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terça-feira, 23 de setembro de 2008

CODICILO



DECLARAÇÃO DE ÚLTIMA VONTADE


Quando o meu pulso não mais pulsar
Pode ser o início do fim material
Talvez parte da carcaça, possa este ato salvar
Quando o meu coração silenciar
Não o deixe esfriar
Por via desse instrumento doou-o
A quem prometer nunca deixar de amar
Na esperança de a natureza contemplar
Entrego os olhos aos compatíveis
Que diante das injustiças não os fechar
Disponibilizo todos os demais órgãos
Para servir a quem deles precisar
O resto, em codicilo, aqui estou a testar
Deve ser cremado em forno ou ao natural
A cinza, quero, no alto da serra depositar
Cujas coordenadas 18º 30’ 58. 06” Sul
43º 32’ 16. 39” Oeste respectivamente
Deixe o vento e a chuva carregar
Sou eu, não confirmando uma nova doação
Mas num ato de derradeira gratidão
Promovendo a necessária devolução
Dos elementos ex-meus nutrientes
Que um dia recebi, com alma e coração
Num conjunto harmônico, quase perfeição
Obra e criação, forjado no pó do agreste mineiro
Agora de novo pó, para outras empreitadas
Quem sabe uma nova realidade
Um jardim ou outra vegetação
Para os queridos filhos Humberto e André
Deixo o exemplo, assim, o que fui, permanecerá vivo
A amada Celina
Deixo as lembranças
Nelas eternizarei em recordações
Aos amigos deixo a certeza
De que valeu, mas como nada é eterno.
Sigo o ciclo da vida em que a morte é
Passagem obrigatória, é Inexorável.



Adélito Barroso Faria
Uberlândia, 13, Outubro de 2007 – 23:38

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