda o mais puro amor

Debaixo da cachoeira entrego em oração

Agradeço pelas conquistas e bênção desse lugar
Peço serenidade, sabedoria e pureza no coração
Para o irmão não julgar, mas saber com ele trocar de lugar 

Pela cortina d’água o por do sol dali se via

Imbricada à natureza a luz divina reluzia
Um sentimento nobre no corpo ungia
Em meio à simplicidade a felicidade se fazia

Obrigado senhor por este e outros dias

Agradeço pela vida e as boas energias 
Obrigado pelo provimento das necessidades
Muito grato por todas as oportunidades
Que assim seja sempre Amém. 










quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Todo momento é único


Um dia comum se despedindo para ir brilhar do outro lado do mundo.
Uma noite qualquer chegando de mansinho e o seu lugar assumindo.
Igreja, campo santo e coqueiros compõem o cenário sombrio.
No cemitério a terra faminta se alimenta daquilo que mais aprecia. 
A lua nova experimenta os primeiros passos e de perto vê o que a terra devora. 
Treme, se desequilibra, apoia nos coqueiros e por sorte não chega ao chão.
Lá de cima bela e altaneira  a lua canibal segue o seu destino.
Com grande volúpia alimenta as paixões e delas se alimenta.
Moral da história, paixões se não forem palatáveis sobre a terra, sob serão.

domingo, 6 de janeiro de 2019

MILHO VERDE EM FESTA

O Natal se foi, ficou o sentimento solidário, também o ano virou, viramos juntos esperançosos de novos tempos de honestidade e renovações. Agora é chegada a hora da monarquia de tríplice coroa, com os Reis Magos, alegria e muita folia temperados a base de amizade, cantoria, bebida e comida simples na beira do fogão a lenha na cozinha, daqui a pouco esses estarão no retrovisor e um novo reinado virá, Sua alteza, Rei Momo, circo nos dará no carnaval.
Em Milho Verde dos belos relevos no horizonte, das montanhas faceiras  de Minas, das entranhas de uma delas, como um obstetra observo o nascer do Jequitinhonha, que desce ladeira abaixo serpenteando o grande vale de pedras, tão preciosas quanto as suas cobiçadas amigas de vitrine até encontrar com a grande água salgada que banha e interliga os continentes. 
Os festejos nunca cessam viver por aqui é festejar o próprio existir; é criar vínculo com as animais de rua; se despedir do sol quando este se põe com um até breve e resolver esperá-lo de volta para abraçá-lo no alto do rosário logo de manhãzinha; é tirar as máscaras e se apresentar com a nudez genuína d'álma, é se fazer representar na cor prata, nos diversos rincões mineiros através da lua cheia, donde se entra por qualquer greta e até pela impermeável vidraça da janela, transpondo barreiras e cortinas; é sentir compaixão pela morte da bezerra; lavar a própria roupa e junto se lavar direto na fonte afluente do protagonista Jequitinhonha; é colocar flores na cova funda de um desconhecido qualquer; é guiar o apetite com a cachaça noviça que ainda goteja no bico de cobre do alambique; é orar em todas as línguas e nas mais diversas religiões porque o criador sussurra aos ouvidos daqui, que nunca preterirá as suas criaturas; é saber respeitar a todos, anciões ou não; é sair desprevenido e ainda assim não perder a oportunidade de um banho de cachoeira nos horários mais improváveis que o pudor permitir; é não ter pressa, mesmo ciente de que a imperfeição pode não ser uma inimiga; é levantar de madrugada sem proposito e ao erguer as vistas constatar que este céu tem muito mais estrelas; é deixar o pensamento livre, ciente de que ele não é um desertor e voltará; é ficar assim como criança a espera de presente na noite de natal, de fixo olhar na estrada, espiando no alto do morro, onde os faróis primeiro alumiam, a espera dos presentes que virão, pois pessoas são os mais valiosos de todos; é subir a montanha e lá de cima compreender que em maio a tanta grandeza, o contraste é a nossa pequenez...