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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

MARCAS DO TEMPO

EU ESTRANHO

Nem côncavo nem convexo
Apenas um velho espelho comum e reto
Fielmente a refletir as marcas do tempo
Impecável a denunciar os maus tratos
Hoje imprudentemente o encarei de frente
Amarga surpresa, triste nocaute
Aquele rosto familiar de um desconhecido
Deixou-me perplexo e angustiado
Era uma face amistosa, de traços fortes
Havia boa dosagem de clarividência
E prudência não lhe faltava
Mas não me era compatível, ali não estava
Ao corpo do meu pai melhor calçava
Os cabelos castanhos cheios de vida a brilhar
Covardemente abandonaram a cotidiana luta
Suas lacunas receberam frágeis e ralos fios brancos
A formosura da pele elástica e rublo
Deu lugar a um revestimento rugoso e áspero
O rosto expressivo, pródigo e viril
Apresenta-se cansado, decrépito e minguante
O par de olhos altivos a brilhar
Aventureiro no tempo a progredir
Certo de o mundo conquistar
Já não se mostra capaz de reluzir
Ofuscado, sente o peso das pálpebras sobre ti a debruçar
Temeroso por no campo minado do futuro conduzir
Aprendeu a ler e crer na implacabilidade do tempo
Que lá na frente já não tão adiante, está a linha de chegada
O fim...

Adélito Barroso Faria (Udia, 08/12/03 – 21:35)

Um comentário:

Ulisses disse...

Reflexo das Dificuldades,

Lendo esta auto-contemplação, imaginei tais versos comuns a todos nós profissionais da segurança "alheia"(fazemos também a nossa, em um todo, mas priorizamos a alheia).
O espelho apartir de um tempo de serviço deveria ser proibido aos policiais militares, uma vez que externaliza sofrimentos nunca imagináveis por um civil "alheio".
Só posso entender nossa missão por um ângulo: - O prazer de ser um policial é maior que todos os outros prazeres, é imensurável, é inebriante, é alucinante; tanto que, nos tira da realidade, quando não observamos nem o que acontece conosco.
Os cabelos caem e embranquecem; a rugas veem e se aprofundam; a "coluna" sim, nos deixa côncavos, e a bariga, convexos; sindromes eternas nos rondam, sinusite, gastrite, rinite,ite,ite,ite......
Mas pergunte-nos: arrependestes do que fez?????
Nunca tenho certeza.
O "prazer" se faz presente em situações que nenhum "alheio" imagina... - vejamos os prazeres...
- Um grande serviço..Prisão de "Malas",... apreensões de armas, drogas,...bandidos fora de circulação... tiros... e resumindo... salvar,salvar e salvar. Só nós, que não somos "alheios", entendemos isso tudo. é prazer...
- Amizade leal. Só nós sabemos valorizar uma amizade quando reconhecida. Em poucas profissões os homens colocam diariamente suas vidas nas mãos dos copanheiros, dos patrulheiros... AMIGOS....
- E principalmente, as "resenhas" milicianas são as melhores, lembramos de muitas inigualáveis(prazeres eternos).
Por isso eu digo, olhe no espelho observando a alma, pois verá os prazeres sobrepondo as rugas, evitando o maiores perigos:
-Arrepemdimentos, e sobretudo.....
A tinta Caju para os cabelos.
hehehehehe. Um abração
Afonso