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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Dia de Sol

Bom dia. Dizem que o sol nasce para todos e é verdade, mas não absoluta e sim relativa, para o irmão que ontem fez a viagem de volta, ou sei lá, partiu desta para outras missões em planos não sabidos, é bem provável que hoje o astro rei não tenha para ele nascido. Por outro lado, nasceu para os novos irmãozinhos de travessia que ontem iniciaram a caminhada terrena. A conclusão que chego, embora rasteira e sem evidência e ou crivo da ciência é de que, nessa existência, dois documentos delimita o permear da vida, uma certidão que atesta o nascimento, trata-se de uma espécie de autorização para que o nascituro se efetive no grupo social, já a certidão de óbito por sua vez, libera-o das cláusulas impositivo do contrato social.




Zé Ferreira do Ausente


A dinâmica do mundo, impulsionada pelos movimentos de rotação e translação da terra, tornam as coisas únicas e paradoxalmente repetitivas e continuadas,  ainda ontem o coveiro rasgava caprichosamente o solo e como um artesão, esculpia uma nova sepultura. Hoje, naquele ponto georreferenciado, à sete palmos da superfície, mora um novo vizinho velho, quase que parede e meia conosco. Todavia, aquele estranho ser, não chegou espontaneamente, a rigor, foi para cá trazido  e acomodado dentro daquela trincheira medieval, como se fosse um prisioneiro imobilizado no interior de um caixote de madeira. Aí eu pergunto!  Onde estão os ativistas dos Direitos Humanos? Que espécie de gente é essa que não se comovem diante desse ritual macabro? Assim sendo, tal qual Pilatos, lavo as minhas mãos, desejando-lhe as boas vindas, quanto ao seu espírito, os meus votos é de que vá na paz de Cristo e continue firme na sua travessia, que a sua obra o tenha credenciado a entrar com leveza, luz e harmonia nos estágios de ascensão espiritual.  Não sei se se deu conta daquele grupo ali ao lado, bebendo e cantando no bar do Adir, saiba que estes irmãos não o fazem por abuso, estão em outro nível de entendimento, digamos que viajam sem sair dos arredores da mesa. Procure assimilar aquela musica como uma canção de ninar, assim como fazia tua mãezinha quando viestes ao mundo.

sábado, 29 de agosto de 2015

A DOR SERENOU



Lá fora roda-se o filme, "tudo bom, tudo bem," o vento sopra forte, é dia estranho e nublado, mesmo assim, aqui dizem que não haverá chuva, as folhas das palmeiras estão rio acima, só chove quando rio abaixo se posicionam, assim,  trazem consigo as nuvens carregadas do sertão.

Aqui dentro faz frio, mas tenho vinho e vinho aquece o corpo, todavia é danado para bulir com as ideias, e pensamento com cheiro de uva curtida, pula fora da cachola, e fica igual ao filme lá de fora, repetindo insistentemente a ficção nossa de cada dia.

No ambiente externo, se produz o filme, nem sabemos se fará ou não sucesso, aqui dentro, em meio as antiguidades e relicários do meu pai, tomo um vinho decantado no sereno da lua cheia, o resultado é imediato, a alquimia se processa mais nuclear ainda, agora dentro de mim, e o faz com um efeito placebo avassalador. A  dor serenou.

sábado, 30 de maio de 2015

DEPOR O FUZIL



De repente a vida abruptamente perde toda a freneticidade

A correria diária nos abandona e vai flertar com outros atores sociais

Bate em nossa porta um alívio, repaginando as inquietações de outrora

O peso do aprumar diário dá lugar a leveza de um novo ser mais contemplativo

Aos meditativos, o meio se descortina e se mostra muito mais insinuante

No "striptease" do acontecer social, só quem tem visão periférica vê a melhor parte

Força, atitude, firmeza e foco é fundamental para o sucesso do indivíduo

Mas leveza, generosidade, afeto e visão multifocal é imprescindível à pessoa.

domingo, 17 de maio de 2015

D E R R A M A D O



A inquietação antes vizinha, agora depois de ver prosperar certos movimentos, resolveu invadir o meu ser, mesmo sem licença e ou visto de permanência se comporta como dona, tamanha a naturalidade como se locomove com livre trânsito em todos os pensamentos, aqui e ali revira os arquivos d'álma a procura de uma biografia que acredito não ser minha.
O nosso convívio de mais de meio século, não nos fez íntimos, contudo passamos a nos permitir tacitamente, não reclamo, pois verdadeiramente acredito que nada ocorre por acaso, e se ela se mantém em mim é porque há um propósito, só espero que haja nobreza nessa conjectura, por isso não ofereço resistência, temos diferenças, mas não chegamos a nos rivalizar.
Tenho muita esperança de que essa inquilina apresente-me as suas irmãs, “indignação e temperança”, que elas, tragam consigo um mapa prospectivo para que eu, munido das ferramentas adequadas possa domar a serpente de múltiplas cabeças, de sorte a colocá-la em harmonia com o universo e no exercício do bem, transformar os fantasmas em aliados, agigantar a pouca fé, fazer com que os dogmas flertem com a razão.
Bem que poderia continuar, mas desassossegado sei lá por que motivo, resolvo parar por aqui, não se trata de uma fuga covarde, nem é por uma tarefa importante à minha espera, também não paro para revitalizar as muitas banalidades do varejinho existencial ou qualquer comportamento vil. Não há razão, já é tarde e nem as muriçocas que costumam incomodar nesse horário me aborrecem, o sol já se pôs, portanto também não é pretexto de apreciá-lo, certo é que mais cedo, um vinho foi colocado para decantar. Bem, isso sim me parece razoável...