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sábado, 31 de março de 2018

Vida que segue

Uns cheios de vida, do nada morrem.
Já outros de falência aparente vivem.
Estes e aqueles, diferentes e tão iguais.
Num o coração, antes viril, já não bate mais.
Noutro a cadência pulsa a própria decadência.
Somos estagiários na terra, 
logo ninguém perde a vida, 
se habilita a planos outros.
Os sábios sofrem, 
mas experimentam o amor, 
seus efeitos e variações.
Tolos são aqueles 
que o refugam por medo, 
preconceito ou covardia.
Ter um cão deveria ser obrigação peremptória e constitucional.
Só assim o homem aprenderia pela pedagogia canina 
o amor incondicional.
Não exija perfeição do outro, 
a criatura mais que perfeita poderá te decepcionar.
Exercite a tolerância pela cognição da cortina furada, 
cujo defeito a imperfeição expõe.
A roda existencial gira sem parar
e o espetáculo do viver é real
e não suporta ensaios.
Todos nós enfrentamos angustias e sofrimentos, 
entenda que não é uma exclusividade sua.
Se colocar no lugar do outro 
é um exercício cristão, 
formidável e surpreendente.
Cuide muito bem da sua vida, 
do outro cuide com amor, não da sua vida. 


segunda-feira, 19 de março de 2018

Vida e Morte

Pobre animal teve a vida inutilizada à toa.
Morreu para dar de comer a homem farto.
Carne fresca desperdiçada com gente podre.
Filé de bicho inocente para alimentar criatura inútil.
Era animal jovem, melhor que muita gente por ai.
Cadeia alimentar cruel esta de homem malvado.
A uns mata para se alimentar 
e a outros só para dar à terra o de comer. 
Mata o próprio semelhante para saciar a sede de sangue.
O desprezo pela vida é tão grande que às vezes até se mata.
Por vezes invade o mais sagrado ninho para matar no útero.
Nem sei se vale a pena sobreviver em meio a tudo que nos tornamos.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Pedido extravagante.

Quando estou muito agoniado, costumo me exercitar até a total exaustão física, as vezes vou para a academia e malho até entrar em transe e cessar toda espécie de pensamentos. 
Noutras ocasiões corro horas e horas até adormecer os pensamentos. Todavia, nessas circunstâncias não dá para correr em esteiras, pois nelas parece que estou surfando no mesmo lugar sobre as ondas da angústia e não as deixo para trás. Também só os cinco quilômetros do parque do sabiá são insuficientes para acalentar o espírito.
Hoje ganhei as ruas, e através delas corri por sete horas consecutivas com pequenas interrupções, na oportunidade aproveitei para fazer três paradas distintas.
Uma no Banco do Brasil, estilo da Av Rondon Pacheco, pois a gerente de minha conta havia ligado dois dias antes, então aproveitei a passagem por ali e fui ter com ela. 
A segunda foi no Shopping Uberlândia, o sol estava forte demais, então parei lá para comprar uma camisa de corrida com proteção UV para continuar mais protegido dos raios solares escaldantes, também aproveitei o momento para a necessária hidratação. 
A última parada ocorreu porque quando passava por um jeep renegade na cor preta estacionado entre os fóruns da justiça do trabalho e da justiça federal, estranhei uma pichação grafada no vidro do lado da motorista, com os seguintes dizeres; "que dia você vai me dá chana". 
De pronto presumi que o autor não tinha nem boa educação e nem instrução, pois a frase apelativa e indagativa faltava o artigo definido feminino "a" e finalizava com pontuação inadequada, também, pelo fato de que gente educada não picha o veiculo do outro, digo, da outra. 
Mesmo porque, embora certamente a pessoa desconfie quem seja o interessado, na hipótese de querer atender a demanda, para ter absoluta certeza vai precisar mandar fazer uma perícia grafotécnica ou datiloscópica e assim encontrar o Don Juan.
De qualquer forma, dado ao apelo inusitado resolvi fazer o registro, todavia, sugiro que não façam isso em casa e nem fora dela, talvez quem sabe o mais adequado seria tratar diretamente com a dona do "objeto" de desejo. Né!!!

quinta-feira, 1 de março de 2018

O sopro que traz a vida ll

Poesia para ser boa tem que nascer de parto normal.
Há uma delicada fase de incubação e outra de gestação.
É preciso que surja para o mundo de maneira natural.
Não se faz poesia por cesariana e nem a fórceps.
Todo poeta tem o seu tempo para cura e maturação.
Os elementos da poesia estão esparramados na natureza.
Se encontra a matéria prima, bruta, em diversos lugares nas mais variadas situações.
O poeta é apenas um coletor, ele reúne, processa e realiza a alquimia.

É ajustando a lupa do pensamento e dando nova angulação visual ao cotidiano, que se faz poesia.