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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

E um ano se Foi

Missão cumprida pai.
A sua, a minha anda não.
O senhor honrou o seu propósito.
Já eu realizo pequenas tarefas.
Uma aqui outra ali, todas de pouca relevância.
Hoje assento à cabeceira da sua sepultura.
Aos pés porque o senhor foi enterrado invertido.
Assim o fiz, atendendo ao seu pedido.
Leio um poema feito a você pelo seu amigo Todd.
Não sei se compreendestes bem a literal tradução.
Nem sei se recebeu a minha oração.
Sei que ainda continuo estudando na escola da vida.
Não pareço bom aluno, nem sempre compreendo a lição.
O meu coração ainda sangra por ti, e também por vivos.
Plantei grama no seu jazigo, parece ter sido uma boa ideia.
A moda pegou e hoje todo o cemitério é gramado.
Haidee trouxe o agreste das Lages para o senhor.
Sua cova tem vela de macaco, coroa de frade, flores e afins.
Tem também a cruz vazada de pedra, grama e um jatobazeiro.
Mesmo bonita, não me convence a morrer.
Mas também não me estimula a viver.
Quanta besteira né pai amado?
Se o sujeito ao invés de enterrado prefere ser cremado?
Se for para endereço indesejado com o calor já estará adaptado.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Coração percursionista

Águas vão rolar, nem sempre para baixo, nem sempre na forma liquida, intercalando altos, baixos, quedas e cachoeiras, há tempestades e pororocas. 
Na aridez do sertão, o importante é acender as velas, alumiar o caminho e desviar das serpentes perigosas, sem contudo machucá-las.
Na liquidez do mar é ascender as velas, ajustar na direção do vento, enfrentar o ciclone e com habilidade manobrar o leme desviando dos icebergs até entrar em águas calmas para ancorar em algum porto seguro.
E aí para combater o tédio lá se vai de novo surfar nas ondas turbulentas e nas arritmadas batidas de um arquiteto coração percursionista.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Palavras mal ditas

Já fui bebê e bem me lembro dos meus primeiros múrmuros .
Eu emitia sons aleatórios sem significado algum e os adultos de época respondiam gugu dada...
Nada compreendia, mas achava que fazer barulho agradava, eu os fazia e os adultos correspondiam.
Depois aprendi decodificar, codificar, filosofar e mais recentemente até poetizar.
Com o tempo colecionei títulos, especializações, virei mestre, doutor e até professor.
Hoje quem dá aula acha que fui mau instrutor e que nem sei bem me expressar, falo amado irmão, entendem prostituição.
A sorte é que as maluquices que hoje faço se chancelam e acobertam sob o manto de uma tal liberdade poética.
Só que é uma liberdade que também aprisiona, sonho um dia dizer que amo para quem de amor entenda e não caçoa, agride e vira contenda.
Daqui prá frente, quando não for poema cuja liberdade os erros absolvem, vou comunicar por emoji e assim ser compreendido.
Mal agradecido, ranzinza e murmurador, talvez seja isso que sou, talvez não, para quem me beija com amor...
Para que tanta complexidade e incompreensões, se no fim a terra come ou o fogo devorara???