Diamantina terra das pedras, das raras e preciosas, mas também das de Drumond no meio do caminho.
Diamantina de Juscelino, de Xica, de Franciscos, de Zé da Lapa, dos Coutos, de Barros e de Barrosos.
Diamantina anfitriã que de lá do alto do topo da serra, sob os brados da vesperata, recebe com honrarias todos os seus convidados.
Cidade das noites compridas, do luar prateado, do céu mais estrelado, das serestas da vós e violão.
Berço de JK e dos bêbados equilibristas que descem e sobem ladeiras, exalando cheiro do azedo bagaço de cana caiana.
Cidade dos becos estreitos com nome de gente e das sempre abertas tabernas de porão que oferta boa música pro doutor e a meretriz.
Abrigo do mercado velho, de velhos, etílicos e boêmios frequentadores.
Diamantina da pluralidade, do nobre toque dos sinos, do luxo do ouro, da palha e do genérico cigarro que faz viajantes sem passagem.
Hoje recebe o Governador, liso como o voo do condor que habita a torre da Catedral.
O Zema, não é de centro, nem de esquerda e nem de direita, de que é feito o Zema?
Diamantina vazia de vazios que se enche de beleza no cheio da lua quando gravita sobre as torres das catedrais.
E eu aqui, sem o que fazer só esperando e constatando um Estado morbidamente obeso que se recusa a bariátrica.

