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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

FIM DE CARREIRA



Frutal, 31 de dezembro de 2008


Quero nesse momento externar a minha honra de pertencer a Polícia Militar de Minas Gerais, essa corporação maravilhosa que me concedeu o privilégio de poder conduzir uma vida dedicada a servir o meu semelhante. Nesse período de 30 anos, me esforcei para não decepcionar a família, a corporação, os meus colegas de trabalho e a comunidade como um todo. Tentei ser o escudo protetor de pessoas que sequer conhecia, procurei absolver as agressões e males a elas canalizados, foi esta a minha escolha, a propósito, característica muito própria da profissão Policial Militar, ser o escudo protetor da comunidade.


Acertei muito, também errei na justa proporção humana, e que bom que errei, conheço pessoas que quase nunca erram, mas levam uma vida modorrenta. Sem se arriscar avançaram pouco no exercício de suas atividades profissionais e também encolhem no que tange a conquista dos seus objetivos dentro do próprio projeto de vida. Tenho sido iluminado inclusive nos erros, porquanto, se de um lado não têm provocado efeitos muito gravosos, por outro norte tem sido um fundamental e pródigo elemento pedagógico, foram, portanto, divinas inserções cognitivas na minha vida em que tive a oportunidade de aprender e a crescer, assim como outros atores sociais também a tiveram.


No ano de 2008, eu e os meus ilustres colegas de trabalho, hoje amigos, aos quais serei eternamente grato, conseguimos baixar vertiginosamente a criminalidade e a violência nos nove municípios que compõem a 4ª Cia PM Ind. Para que pudéssemos experimentar o doce sabor dessa vitória, os colegas militares tiveram que desdobrar, nada foi alcançado sem o esforço e sacrifício de todos e de cada um em particular. Precisávamos maximizar as ações policiais, potencializando a repressão qualificada e a prevenção ativa, e, isso não se faz sem o esforço e o empenho pessoal de cada companheiro bem como o comprometimento de todos, que, na rua deram maior visibilidade as ações e operações levadas a efeito nesse grande e exitoso projeto.


Por outro lado, em que pese a baixa da criminalidade, a maior presença e visibilidade de um policiamento mobilizado nas ruas, procedendo a abordagens e ocupando pontos estratégicos, não conseguimos avançar no sentimento das pessoas no que diz respeito a sensação de segurança e conseqüente redução do medo decorrente da violência, uma vez que ouvindo as pessoas nos seus comentários sobre criminalidade dá-se a impressão de que o crime aumentou, portanto os comentários são inversamente proporcionais a concretude dos fatos em que a baixa dos índices da criminalidade é fato consumado, real, visível e inquestionável. Este é um debate necessário a ser estabelecida entre o Sistema de Defesa Social, a imprensa e a comunidade destinatária dos nossos serviços.


Por fim e não menos importante, aproveito o momento oportuno e espaço privilegiado para mais uma vez agradecer aos profissionais que comigo laboraram durante este ano, aos parceiros do Sistema de Defesa Social, aos membros da imprensa, aos agentes políticos do executivo e do legislativo, assim como as suas competentes equipes de trabalho, aos clubes de serviço, também os nobres integrantes das Lojas Maçônicas, as entidades representativas de classes, as diversas associações, notadamente a ACASPO, aos colegas e amigos da OAB, aos integrantes do Corpo de Bombeiros, do Tiro de Guerra, agradeço ainda de forma muito especial aos integrantes da comunidade, destinatária final dos nossos serviços, que, com muita fidalguia aqui me acolheram.

Um forte e fraternal abraço, desejo a todos uma vida longa, próspera de felicidades saúde e sorte.
Adélito Barroso Faria, Maj PM
Comandante da 4ª Cia PM Ind

