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terça-feira, 9 de agosto de 2011

BELEZA, MAGIA E CANDURA DE CELINA



Apenas pedras e nada mais, aos montes perdidas no mato, sem significado e nem importância, atiradas ao silêncio da noite ou na quietude do dia-a-dia rural, inanimadas, sem movimento e sem vida, sem ver ou serem vistas, seja no anonimato dos quintais ou ladeadas expostas no entorno das estradas e até mesmo as atiradas no meio do caminho, todas, absolutamente todas desprovidas de glamour, desapadrinhadas de Drummond, sem poesia.
De estação em estação o ambiente muda e se transforma, a vegetação se agasalha e se despe, brota as sementes, vem as flores, o vento sopra, cai a chuva e sobre os movimentos das frondosas árvores surgem os pássaros em revoada a gorjear, ao longe, agora encorpada e fortalecida grita a cachoeira, tal qual trompetes que prenuncia, sua majestade, a primavera com os seus encantos e densa ornamentação, é a vida se manifestando em cores e em terceira dimensão, seguindo o seu curso de mudança e transformação.
Só as pedras continuam imóveis, caladas, sem reação, são como fúnebres lápides em campo-santo de aldeia sem mensagem jaz. Não fedem e nem cheiram, não anunciam e também não são anunciadas, passam desapercebidas, contudo parecem assim não querer, outra sorte é possível, mas inertes nada fazem por merecer. Até que um dia tudo muda, das pedras o silêncio e retração falam alto num coração artesão, é magia incondicional que fertiliza e faz brotar ideias, chanceladas pelo nascimento de uma grande e bem aventurada paixão.
Batizadas, cada uma ganha sentido e sentimento, imagem e expressão, as sua formas dão formato e formosura a um calçamento de pedras rupestres, surge a mais nobre, sólida e sóbria passarela. Parte de uma triste e apagada história, agora, presente de brilho, arte, contemplação e glória, orgulho do criador, colírio, encantamento e admiração das criaturas. Hoje todas e cada uma são igualmente importantes, saíram da escuridão, agora são como joias que brilham na passarela da fama, lá no rancho Mar de Minas. Têm o compromisso de representar a dureza rústica do artesão, a inquietude do poeta, a beleza, magia e candura de Celina.

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