O vento sopra ao entardecer no alto do Rosário
Naquela palco a céu aberto o espetáculo se inicia
Bela dança de marionetes, sem os fantoches dentro
Roupas limpas estendidas à cerca, ao vento bailam
Traje que se impõe em movimentos suaves sobre a cerca
Com elegância dos trapezistas, no arame se equilibram
Estendidas ao sol, curtiam a ausência de usuários e suores
Pareciam agradecer as lavadeiras da bica e os seus cantares
Longe do suor humano, dos perfumes artificiais e vil odores
Se sentiam libertas e desvestidas de donos inconvenientes e
sujos
Sonhavam com viagens, salas vip, Fashion
Week e novos amores.
Fora do armário, curtiam o toque da brisa das montanhas de
Minas
Antenadas, acompanhavam a festa dançando no ritmo da
marujada
De repente são tomadas por reminiscências de libidinoso
pudor
Situações de “saias justas”, em que, no auge se viam jogadas
de lado
Ora cúmplices, ora testemunhas presenciais de amores
proibidos
Por vezes utilizadas como instrumento de limpeza, cheiravam
a quiboa
De repente a melancolia, lá vem a ama serão no balaio recolhidas
Pela ousadia e pensamentos maledicentes punir-se-á o look
Ajuste, ferro quente, intermináveis trocas, desprezos e
rejeições
Corpos gulosos e obesos que desrespeitam a elasticidade do
tecido
De volta ao isolamento, a cela escura e ao incomodo da
cômoda.


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