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Alma Santa


TIA SANTA

Não sei como ao mundo viestes.
Não sei por qual porta entrastes.
Sei que aqui chegou.
Permaneceu, viveu, realizou.
Parteira afamada.
Ao sinal de gravidez avançada
Santa sai. Pé na estrada.
Noite escura; chuva e trovoada.
Lá vai e consigo leva
Imagem de Nossa Senhora do Bom Parto.
Para que parturiente tenha uma boa hora.
É Santa que carrega Santa.
E não há Santo que diga, qual é mais Santificada.
Sob os cuidados das Santas.
Todas tiveram uma boa hora.
Mais de 500 umbigos cortados.
Nenhum óbito.
Centenas de afilhados.
É Santinha de Amantino.
Santa Mãe de Natércio.
Minha consangüínea Tia Santa.
Irmã de Pai, de João e José.
Tia Santa de Milho Verde e de todo mundo
Mãos que estimularam tantos pulsares.
Agora já não pulsa mais.
Primo Vavá, sobrinho de Tia Santa
Abriu cova profunda e lamacenta.
Deixou à mostra argila branca da paz.
Terra fértil que a Tia Santa acolheu.
E pela derradeira porta aberta no chão de Milho Verde
Pela última vez, Tia Santa entrou.
Eu vi o jazigo, na hora chovia.
Não era uma garoa comum.
Eram anjos que ao recebê-la
Emocionados lacrimejavam.
Eu também chorei
Também agora....

Adélito Barroso Faria
Uberlândia, 27/06/07 – 21:30

Adélito Barroso Faria
Uberlândia, 27/06/07 – 21:30

MARIA MARIA MARIA MARIA MARIA MARIA

MARIA MARIA MARIA MARIA MARIA MARIA

Amazona encantada na vida a cavalgar
Segue o seu caminho aonde o destino te encaminhar
Muito pouco acelera, a exceção é o galopar
Aos solavancos vai, por vezes a vontade é apear.

Condutora iluminada na vida a guiar
Estrada truncada de poucas retas e minguadas planícies
Sobe, desce e vira, quase desiste pensa em voltar
Pista esburacada e hostil a promover o fadigar

Nauta espetacular na vida a velejar
Maré alta que a sua frente põe-se a quebrar
Pequeno barco a remar, como pode atravessar?
No leme em mar bravio, firme continua a navegar

Comandanta exemplar na vida a pilotar
Vôo cego sem instrumentos a apoiar
A rota turbulenta impõe o continuar
O vento é forte e frio, mas compensa o luar

Ciclista singular na vida a pedalar
Trilha estreita, incerta e traiçoeira
No guidon, braços fino e frágeis a segurar
É preciso concentração e arte no equilibrar

Iluminada andarilha na vida a caminhar
Passo a passo, cadencia certa sem titubear
Evita atalhos e saltos, sequer arrisca um trotar
Sabe-se que a estrada da vida não se deve encurtar...

Sublime figura tu és a própria candura
Terna e doce como mel
Antagônica, às vezes se torna feroz e dura
Amarga e ácida que nem fel.

Imensurável caráter, destacado como na procissão o andor
Personalidade forte tal qual ao jequitibá frondoso
Forjada fostes no mais puro e afetuoso amor
De uma família feliz por que a ti herdou.

Maria, minha querida e muito amada Maria
Maria forte, marambeira que luta e que brilha
Frágil Maria, que pede abraço e chora colo
Maria mãe, Maria filha, minha iluminada irmã Maria

Maria bela, Maria fera
Por quem te encantas Maria
Maria única, menina, morena, mulher
Maria dos Anjos, Maria Faria
Ou simplesmente Maria...

Uberlândia, 30 de julho de 2007.
Adélito Barroso Faria, 21:30

SER OU NÃO SER...


Ser um “ex” é normal próprio e possível
Há, para ele, paradoxalmente ‘espaço’ “vip”
Me escancaro e felicito os “ex” fumantes
Que me dizeres dos “ex” traficantes?
E toda sorte de “ex” marginais
Não são triunfantes
Mas também não são anormais
Prestigio o extrovertido que um dia foi deprimido
Mas o mais notável da vida restante para viver
É inexorável, será da qualquer forma e jeito vivida
Tudo é uma questão de escolha e atitude
As vezes ser “ex” é possível
Noutras é impossível e incompatível
Nunca verá na história um “ex” policial
Se por 30 anos foi verdadeiro e integral
Ser policial é dom, queda, tendência ou vocação
Também não há registros de “ex” poeta
Não é físico não é corpo é alma e coração
Portanto não mereço punição
Há momentos em que sou “ex”
Há momentos que não
Um pouco de melancolia
Uma dose de reflexão
Doma o corpo enternece a alma
Contem a animal
Liberta o homem...