As vezes me surpreendo olhando o
horizonte. É um olhar manso, sem expressão, perdido na amplitude donde o céu e
a terra se encontram. Quem vê até pensa se tratar de falta do que fazer, apenas
ócio inútil, mas no além sinto a vida pulsar insinuante sobre a passarela, ela
vai indo, nem de galope nem devagar, só vai e vai. Ali mesmo penso, que
criatura mais estranha, parece não ter propósito, prá onde será que vai? Ergo
as mãos para acenar, mas está tão distante e mesmo que perto estivesse,
distraída como parece, a mim não veria. Vidas não desfilam por si mesmas, elas
representam alguém por quem se entregam e se dão, precisamente essa que a mim enseja,
tão autônoma e independente, nem sei se de
fato tem algum tutor, pelo jeito pode até ser uma daquelas, largadas por ai, em
que o representado nega-lhe valor e apreço. Udia 18/12/2014.


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