Sinto uma brisa fúnesta bater à face.
A melancolia inquilina se aninha e se abriga no meu leito.
O fim se avizinha, mas ainda penso, e se penso logo existo.
Distante, a cabeça indócil se disconeta do corpo.
Vejo a lua chegar com um único sentido minimalista.
O coração está fora mascateando com o pensamento.
Um querer continuado da mesma cria renitente à sucedâneo.
Um querer continuado da mesma cria renitente à sucedâneo.
A lua de tão bela faz o coração se juntar ao olhar.
Ao contempla-la me conecto à máxima lindeza.
O pensamento indulgente continua do lado de fora.
A lua baixa as cortinas, encerra o espetáculo e se põe.
Sem o sol e sem a lua, o fim parece inexorável.
As ideias nomades são vistas online dispersas nas redes.
A vida dissipa fora do útero, agoniza mas ainda suspira.
Sem a lua e sem o sol só as estrelas gravitam no céu.
Num mitigar circense flutuam como diamantes soltas no ar.
O protagonismo estelar faz emergir uma nova esperança.
E a esperança renovada, é a última que morre.
Por isso ainda não é o fim...



