A
inquietação antes vizinha, agora depois de ver prosperar certos movimentos,
resolveu invadir o meu ser, mesmo sem licença e ou visto de permanência se
comporta como dona, tamanha a naturalidade como se locomove com livre trânsito em
todos os pensamentos, aqui e ali revira os arquivos d'álma a procura de
uma biografia que acredito não ser minha.
O
nosso convívio de mais de meio século, não nos fez íntimos, contudo passamos a
nos permitir tacitamente, não reclamo, pois verdadeiramente acredito que nada ocorre
por acaso, e se ela se mantém em mim é porque há um propósito, só espero que
haja nobreza nessa conjectura, por isso não ofereço resistência, temos
diferenças, mas não chegamos a nos rivalizar.
Tenho
muita esperança de que essa inquilina apresente-me as suas irmãs, “indignação e
temperança”, que elas, tragam consigo um mapa prospectivo para que eu, munido das
ferramentas adequadas possa domar a serpente de múltiplas cabeças, de sorte a
colocá-la em harmonia com o universo e no exercício do bem, transformar os
fantasmas em aliados, agigantar a pouca fé, fazer com que os dogmas flertem com
a razão.
Bem
que poderia continuar, mas desassossegado sei lá por que motivo, resolvo parar
por aqui, não se trata de uma fuga covarde, nem é por uma tarefa importante à
minha espera, também não paro para revitalizar as muitas banalidades do
varejinho existencial ou qualquer comportamento vil. Não há razão, já é tarde e
nem as muriçocas que costumam incomodar nesse horário me aborrecem, o sol já se
pôs, portanto também não é pretexto de apreciá-lo, certo é que mais cedo, um vinho
foi colocado para decantar. Bem, isso sim me parece razoável...

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