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sábado, 26 de novembro de 2016

Monte Olimpo



O sol se punha, "a boca da noite" se preparava para engolir a várzea do lajeado e todo o seu monumental complexo "arquitetônico", ali por perto um uivado triste, possivelmente um lobo solitário, também eu solitário e igualmente lobo corria pela vegetação rasteira, era preciso acelerar o ritmo pois a cerca de três quilômetros as primeiras luzes do povoado de Milho Verde se acendiam e não seria prudente correr no escuro sem ver por onde se pisa, cobras venenosas são comuns naquela área e seria perigoso até mesmo para mim cujo próprio e concentrado veneno poderia servir de soro antiofídico. 

Por um instante tive a nítida impressão de que estava sendo seguido, não dei importância, mesmo porque na mais absoluta e aparente solitude, nunca estou só, mas o vulto daquela esquia e elegante senhora, toda encoberta por um denso manto, que há protegia do vento frio que soprava da várzea do lajeado, chamou-me a atenção, a estranha senhora se punha em sentinela assentada bem a frente do monte olimpo, imaginei se tratar de Cleópatra a espera de Ptolomeu que partiu para a guerra sem sequer se despedir, para nunca mais voltar.

Esqueci das cobras e perigos afins, ali na companhia de sua alteza, permaneci por um longo período remontando a história da humanidade dos últimos 2083 anos. Estava eu correndo, sem vinho, ou qualquer outra substância capaz de alterar o pensamento humano, de modo que o combustível dessa viagem foi possível tão somente com a endorfina proveniente da intensa atividade física daquele dia que precedeu este devaneio.

Mão de Zeus



Em Milho Verde, os colaboradores iniciam a jornada de trabalho mais cedo e obviamente também encerram os trabalhos mais cedo, às 16:00 horas já se foram. Para dar mais utilidade a este bom pedaço de dia que ainda me resta, tenho realizado corridas nas montanhas. Hoje foi o dia de vistar a Serra dos Santos, já que os Santos propriamente não visito pois sempre estão comigo. O batismo daquela serra foi muito apropriado, porquanto de uma clarividência extraordinária, os Santos lá estão, os espíritos iluminados, santificados, ali se agrupam em colônias. Para o convencimento dos mais céticos eles se materializaram e ali perfilam em formação rochosa, cristalizados, petrificados, protegidos pela intervenção divina e pelas leis dos homens. Portanto naquele ambiente, sabiamente não se tolera a intervenção humana, mas a minha inquietude e rebeldia jorrou forte como cachoeiras de Milho Verde depois do grande temporal, pois em um gesto singelo, porém atrevido, ingressei um sexto dedo à mão de Zeus, um quirodáctilos, adulterando a perfeição original, gestando uma falsa polidactilia, com isso, por alguns instantes a perfeição daquela obra de arte perdeu a harmonia e o equilíbrio divinos, o homem, particularmente este, pichador do monumento  ainda tem um longo caminho de aprendizado e crescimento espiritual, para se habilitar merecedor e capaz possa vir a ser, imagem e semelhança de Deus...