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sábado, 30 de maio de 2015

DEPOR O FUZIL



De repente a vida abruptamente perde toda a freneticidade

A correria diária nos abandona e vai flertar com outros atores sociais

Bate em nossa porta um alívio, repaginando as inquietações de outrora

O peso do aprumar diário dá lugar a leveza de um novo ser mais contemplativo

Aos meditativos, o meio se descortina e se mostra muito mais insinuante

No "striptease" do acontecer social, só quem tem visão periférica vê a melhor parte

Força, atitude, firmeza e foco é fundamental para o sucesso do indivíduo

Mas leveza, generosidade, afeto e visão multifocal é imprescindível à pessoa.

domingo, 17 de maio de 2015

D E R R A M A D O



A inquietação antes vizinha, agora depois de ver prosperar certos movimentos, resolveu invadir o meu ser, mesmo sem licença e ou visto de permanência se comporta como dona, tamanha a naturalidade como se locomove com livre trânsito em todos os pensamentos, aqui e ali revira os arquivos d'álma a procura de uma biografia que acredito não ser minha.
O nosso convívio de mais de meio século, não nos fez íntimos, contudo passamos a nos permitir tacitamente, não reclamo, pois verdadeiramente acredito que nada ocorre por acaso, e se ela se mantém em mim é porque há um propósito, só espero que haja nobreza nessa conjectura, por isso não ofereço resistência, temos diferenças, mas não chegamos a nos rivalizar.
Tenho muita esperança de que essa inquilina apresente-me as suas irmãs, “indignação e temperança”, que elas, tragam consigo um mapa prospectivo para que eu, munido das ferramentas adequadas possa domar a serpente de múltiplas cabeças, de sorte a colocá-la em harmonia com o universo e no exercício do bem, transformar os fantasmas em aliados, agigantar a pouca fé, fazer com que os dogmas flertem com a razão.
Bem que poderia continuar, mas desassossegado sei lá por que motivo, resolvo parar por aqui, não se trata de uma fuga covarde, nem é por uma tarefa importante à minha espera, também não paro para revitalizar as muitas banalidades do varejinho existencial ou qualquer comportamento vil. Não há razão, já é tarde e nem as muriçocas que costumam incomodar nesse horário me aborrecem, o sol já se pôs, portanto também não é pretexto de apreciá-lo, certo é que mais cedo, um vinho foi colocado para decantar. Bem, isso sim me parece razoável...

terça-feira, 12 de maio de 2015

MOMENTOS GARIMPADOS


               Eu e Esposa, gostamos muito de assistir ao pôr do sol e o surgir da lua, sempre que dá nos saboreamos desses momentos singulares, não sabemos ao certo quando este nosso hábito surgiu, mas creio que muito antes de nos casarmos, estes corpos celestes, cuidavam de lapidar os nossos corações para o encontro futuro. O sol continuamente aquecia os nossos espíritos, tornando efervescente os sentimentos mais nobres, a lua, ao seu turno, cumpria o seu mister  de serenar os nossos destemperos, abrandando as nossas almas. Os astros nos prepararam e quando estávamos prontos, nos conectaram.
           Nessa última lua cheia, ainda em curso, saímos de caiaque a fim de contemplar a mais um espetáculo da natureza, depois de muito remar nos posicionamos no centro da represa, (Amador Aguiar I) e nos entregamos à deriva, apenas a brisa e os brasileiros que consomem energia elétrica, nos conduziam, isto porque a geração de energia altera o fluxo d'água daquela represa, portanto se você que está lendo esta crônica ligou uma luz naquele instante, certamente interferiu e de alguma forma participou dessa romântica empreitada "lunática".
                Devidamente Instalados e acomodados na minúscula embarcação, sacamos da bolsa térmica, uma garrafa de vinho, um salaminho defumado e queijo do Sêrro, o sol nem esperou passar o turno, se despediu e se foi, tinha compromisso logo cedo. A lua, por sua vez, deve ter pego transito intenso naquela noite, pois nos parecia atrasada para o encontro, assim brindamos sem o seu testemunho mesmo e logo iniciamos a alquimia impositiva daquela agenda. Quando os primeiros sinais clarividentes prenunciaram o inicio do espetáculo, a cortina de mato se abriu e aos poucos a lua surgia de baixo para cima como exige o protocolo, se mostrando pelas metades, um pouco camuflada pelos galhos, hora em que a Celina soltou uma pérola que enriqueceu e prestigiou aquele momento único gravado em nossas mentes, assim ela disse: "nossa ela hoje esta deslumbrante, arrasadora, e como se insinua e nos provoca, mantendo  nobreza e classe em pleno strip tease". Quando vi a garrafa estava vazia rsrs.