No alto das
montanhas de Minas
O inverno é
inaugurado em alto estilo
Penumbra de
um tempo esquisito e nublado
Que estação
é essa que chega chegando
Força o
pleonasmo de um frio intenso, gelado.
No penhasco,
Milho verde amanheceu.
Com suas
casinhas brancas de janelas azuis
Por certo
cruzeirense é essa gente
A capela, o
cemitério, os casebres.
Lá do céu
visto como se mostra, um presépio
Sobre o
rochoso tabuleiro equilibrando arquitetura barroca
A cachaça
ali mesmo lambicada grande afago se torna
Aquece o corpo,
alegra a feição e promove candura d’álma
Na micro
visão, apenas uma capela ornamentada
De
coqueiros, cemitério e casinhas de brinquedo.
O campo
santo sempre florido, agora não.
As galinhas
no seu interior ciscam
Parecem
classificar e selecionar almas
A carijó solta
uma ninhada ao pé da cruz
Uma nuvem de
quinze pintinhos que seguem por todo lado
Parecem
chumaços coloridos de algodão,
Fertilizados
e calcificados a base de osso de "defunto morto"
Um cão
raivoso ataca, jovens novos cadáveres se formam
Que coisa,
que vida, que morte
Aqui se nasce
se vive e se morre
Sem sequer
sair do cemitério
Que loucura,
preciso do tal aquecimento etílico...
Milho Verde,
230620140900 Adélito

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