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domingo, 19 de abril de 2020

Cálice de vinho tinto de sangue


Tenho vinho tinto de safra especial que quando o corpo abraça o coração transforma.
‌Vou garimpar o cálice mais ajustado, de gargalo apertado e com prazer degustar.
‌Provo bebericando pelas beiradas ao mais sutil e sorrateiro estilo mineiro.
‌Depois com mais volúpia levo a boca ao cálice e o devoro por inteiro.
‌Não me queira parar pelo calor a crepitar, que ao transbordar faz escorrer pelas bordas do candieiro. 
Quando dois usam o mesmo cálice, segredos e mistérios se revelam donde um mais um são dois e não, é!
Não é semântica nem gerúndio mas tão somente fidelidade ao pluralismo de uma oração gramatical. 
Uma espécie de poligamia acadêmica pois a questão envolve, matemática, português e elemento de história.
Nem mande para o inferno, lá não convém, aquele calor escroto, Deus me livre e guarde, amém.
‌Se contente, não me contenha. Na dor do parto trinca os dentes ou morda a ordenha.
‌Vire os olhos e transite pela movimentada via lacta, contemple o céu em 3D estrelado.
‌Curta a lua, as sesmarias, respire fundo na longa e reluzente calda das cadentes.
Não confunda constelação, satellite, leis naturais, gravidade, atração, amor e paixão
‌Negue o pertencimento mas não castre nem deixe inoperante o fino cálice incandescente.
Sirva o tinto mais saboroso da sua distinta adega de rótolos que abundam.
‌Nada de desmames, pois quão hábil e doce são lábios pingando mel.
‌Valorize o menu, saboreia a entrada e as delícias da carne defumada ainda fumegante.
‌Sejamos gratos por compartilhar o que de melhor o Senhor nos fez aquinhoar.
Tim Tim, saúde e prevenção, use máscara, álcool em gel, camisinha e pinga com limão.

sábado, 18 de abril de 2020

Ermitão

Por muito tempo desejei o distanciamento social por opção 
Sempre disse que mais de cinco reunidos era aglomeração.
Bicho do mato se tornou meu apelido por definição.
Para mim o isolamento social faz sentido desde antão.
Foi preciso um vírus letal para curar o ante-social até então.
Hoje por decreto as ruas desertas me pertencem.
Agora o meu habitat é fora de casa, lá encontros não há.
Acabo de decretar quarentena interna existencial.
Fechei a movimentada fronteira do coração.
Quem está dentro não sai, quem de fora esta não entra mais.

domingo, 12 de abril de 2020

Domingo de Páscoa

As vezes digo que sou pura e genuína empatia.
Caçoadores dizem que só o sou no sobre nome.
Contudo, quem comigo convive ou minimamente conviveu.
Vibrou e se harmonizou as mesmas predominantes energias.
A partir daí não é mais só ela e eu deixo de ser exclusivamente eu.
Passo a estar nela e ela em mim, não importa a embalagem se trapo ou luxuoso terno.
Me querer mal é miopia de paradoxal contradição, estamos imbricados.
Deseje me o bem, deseje a ti também, o inferno não nos apraz.
Mesmo que estejas em guerra, o eu que há em você te fará vibrar em paz.
Estamos esparramados pelo universo, os nossos laços entrelaçam e se cruzam.
Ninguém é uma ilha, a árvore só dará bons frutos se houver raízes que lhe dê sustentação.
Quando você aceita o outro,  fortalece as suas proprias raizes.
É preciso dar maior protagonismo ao processo, o produto é mera consequência.
Apreciamos o sabor dos frutos, a beleza das flores sem considerar o semeador.
Respeito e curvo diante da divindade que há em ti, sem contudo deixar de reconhecer o divino que habita em mim.
Porque estou em ti e sinto a sua essência pulsar dentro de mim. 

sexta-feira, 3 de abril de 2020

A verdade as vezes doe...

A melhor verdade ainda é a nua e crua, de cara limpa, mesmo que doa.
Prefiro a verdade simples, suburbana, do que aquela de grife folheada a ouro.
Há pessoas verdadeiras, contudo incapazes de abrigar a verdade mais genuína.
Mesmo se a verdade lhe parecer agressiva capaz de machucar, não altere o seu DNA.
Apresente-a como jóia rara que é, não a contamine com adereços e disfarces.
A verdade por sí só se impõe, portanto não a produza com as suas maquiagens e fantasias.
Verdade com corretivos batons e similares não se mostra por inteiro.
A verdade deve se despir como uma striptease sem ser contudo obscena ou vulgar.
Há mais nobreza no pecado pela fraqueza carnal do que na fornicante castidade profana.
Não há sinceridade naquela revelação que lhe exige contorcionismo.
A minha sinceridade por vezes causa irá pela retidão e ausência de grife.
Entenda que a verdade sem máscaras as vezes assusta e até machuca , mas não te engana.